quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Sobre os debates politicos


Revendo cenas gravadas do ultimo debate para prefeito de Porto Alegre, observamos caracteristicas que nao haviamos percebido na epoca e que instigam uma reflexão com vistas as próximas eleições.
A primeira é a importância dos meios de comunicação para a difusão da informação. Não há política sem a mediação dos mass media, para o bem ou para o mal. Para o bem por que possibilita a difusão das plataformas políticas, pontos de vista e argumentos de cada candidato. Para o mal por que torna a política refém de um universo no qual interferem valores de uma ordem não política – a da sociedade do espetáculo.
A segunda é o nível do debate político. Ele tornou-se algo previsível. O debate da RBS foi o ultimo de uma série de enfrentamentos que foram observados em diversos canais de TV. É como se tais enfrentamentos tivessem sido o “ensaio geral” do debate da RBS. Argumentos e teses de outros debates repetiram-se a exaustão. O que é um problema, já que para Hannah Arendt, a política é o lugar fundamental da criação humana.

A terceira é o surgimento de um espaço intermediário de manipulação. Uma forma especular da famosa frase de Alexandre Dumas, é um “todos contra um e um contra todos.” Isso significa que os debates reproduzem, em nível menor, a arena eleitoral. Nisso é um espelho assustador da política, já que “vale tudo” para deixar o opositor mal e isso se dá pela manipulação exaustiva: fala-se com fulano para criticar siclano, dissimula-se responder para apresentar uma proposta. Isto não é boa política.

Ainda que possam ter aspectos criticáveis – pela sua construção, pela sua argumentação – tais debates ainda desempenham um papel fundamental para a cidadania. Eles transformaram-se em mais um espaço do aprendizado político da população. Não importa quão repetitivos tenham sido tais debates. Eles respondem por uma parcela fundamental da educação política dos cidadãos.

Mas como se dá esta educação política via mass media?. Ela se dá com méritos e problemas. Seu mérito é possibilitar o acesso a informação de uma ampla parcela da população. O problema é que tais debates simulam o que pretendem realizar. Simulam apresentar programas políticos quando, em realidade, reproduzem–nos marcados pela fragmentação. Engana-se quem acredita que assistir um debate de TV é suficiente para decidir seu voto ou compreender as propostas como um todo.

A boa decisão de voto possui várias fontes. A primeira delas é que a decisão política do cidadão depende de uma experiência interior da política . Fazem parte desta experiência a adquirida pelo eleitor ao acompanhar a evolução política de partidos e candidatos ao longo dos anos; ao compreender, a partir da leitura atenta das propostas, os modos como cada candidato e partido faz para resolver os problemas. Voto é ato consciente e não pode ser uma decisão apressada pela velocidade dos programas de TV.

Debates políticos não substituem, nesse sentido, o papel fundamental que tem para os jovens a participação nos grêmios estudantis, não substituem a participação da população como militante de um partido A ou B. Sequer chegam perto das discussões familiares sobre política. Tais programas não devem ser desprezados, mas apenas serem colocados em seu lugar. Eles tem a sua importância: a de apresentarem, de forma resumida, a agenda de debates. No domingo as urnas dirão se o debate foi bom ou ruim para os candidatos. Mas isto não é o mais importante. O fundamental é que mais uma vez, a população terá experienciado, por mais breve que seja aquele instante, um momento genuino de vivência democrática. Que tanto esforço seja depositado em apenas um instante é apenas algo que torna mais fascinante a política.

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