<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-3781079153050474132</id><updated>2012-02-06T16:00:53.566-08:00</updated><title type='text'>Blog do Prof. Jorge Barcellos</title><subtitle type='html'>Artigos de opinião, resenhas, indicações de leitura</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Jorge Barcellos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13317457638691531178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>122</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3781079153050474132.post-4088818925290413737</id><published>2012-02-01T10:59:00.000-08:00</published><updated>2012-02-02T16:43:44.813-08:00</updated><title type='text'>O pianista e o comandate</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://f.i.uol.com.br/folha/mundo/images/12017500.jpeg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="225px" sda="true" src="http://f.i.uol.com.br/folha/mundo/images/12017500.jpeg" width="320px" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Depoimento de sobrevivente do acidente do navio italiano citado por Zero Hora diz que, em meio à tragédia, o pianista continuava a tocar. A imagem tem sentido não pela comparação equivocada que se possa fazer com outra tragédia, a do Titanic, prestes a completar seu centenário, mas com outra imagem, a do capitão do navio, agora responsabilizado pelas autoridades. Se Marx está certo e uma tragédia só se repete como farsa, do que se trata o naufrágio do navio Costa Concordia e o que ele tem a nos ensinar?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;A tragédia do navio naufragado está mais para as Twin Towers do que para o Titanic. O que surpreende não é o fato óbvio de que se trata de mais um navio a naufragar, mas de um objeto que se pensa indestrutível vir abaixo, exatamente como as Torres Gêmeas. Lá, um ato aparentemente irracional do terror – que de irracional não tem nada – destrói um prodígio arquitetônico, símbolo de uma nação. Aqui, um ato aparentemente irracional de seu comandante destrói um prodígio náutico, símbolo da vida de consumo de nossa época. O que está em questão nunca foram os navios ou prédios – sim, claro, nos padecemos por sua vítimas etc., etc., – mas o que é derrubado, o que afunda realmente são as nossas certezas frente à técnica. Estou na praia escrevendo estas linhas: como é possível que barcos que vejo no horizonte, primitivos e toscos, possam manter-se de pé enquanto o imenso e indestrutível bólido aquático, com todo o seu sistema de proteção, afunda nas imagens?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;É na relação do comandante e do pianista que encontra-se a resposta. Sim, é sempre no homem, no que crê e no que baseia sua existência, que está a resposta. No mundo do individualismo obsessivo, do cada um por si na escalada capitalista, pode-se agora encontrar um capitão de navio disposto a deixá-lo antes da hora: fim da ideia de cumprimento do dever. Por isso é tocante a imagem do pianista – seja o relatado pelos viajantes do Titanic, o representado no filme de James Cameron e agora atualizado na fugaz imagem de um instante visto por um sobrevivente e que nos diz mais do ser humano do que anos de filosofia: trata-se, mais uma vez, da questão da ética do dever, que retorna para nos lembrar do que somos e do que devemos fazer.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Devemos fazer aquilo para o que nos preparamos a vida inteira, numa palavra, fazer o certo. Assim como a mensagem inscrita no monumento Osório, o caminho do dever é árduo mas é o único que nos diz que somos seres livres, capazes de fazer escolhas não por nossos instintos mas pela certeza de realizar o que é belo, justo e perfeito. A farsa da tragédia é sugerir que, só porque são espetaculares, nossos inventos são indestrutíveis e que, corrigindo suas falhas, nunca mais ocorrerão. Ao contrário, quanto mais espetaculares inventos criamos, mais frágeis nos tornamos. Frente a esta tragédia, é preciso lembrar que só fortalecendo o homem – seu caráter, sua consciência – e não seus inventos, que se fará a diferença.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicado em Zero Hora 14/01/2012&lt;br /&gt;————————————–&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3781079153050474132-4088818925290413737?l=filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/feeds/4088818925290413737/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3781079153050474132&amp;postID=4088818925290413737' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/4088818925290413737'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/4088818925290413737'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/2012/02/o-pianista-e-o-comandate.html' title='O pianista e o comandate'/><author><name>Jorge Barcellos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13317457638691531178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3781079153050474132.post-6081685324424747887</id><published>2011-11-30T08:34:00.001-08:00</published><updated>2011-11-30T10:12:11.678-08:00</updated><title type='text'>A politecnia como poção mágica</title><content type='html'>&lt;div class="x_MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_saL7jbvi4GY/TAqvKndLL3I/AAAAAAAAAqU/V5wqH-ngeTY/s320/Gel%C3%A9ia+Real+-+asterix+e+a+po%C3%A7%C3%A3o+m%C3%A1gica.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://2.bp.blogspot.com/_saL7jbvi4GY/TAqvKndLL3I/AAAAAAAAAqU/V5wqH-ngeTY/s320/Gel%C3%A9ia+Real+-+asterix+e+a+po%C3%A7%C3%A3o+m%C3%A1gica.jpg" width="318" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Gosto muito do José Clóvis. Sua história está inscrita na DS: como na história de Asterix, que habita o último reduto não ocupado pelos romanos na Gália, José Clovis habita o último reduto petista não entregue ao jogo da política tradicional. Para resisitr aos romanos, na estória de Goscinny e Uderzo,&amp;nbsp;os aldeões contavam com uma poção mágica preparada pelo druida Panoramix. Só Obelix não precisa da poção, já que caiu no caldeirão dela quando era criança. A poção mágica de José Clóvis se chama &lt;i&gt;politecnia&lt;/i&gt;. A proposta de Ensino Médio Politécnico é, na realidade, o sonho de todo militante de esquerda: ela é o outro nome da educação socialista,&amp;nbsp;educação crítica do sistema capitalista&amp;nbsp;inspirada nos estudos de Marx, Engels e Lênin incorporados ao pensamento educacional brasileiro de esquerda através do GT Trabalho e Educação da ANPEd e o&amp;nbsp;termo dominante do pensamento dos educadores de esquerda durante a década de 90.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="x_MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="x_MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Precisamos de uma educação de esquerda? É claro que sim, urgentemente. &amp;nbsp;A proposta de José Clóvis é boa, mas ainda tem a avançar neste sentido. Primeiro, a SEC precisa &amp;nbsp;mostrar capacidade de organização dos debates; segundo, precisa manter a posição de abertura porque é uma construção coletiva e terceiro, precisa enfrentar a contradição de base do projeto: como efetivar uma proposta educacional socialista no interior do capitalismo? Socialista, a grosso modo, &amp;nbsp;porque a proposta quer “desenvolver consciências criticas capazes de compreender a nova realidade” ao mesmo &amp;nbsp;tempo que quer “atender as demandas do mundo do trabalho para a educação” e, e.... o que mais mesmo? E aí que mostra sua fragilidade. Ela coloca a educação “no espaço de lutas sociais pela emancipação do ser humano “(p.18), mas como fazer isso no interior do capitalismo, justamente o regime onde a educação é vista como um “custo morto” (Kurz)&amp;nbsp;&amp;nbsp;e onde quanto maior a oferta de mão de obra-qualificada, maior a desvalorização da força de trabalho? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="x_MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="x_MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;A questão é fornecer ao aluno os instrumentos que &amp;nbsp;o permitam construir coletivamente um projeto de mudança social – e é isso, justamente, o que não está em questão, já que a proposta prevê no Anexo 3 que a implantação de novos cursos atenderá os critérios dos Arranjos Produtivos Locais (APL), numa palavra, as empresas das regiões. Quer dizer, a proposta de politecnia é um avanço frente ao taylorismo, mas é um avanço relativo, já que subentende que o monopólio do poder sobre as condições de trabalho permanece com o Capital. Para ser uma proposta radical, desejo que bate oculto no coração da DS, seu foco deve voltar-se &amp;nbsp;não para o imediatismo do mercado de trabalho, mas para o desenvolvimento das potencialidades libertárias pelo trabalho &lt;i&gt;contra&lt;/i&gt; a exploração do capital.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="x_MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="x_MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Isso não significa negar a possibilidade&amp;nbsp;da educação socialista ou da proposta apresentada, ao contrário. Acontece com a proposta da SEC algo semelhante à publicidade: uma parte da proposta atinge o alvo, mas não se sabe qual é. A politecnia pode ser uma boa poção mágica, mas ela só funcionará se for como a poção de Asterix, radical na sua forma e capaz de transformar os alunos em seres indestrutíveis frente às forças do Capital. Aliás, melhor seria se os alunos caíssem de inteiro no caldeirão de suas idéias. Mas isto é outra historia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Publicado em Zero Hora em 30/11/2011.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="x_MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3781079153050474132-6081685324424747887?l=filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/feeds/6081685324424747887/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3781079153050474132&amp;postID=6081685324424747887' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/6081685324424747887'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/6081685324424747887'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/2011/11/politecnica-como-pocao-magica.html' title='A politecnia como poção mágica'/><author><name>Jorge Barcellos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13317457638691531178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_saL7jbvi4GY/TAqvKndLL3I/AAAAAAAAAqU/V5wqH-ngeTY/s72-c/Gel%C3%A9ia+Real+-+asterix+e+a+po%C3%A7%C3%A3o+m%C3%A1gica.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3781079153050474132.post-7367412169301955246</id><published>2011-11-23T08:25:00.000-08:00</published><updated>2011-11-23T08:44:26.927-08:00</updated><title type='text'>Por que defendo Raul Pont</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.brasilautogestionario.org/wp-content/uploads/2009/06/raul31.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 350px; CURSOR: hand; HEIGHT: 227px" alt="" src="http://www.brasilautogestionario.org/wp-content/uploads/2009/06/raul31.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A disputa interna entre as correntes do PT para a indicação do seu candidato a Prefeitura esquece o que deveria ser o centro do debate: quem reúne as condições para fazer um bom governo. Para mim, Raul Pont deveria ser o candidato natural, mas não é. A candidatura de Adão Villaverde tem um olhar voltado para as classes médias e os grupos que lhe dão suporte estão de olho nas questões conjunturais do cálculo do voto. Esquecem que Raul Pont possui uma experiência muito maior no interior do Poder Executivo, primeiro como vice-Prefeito, e depois como Prefeito, do que Adão Villaverde e sua indicação só acontece porque o PT mudou de estratégia para a conquista do poder - menos ideologia, mais centrismo – resultando em governos mais marcados pelo continuísmo do que pela ideologia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A definição do candidato petista não deveria ser assim, ao contrário, deveria estar baseada naqueles candidatos que mais realizações efetivas fizeram enquanto prefeitos e que mais encarnam a ideologia do partido. Quer dizer, o PT ao invés de basear seu cálculo do voto na análise de conjuntura, deveria investir no velho e bom voto retrospectivo e ideológico, levando em conta o julgamento do melhor candidato em função de seu desempenho na administração. Não é o que está ocorrendo quando vemos as tendências do PT preocupadas no alinhamento do candidato com o poder estadual e federal e as correntes, alinhando-se a um e outro em função de seu proprio interesse. Perde a cidade a oportunidade de ver um debate de idéias e anuncia-se um debate “morno” do tipo “fica o que está bom, muda o que não está” que caracterizou a campanha de 2004.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As tendências do PT esquecem que Porto Alegre, junto com São Paulo, Belo Horizonte e Florianópolis, é uma capital na qual o eleitor conhece distinções substantivas entre direita e esquerda. A capital foi administrada pelo PT por dezesseis anos, inclusive por Raul Pont, e isto não pode ser deixado de lado na escolha do candidato a prefeito pelo partido. A avaliação retrospectiva foi um fator decisivo em várias cidades, como Fortaleza, onde o eleitor levou mais em conta o passado dos candidatos na administração. Diz Antonio Lavareda e Helcimara Telles “Deste modo, além do voto ideológico, encontrado em outras cidades, observa-se também um comportamento mais pragmático, baseado no exame da gestão”(Como o Eleitor Escolhe seu Prefeito, FGV, 2011).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se Adão Villaverde for o candidato, teremos uma campanha “paz e amor”. Prefiro Raul Pont, do bom e velho PT, com uma trajetória mais sólida e discurso de oposição forte. O PT em seu passado recente, aproximou-se demasiadamente do centro do espectro político e isto levou ao fim de sua ideologia. Agora, ao verem-se aproximarem-se as eleições municipais, é hora de dizer: “PT, volte a ser esquerda radical!. Você se divertiu agindo como centro, mas agora está perdoado por isto – está na hora de levar os ideais de esquerda a sério outra vez!”. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3781079153050474132-7367412169301955246?l=filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/feeds/7367412169301955246/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3781079153050474132&amp;postID=7367412169301955246' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/7367412169301955246'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/7367412169301955246'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/2011/11/porque-defendo-raul-pont.html' title='Por que defendo Raul Pont'/><author><name>Jorge Barcellos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13317457638691531178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3781079153050474132.post-8356656309402218516</id><published>2011-11-12T15:28:00.000-08:00</published><updated>2011-11-12T15:37:56.338-08:00</updated><title type='text'>Por trás da polêmica do IDEB</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-AqMMGTddk8Q/TepouVfEvoI/AAAAAAAAAHY/EBtfjMs5pvY/s320/Gustavo%2BIoschpe.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 309px; FLOAT: right; HEIGHT: 389px; CURSOR: hand" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-AqMMGTddk8Q/TepouVfEvoI/AAAAAAAAAHY/EBtfjMs5pvY/s320/Gustavo%2BIoschpe.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A ideia de Gustavo Ioschpe de tornar obrigatório afixar no portão de entrada das escolas os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, o IDEB, tornou-se perigosa porque foi encampada por três projetos de lei apresentados na Câmara dos Deputados. O próprio MEC alertou no início da tramitação que tais projetos eram constrangedores para as escolas, e é consenso entre os órgãos de classe, como a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), que há inúmeros problemas nas escolas brasileiras que independem do esforço dos professores e que afetam o processo de ensino – como as condições das instalações, a falta de energia elétrica e água em escolas rurais, etc. A conclusão é que a proposta do economista cobra dos profissionais de ensino o que deve ser responsabilidade do Estado, estabelece uma competição desnecessária entre as instituições educacionais, aumenta o estresse profissional de professores e reduz a autoestima de alunos. Se a proposta vencer, será praticada uma violência simbólica contra a escola: ela será jogada, de uma vez por todas, ao sabor da ideologia pura de mercado, ao ser submetida ao princípio da competição, cujo efeito é reduzir a autonomia escolar, substituir a defesa do desenvolvimento integral do aluno pela busca de indicadores baseados em dados quantitativos – e não qualitativos – e na gestão de recursos financeiros. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;O que está por trás dessa discussão? O pressuposto de Ioschpe é que teorias e métodos econômicos podem ser aplicados à educação. É o que faz em sua obra “A ignorância custa um mundo” (ed. Francis, 2004), na qual defende a analogia entre produtividade física do capital e educação. Defende, entre outras ideias, que “basta imaginar que a escola é uma instituição especializada na produção de treinamento” (p.33) e que “os princípios da economia também se aplicam ao 'mercado' da educação” (p.152). Mais grave, o autor propõe uma reforma do ensino brasileiro baseada, entre outras coisas, no “fim da gratuidade do ensino público universitário” (p.231, grifo meu) e no ”fim do desconto no IR para gastos com educação” (p.243). Para mim, a “economia da educação” de Ioschpe é o mais puro pensamento de direita, na qual a economia, a defesa de índices, o mercado e o liberalismo são o remédio pronto para a solução de todos os males da educação. É nela que se fundamenta a defesa da afixação do IDEB nas fachadas das escolas. Em “Rumo ao Abismo” (Bertrand Brasil, 2011), Edgar Morin mostra o quanto esse paradigma é equivocado quando se trata da educação. Para Morin, "a ciência econômica, ao mesmo tempo em que é a ciência social matematicamente mais avançada, é a ciência social humanamente mais retrógrada”, pois “se abstraiu das condições sociais, históricas, políticas, psicológicas, ecológicas, inseparáveis das atividades econômicas” (Morin, p.48). A afixação do índice do IDEB na fachada das escolas é o simulacro perverso e deformador desse universo econômico. O indicador aliena porque compartimentaliza, separa e isola aquilo que os educadores veem de forma interdependente: as condições de produção do trabalho escolar. Sua falsa racionalidade baseia-se num mecanismo ideológico elementar: a tentação do sentido. Diante dos terríveis problemas educacionais que vivemos hoje, a valorização de indicadores surge como portador de sentido, mas esconde por trás uma perversa lógica econômica baseada na defesa da competição. A ilusão vendida por Ioschpe é que, se indicadores servem para economistas, devem servir para os profissionais do ensino. Nada mais perverso, porque o que ele não diz é que a economia capitalista não é um mundo equilibrado, ao contrário, é um mundo repleto de catástrofes no qual os problemas da educação são justamente um de seus produtos. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Sua posição não poderia ser diferente: está inscrita em seu DNA. Filho de conhecido empresário, é acionista da Ioschpe-Maxiom, companhia fundada em 1918 que se expandiu do ramo madeireiro para o setor financeiro e industrial, chegando a lucros de 58,597 milhões no terceiro trimestre de 2010. Quer dizer, faz parte do habitus (Pierre Bourdieu) dele a incorporação em seu modo de agir, sentir e pensar do modo de ser de sua classe social, a classe dominante. Procurei em vão na internet informações sobre sua experiência como professor de escola pública e não encontrei nada – repito nada! - que o qualifique como tal. A pergunta que não quer calar é: como pode alguém que não teve a experiência de sala de aula dizer que é melhor para os professores que o IDEB seja afixado na fachada de sua escola? Mais: como pode sugerir que instrumentos da economia sejam orientadores para a educação? A minha resposta é: não pode. É necessária a experiência de professor para sugerir caminhos para a educação, e a "economia da educação" nada mais é do que ópio para as massas, e a defesa de indicadores, mitificação ideológica . É como se dissesse: “educador, não te metas com a verdade dos índices porque eles são a nossa verdadeira natureza”. No universo de Ioschpe não existem nem pessoas nem contradições, apenas fórmulas matemáticas: “[...] minhas pesquisas e conclusões são respaldadas por números e estatísticas” (A Ignorância... p.14). Diz o filósofo Slavoj Zizek: “O difícil é encontrar poesia e espiritualidade nessa dimensão”. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ora, além de ser moralmente errado aplicarem-se conceitos de investimento e capital às pessoas, há o risco de indicadores como o IDEB serem utilizados de forma inadequada nas decisões de políticas educacionais. Se os governos levarem em consideração somente os valores apontados no índice, as contribuições e as análises culturais da educação não serão consideradas. Isso é terrível. A educação tem um papel econômico, é claro, mas não a ponto de perdemos as referências às questões sociais de base que tratam, justamente, da crítica às condições de reprodução da escola no interior do capitalismo. Ioschpe defende a ideia de afixar o índice do IDEB na fachada das escolas como seu gesto de amor para defender a educação, mas seu verdadeiro amor é o Capital e seu pensamento, ideologia a serviço da servidão.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Publicado no Jornal da Universidade (UFRGS&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;), outubro de 2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3781079153050474132-8356656309402218516?l=filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/feeds/8356656309402218516/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3781079153050474132&amp;postID=8356656309402218516' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/8356656309402218516'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/8356656309402218516'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/2011/11/por-tras-da-polemica-do-ideb.html' title='Por trás da polêmica do IDEB'/><author><name>Jorge Barcellos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13317457638691531178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-AqMMGTddk8Q/TepouVfEvoI/AAAAAAAAAHY/EBtfjMs5pvY/s72-c/Gustavo%2BIoschpe.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3781079153050474132.post-2435507440471544103</id><published>2011-10-10T04:59:00.000-07:00</published><updated>2011-11-16T03:56:44.740-08:00</updated><title type='text'>Menos iPod, mais miojo</title><content type='html'>&lt;a href="http://oglobo.globo.com/blogs/arquivos_upload/2011/10/427_610-alt-JOBS%20CARTOON.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 500px; CURSOR: hand; HEIGHT: 360px" alt="" src="http://oglobo.globo.com/blogs/arquivos_upload/2011/10/427_610-alt-JOBS%20CARTOON.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Sou pré-histórico. Não tenho iPhone, iPad e nem iPod. Meu celular tem inúmeras funções graças a Steve Jobs, mas só uso uma ou duas. E quanto a tela touch screen, alguém pode me explicar porque os nomes da agenda deslizam tão rápido que mal consigo selecioná-los?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Desculpe, estou ficando velho e as rabugices marxistas vem à tona. Não entendo porque tanta idolatria com os feitos de Jobs. Quem disse que suas invenções fizeram avançar a humanidade? Seus aparelhos são o tormento de inúmeros professores: os alunos perdem a concentração da sala de aula porque estão ouvindo seu iPod; você não consegue falar com uma pessoa porque ela está no seu iPhone - “só um instante, só um instante!” - e não abro mão da experiência táctil que um livro possibilita – vade retro iPad!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A celebração dos feitos de Jobs oculta o fato de que todo avanço tecnológico cobra um preço. A invenção do avião foi também a do desastre aéreo; a do navio, o naufrágio e a do trem, o descarrilhamento. Toda a invenção cria o seu acidente, diz Paul Virilio. O avanço digital também tem o seu: torna nossa sociedade mais individualista e compulsiva. Pessoas caminham como zumbis nos parques alheios a beleza natural e a caminhada a dois passa a ser uma caminhada individual; ficam obcecados com a telinha do computador e não desviam o olhar sequer quando você lhes dirige a palavra e a leitura de textos em um iPad só faz as pessoas terem menos paciência para lerem textos longos. Como repetem os adoradores das criações de Jobs, tudo ficou mais fácil com ele, é verdade – outra forma de dizer que seu sucesso se deve ao fato de reconhecer que somos todos estúpidos. “É fácil de usar? Então estou dentro”.A questão é que as criações de Jobs não são instrumentos passivos de informação “Eles fornecem o conteúdo de nossos pensamentos, mas também modelam o processo de pensamento”, diz Nicholas Carr. Isto que dizer que devemos parar de usá-los? É claro que não! só que devemos ser mais críticos quanto ao condicionamento que provoca ao nos possibilitar receber informação de forma rápida e superficial.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Confesso que fiquei mais triste quando morreu em 2007 Momofuku Ando. O inventor do macarrão instantâneo e fundador da Nissin Foods Products morreu aos 96 anos de ataque cardíaco. Ando teve a idéia de criar o macarrão instantâneo depois da 2ª Guerra Mundial quando via as pessoas passando inúmeras horas na fila para comprar alimentos no mercado negro devido ao racionamento. Qual foi a invenção mais importante para a humanidade, a do miojo – nenhuma unanimidade, dirão os nutricionistas – que mata a fome e socializa ou a do iPod que aliena e individualiza?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Alto lá.! É claro que Jobs tem imenso valor, mas não por suas invenções, mercadorias que o Capitalismo adora, mas pela simplicidade das idéias que expressou no famoso discurso de Stanford ”você tem de encontrar o que você ama”. Sorte de Jobs que encontrou algo que também o deixou rico. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Publicado em Zero Hora em 10/10/2011&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3781079153050474132-2435507440471544103?l=filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/feeds/2435507440471544103/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3781079153050474132&amp;postID=2435507440471544103' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/2435507440471544103'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/2435507440471544103'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/2011/10/menos-ipod-mais-miojo.html' title='Menos iPod, mais miojo'/><author><name>Jorge Barcellos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13317457638691531178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3781079153050474132.post-6545127530203736207</id><published>2011-10-07T07:18:00.001-07:00</published><updated>2011-10-07T07:18:44.997-07:00</updated><title type='text'>Os eleitos, as eleitas</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A realização pela Câmara Municipal de Porto Alegre do Seminário Internacional “As Eleitas, Os Eleitos: como parlamentares tornam-se parlamentares” é uma resposta àqueles que defendem o fim do legislativo junto à crítica do reajuste dos vencimentos dos parlamentares. Você pode concordar ou não com a idéia de reajuste, mas daí passar a acreditar na inutilidade da política e dos representantes locais é um perigo para a democracia. Todos os painelistas foram unânimes em valorizar a importância da boa política, da necessidade de formar novos bons políticos – vá-la, vá-la, sociedade e estado ainda não chegaram a um consenso quanto ao seu salário, ok, ok – mas não se pode por esta razão perder a fé nas instituições públicas da democracia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda a programação do Seminário Internacional fez jus ao que se espera que um grande parlamento faça: debater exaustivamente e em alto nível sua função na sociedade, aproximar a pesquisa universitária dos agentes públicos, promover um diálogo entre agentes sociais e principalmente, reforçar na comunidade a ideia de que a democracia local precisa ser fortalecida pelo cidadão. Precisamos que os parlamentos locais lutem por uma sociedade melhor e os pesquisadores apontaram elementos para a sua defesa: o fato de que os vereadores, após a Constituição de 1988, tornaram-se um elo forte na constituição de políticas públicas nos municípios; o fato de que 93% dos quase 50 mil parlamentos estão localizados em pequenas cidades; o fato de que o militantismo, ou seja, a forma como as pessoas se engajam nas agremiações partidárias, é questão central para o fortalecimento da política local. O que não significa que não tenhamos problemas a resolver: o fato de que somente uma minoria (7%) das cidades tem parlamentos com visibilidade e acesso à imprensa; o fato de que 38% das mulheres sofrem resistência da família, sendo 22% dos cônjuges, para entrar na política, são alguns exemplos dos desafios que as Câmaras Municipais ainda tem de enfrentar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso, parcela da sociedade ainda ignora o que fazem seus vereadores. Mais, desconhece o esforço daqueles que tem sua agenda dedicada a melhorar a cidade. Devemos separar o bom do mal político, é claro, mas devemos reconhecer o valor da boa política para o desenvolvimento da cidade. Às vésperas de mais um pleito eleitoral e no momento em que se tecem as articulações para as eleições de prefeitos e vereadores, sejam quem forem “Os Eleitos” ou “As Eleitas” a quem entregaremos nosso voto nas próximas eleições, o que está em jogo é o valor que damos a idéia de representação, a boa escolha eleitoral e às instituções da sociedade democrática.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3781079153050474132-6545127530203736207?l=filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/feeds/6545127530203736207/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3781079153050474132&amp;postID=6545127530203736207' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/6545127530203736207'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/6545127530203736207'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/2011/10/os-eleitos-as-eleitas.html' title='Os eleitos, as eleitas'/><author><name>Jorge Barcellos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13317457638691531178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3781079153050474132.post-6532694010479521720</id><published>2011-10-07T07:17:00.001-07:00</published><updated>2011-10-07T07:19:28.174-07:00</updated><title type='text'>A sinuca da educação</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;"A verdadeira utopia é a crença em que o sistema global existente pode se reproduzir indefinidamente. A única maneira de ser verdadeiramente realista é imaginar o que, dentro das coordenadas desse sistema, só pode parecer impossível." Slavoj Zizek&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O snooker é um jogo de mesa, tacos e bolas surgido na Grã-Bretanha em 1875 e que recebeu no Brasil o nome popular de sinuca. Praticado por milhares de pessoas, com adaptações oriundas dos jogos americanos, um de seus movimentos é denominado bricol, que consiste em lançar a bola branca para que toque uma tabela antes de tocar a primeira bola objetivo. A bola branca repica e atinge outro alvo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algo semelhante ocorre quando Gustavo Ioschpe publica em Veja o artigo “Você acha que as escolas particulares brasileiras são boas?”. Depois de criticar o sistema público, Ioschpe volta -se contra o sistema privado, que na sua opinião, é no mínimo sofrível. E critica a satisfação dos pais que tem seus filhos nas escolas privadas, que sofreriam daquilo que os alemães chamam de Schadenfreude “a satisfação diante da desgraça alheia”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O bricol praticado por Ioschpe é simples: ele mira nas escolas privadas para atingir as escolas públicas. Seu artigo contém uma mensagem perversa: privatizem a escola pública! Ela está inscrita na comparação com o sistema chileno, que privatizou grande parte de sua educação básica quando então começou a selecionar os melhores “Se a escola atrair os melhores, provavelmente será a melhor”, diz. Ioschpe acerta na defesa da participação dos pais na educação dos filhos mas erra ao defender a ideologia liberal da pior espécie: a defesa da concorrência, da hegemonia da educação para o trabalho e da culpa dos professores pelas fraquezas do sistema de ensino. A escola privada brasileira é ruim porque a pública é muito pior, conclui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu teria muito a dizer porque discordo de sua posição mas Zero Hora fez isso por mim na reportagem da última segunda-feira. Com um título que sugeria o pior “Estado cai no ranking do Enem”, a matéria mostrou que o Rio Grande do Sul perdeu a supremacia no ranking do Exame Nacional do Ensino Médio sim, mas, observando com atenção comparativamente os dados das vinte melhores escolas públicas do Estado com as respectivas vinte melhores privadas da capital, a surpresa. Primeiro, a média do estado avançou 6 pontos percentuais para mais; segundo, as três primeiras escolas públicas do Estado - o Colégio Militar de Porto Alegre,o Colégio Politécnico de Santa Maria e o Colégio Tiradentes - ficaram respectivamente com 693,69, 693,43 e 665,93, valores superiores aos das duas primeiras escolas privadas do Estado - o Colégio Leonardo da Vinci – Alfa e o Colégio Marista Nossa Senhora do Rosário - que ficaram respectivamente com 661,68 e 647,43 pontos e portanto, foram superadas pelas escolas públicas. Onde estão as piores escolas públicas apontadas por Ioschpe?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temos que melhorar a educação? É claro que sim. Há muitas escolas públicas com problemas? Evidente, mas não melhoramos a educação pública desvalorizando o esforço dos professores e dos sistemas que funcionam em nome da privatização, mas exatamente com pregam os “radicais de esquerda”, através de um engajamento sociopolítico concreto de todos em defesa de uma educação libertária crítica a raiz do sistema capitalista. Como em uma parede de Paris em 68 “sejamos realistas: exijamos o impossível!”&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3781079153050474132-6532694010479521720?l=filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/feeds/6532694010479521720/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3781079153050474132&amp;postID=6532694010479521720' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/6532694010479521720'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/6532694010479521720'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/2011/10/sinuca-da-educacao.html' title='A sinuca da educação'/><author><name>Jorge Barcellos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13317457638691531178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3781079153050474132.post-3201701410966246223</id><published>2011-10-07T07:11:00.000-07:00</published><updated>2011-10-07T07:19:54.846-07:00</updated><title type='text'>Não é a vida da gente</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.portaldasnoticias.com/wp-content/uploads/2011/07/A-Vida-da-Gente-2.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 417px; CURSOR: hand; HEIGHT: 292px" alt="" src="http://www.portaldasnoticias.com/wp-content/uploads/2011/07/A-Vida-da-Gente-2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://t2.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcTNFdszOw621mBshKgDmoQztBc4SQfUT_4wrKSSWMRmnk7S5SgKgd8PKg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Se você acha que critica sociológica de novela não serve para nada, pare agora de ler este artigo. Vou avisar mais uma vez: se você acha que tudo pode em termos de “licença poética”, pare agora de ler. Eu avisei.&lt;br /&gt;A estréia de A vida da gente é destas pérolas da indústria cultural brasileira: não há dúvida da qualidade da sua produção e do trabalho de atores e diretores, mas quando o negócio é fazer um retrato da realidade, quanta diferença!&lt;br /&gt;Vejamos: o par romântico mergulha em pleno inverno numa das lagoas no frio da serra gaúcha; a mocinha põe na bagagem um biquini entre as roupas para a ir a serra (!)e um ônibus antigo que você nunca viu na rodoviaria faz a ligação de Porto Alegre à região em instantes e voilá, eis a vida da gente como ela é!&lt;br /&gt;Verdade seja dita: Jaime Monjardin é um cara honesto! Ele disse com todas as letras no Jornal do Almoço (26/9): “Não esperem continuidade na novela”, querendo dizer com isso que a nossa geografia será submetida aos critérios da chamada “licença poética”.&lt;br /&gt;Licença poética uma ova! Essa é a forma reiterada de massificação de nossa cultura. A conquista da hegemonia na televisão tem um preço: a homogeneização da cultura, a padronização dos signos na televisão que não poupa ninguém. Há algo errado neste mundo onde tudo é sempre igual e onde sempre lhe dão mais do mesmo. Ele parece a realidade, mas não é: as cenas devem-se passar nas ruas chiques de Porto Alegre, ou nas paisagens paradisíacas da serra, pois para os roteiristas e produtores é o que o público quer ver, a nossa vida. Não, não é a nossa vida, é uma reconstrução inviesada dela.&lt;br /&gt;No fundo, no fundo não é a nossa vida porque é a vida carioca que mais uma vez os roteiristas e autores querem retratar, com fachada gaúcha como pano de fundo. E dá-lhe um dia a dia sem expressões idiomáticas, com geografia que não corresponde ao real, com hábitos deslocados da terra apresentados como se fossem dela. A versão gaúcha proposta pela Globo é semelhante ao café descafeinado de que fala Slavoj Zizek: a imagem vendida não quer ofender ninguém e pede até que nem nos comprometamos com ela. Tudo é permitido a nós consumidores e podemos desfrutar de todas as belas imagens da serra gaúcha desde que desprovidas de toda a sua substância.&lt;br /&gt;É a caracteristica da produção de mercadorias do capitalismo em que vivemos. Hoje, tudo o que nos cerca deve conter em si o remédio para os males que causa, diz Zizek. Você pode beber todo o café que quiser, já que ele é descafeinado, expressão de nosso panorama ideológico atual. Neste sistema você pode desfrutar das coisas desde que sem a sua essência e voilá ei-nos diante da serra gaúcha no inverno sem frio, mergulhando nus em lagos gelados com biquíni na bagagem para consumo em rede nacional. Nessa novela na serra ninguém treme do frio? Cadê o frio? É como o carro que você não precisa mais dirigir, e que numa tacada, tira todo o prazer que a direção provoca. Monjardin, menos....aqui nos comprometemos com a realidade sim: frio já!.Cadê o inverno gaúcho? Como diria Robin “santa enganação Batman!”&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3781079153050474132-3201701410966246223?l=filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/feeds/3201701410966246223/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3781079153050474132&amp;postID=3201701410966246223' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/3201701410966246223'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/3201701410966246223'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/2011/10/nao-e-vida-da-gente.html' title='Não é a vida da gente'/><author><name>Jorge Barcellos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13317457638691531178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3781079153050474132.post-1182438827244151813</id><published>2011-07-10T14:50:00.000-07:00</published><updated>2011-07-10T14:52:43.624-07:00</updated><title type='text'>Decifra-me ou te devoro</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O que torna profundamente atual o pensamento do esloveno Slavoj Zizek, de quem a editora Boitempo acaba de lançar Em Defesa das Causas Perdidas e Primeiro como Tragédia, depois como Farsa, é seu trabalho sobre a ideologia. Não se trata da retomada de O Mapa da Ideologia, obra sua já conhecida dos brasileiros, mas do aprofundamento de aspectos de O Sublime Objeto da Ideologia (Siglo XXI, 2005, inédito no Brasil).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Nesse livro de 2005, Zizek integrou de forma original as percepções psicanalíticas da fantasia à crítica marxista da ideologia. Isto lhe lhe permitiu, pela primeira vez, propor uma teoria de como funciona a ideologia no plano subjetivo: “Não existe a crença comum, o que existe é a crença em que os outros creem”.Zizek reconstrói os processos que fazem homens, em determinadas circunstâncias, justificarem e darem um ar de verdade a uma mentira, numa espécie de construção coletiva . O “vamos fingir que as regras funcionam” oculta, entretanto, o fato de que as instituições no capitalismo contemporâneo estão falidas e ninguém de fato acredita nelas. Agimos como na fantasia de Papai Noel: nem os adultos nem as crianças acreditam mais nele. Pior: agimos assim com nossas instituições, inclusive com a democracia. A subjetividade também está sob tremenda pressão da ideologia: cuidado, o capitalismo quer dar um significado a sua vida, diz Zizek. Ele toma como exemplo os anos que passamos consumindo publicidade, uma das melhores formas de se pensar o que acontece com nossa subjetividade. Nos anos 1960, a propaganda automobilista vendia as qualidades de um carro; nos anos 1970, o status que ele oferece ao consumidor para finalmente, hoje, ser a promessa de libertação da sociedade opressora.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Para Zizek, o capitalismo contemporâneo é profundamente ideológico: “A política desse capitalismo é a despolitização para que não haja mais uma ideologia clara”. Na sociedade de consumo (um conceito caro a Baudrillard), a ideologia vendida é a ideologia da diversão como na expressão latina Carpe diem (“Aproveitem o dia”). Nada mais comprovador do conceito de Lacan – apropriado por Zizek – de gozo excedente, um gozo que nos suborna para mascarar os nossos problemas. A solução, para Zizek, é o retorno à noção de economia política tal como proposta por Marx: politizar a economia, e é nesse sentido que Zizek mais se aproxima de outro teórico do marxismo, Robert Kurz. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A ideologia do capitalismo contemporâneo, sustenta Zizek, quer que acreditemos que a economia não tem nada haver com a política: ela quer uma sociedade apolítica, e para isso constrói a ideia de que é besteira discutir política. Nisto reside a radicalidade de Zizek: ele quer que a democracia se garanta sem as influências das pressões de mercado.Yannis Stavrakakis, em A Esquerda Lacaniana – Psicanálise, Teoria, Política (Fondo de Cultura Econômica, 2010, inédito no Brasil), deu-se conta que o pensamento de Zizek consolidou-se ao longo dos últimos 15 anos, período em que a psicanálise e a teoria lacaniana passaram a ser recursos importantes na reorientação da teoria política contemporânea. Essa posição, para qual boa parte dos cientistas políticos torce o nariz, origina-se no próprio pensamento de Lacan, que não foi apolítico – ao contrário, fez críticas ao American way of life, ao capitalismo americano e à sociedade de consumo, o que o levou a associar sua noção de mais-gozo à noção de mais-valia de Marx. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Nesse caminho estão Zizek, Cornelius Castoriadis, Alain Badiou e especialmente Ernesto Laclau, para quem “a teoria lacaniana aponta ferramentas decisivas para a formulação de uma teoria da hegemonia”, daí a definição de seu horizonte teórico-politico em termos de “esquerda lacaniana”, nítido campo de intervenções políticas e teóricas a partir da psicanálise – mas não somente dela – que parte para a crítica da hegemonia capitalista contemporânea.Em Primeiro como Tragédia, depois como Farsa, lançado simultaneamente pela Verso (Londres) e Flamarion (Paris) em 2009, Zizek pergunta se estamos preparados para a história que se impõe sobre nossas cabeças desde os ataques de 11 de Setembro. Ele mostra as manobras por detrás das ideologias levantadas pela atual crise (2008) e que levou bilhões de dólares para os bancos. Para Zizek, o que é profundamente ideológico é tratar as crises do capitalismo como algo estranho ao próprio capitalismo, ideia que deseja vender a imagem de um mercado capitalista regulado de outro modo. Ao contrário, ele nos mostra cada vez mais o capitalismo sobrevivendo abaixo de terapias de choque, num mercado que exige violência extramercado para seu funcionamento.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Já na obra Em Defesa das Causas Perdidas, Zizek vai contra o pensamento hegemônico que vê a democracia liberal, as vezes dita pós-moderna, como o melhor dos mundos frente ao passado das lutas comunistas. Isso não quer dizer que as “causas perdidas” que defende estejam abrigadas pelo teto do Fórum Social Mundial: para Zizek, seu lema “Um outro mundo é possível” mostra que seus protagonistas ainda relacionam-se demais com a estrutura já posta pelo capitalismo. Para fazer seu caminho, ele faz a opção por retornar ao marxismo a sua maneira, o que tem o peculiar efeito de chamar a atenção mundial sobre sua obra: não há dúvida, o que Zizek faz é tornar sedutor o marxismo para as novas gerações. Para isso articula Lacan, Hegel e Marx com cinema, música, cultura popular e a crítica dos objetos de consumo. Em Defesa das Causas Perdidas, entretanto, padece do problema comum aos grandes pensadores contemporâneos: como produzem demais, escrevem demais, torna-se frequente encontrar traços de obras anteriores nas seguintes. Não há como deixar de ver no capítulo 2, Lições do Passado, o eco de suas obras anteriores sobre Robespierre e Mao, ou dos estudos anteriores que fez sobre o stalinismo publicados em espanhol. Há, entretanto, reflexões sobre o pensamento de Heidegger extremamente originais e que não haviam aparecido anteriormente, contudo. E é claro, Zizek sempre é um grande contador de causos que sintetizam brilhantemente suas ideias. Em um determinado momento de sua obra, ele cita a ficha de um hotel americano: “Prezado cliente: para garantir que você vai desfrutar sua estadia conosco, o fumo está totalmente proibido neste hotel. Qualquer violação deste regulamento resultará numa multa de US$ 200”. Assim é o capitalismo, diz Zizek: estamos condenados a ser castigados se recursarmos a desfrutá-lo plenamente. Zizek quer nos mostrar o cinismo do capitalismo contemporâneo em sua caminhada em direção a um capitalismo autoritário, contrário ao direitos humanos, como anuncia o caso chinês. E o grande perigo é que ele pode estar certo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Publicado no Caderno de Cultura de Zero Hora, 8/6/2011&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3781079153050474132-1182438827244151813?l=filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/feeds/1182438827244151813/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3781079153050474132&amp;postID=1182438827244151813' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/1182438827244151813'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/1182438827244151813'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/2011/07/decifra-me-ou-te-devoro.html' title='Decifra-me ou te devoro'/><author><name>Jorge Barcellos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13317457638691531178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3781079153050474132.post-5518325558610024353</id><published>2011-07-07T06:32:00.000-07:00</published><updated>2011-07-07T06:38:28.673-07:00</updated><title type='text'>Primeiro como tragédia, depois como farsa</title><content type='html'>&lt;a href="http://boitempoeditorial.files.wordpress.com/2011/06/primeiro-como-tragc3a9dia-depois-como-farsa.jpg?w=304&amp;amp;h=455"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 304px; CURSOR: hand; HEIGHT: 455px" alt="" src="http://boitempoeditorial.files.wordpress.com/2011/06/primeiro-como-tragc3a9dia-depois-como-farsa.jpg?w=304&amp;amp;h=455" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;No documentário Examined Life (2008), de Astra Taylor, Slavoj Zizek aparece em um imenso lixão americano vestido como um trabalhador do meio, numa imagem que não poderia ser melhor para resumir seu pensamento: lá onde fica aquilo que jogamos fora, aquilo que não damos importância e não perguntamos para onde vai está a metáfora do capitalismo que vivemos hoje, um sistema que se mostra maravilhoso em sua forma e mercadorias, mas que faz isso apenas mostrando um lado da história e ocultando todas as lutas sociais. Aquilo que não nos é dito e que leva a sua aceitação tem um nome para Zizek: ideologia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Pois é justamente a análise da ideologia do período entre o 11 de Setembro e o colapso financeiro mundial de 2008 que é o centro de sua argumentação em Primeiro como tragédia, depois como farsa. Zizek, junto com Alain Badiou e Ernest Laclau, constitui o centro da “Nova Esquerda Lacaniana”, cuja principal característica é aplicar conceitos da psicanálise e da filosofia à critica da ideologia liberal. É o que faz em riqueza de detalhes nesta obra ao mostrar como a tese de Fukuyama do fim da história e a crença na democracia liberal capitalista finalmente foi vencida – ou morreu duas vezes. Primeiro, com o 11 de Setembro, que simbolizou o colapso da utopia política democrática liberal – sem, no entanto, afetar a face econômica – e segundo, com a crise financeira de 2008, símbolo do fim da face econômica do sonho de Fukuyama. A análise das condições e consequências dos acontecimentos desse período e da ideologia capitalista que determina a sua percepção faz-se no meio de uma compreensão engajada – Zizek adota o lado da defesa da idéia comunista, que ainda vive.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Renovando o pensamento de esquerda, com um texto repleto de ironia e exemplos notáveis, Zizek desvela a face perversa de um capitalismo cínico que se diz democrático, mas que oculta em seu interior um monstro autoritário prestes a nascer.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Publicado no Le Monde Diplomatique, julho de 2011&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3781079153050474132-5518325558610024353?l=filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/feeds/5518325558610024353/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3781079153050474132&amp;postID=5518325558610024353' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/5518325558610024353'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/5518325558610024353'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/2011/07/primeiro-como-tragedia-depois-como.html' title='Primeiro como tragédia, depois como farsa'/><author><name>Jorge Barcellos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13317457638691531178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3781079153050474132.post-1405756979669963999</id><published>2011-07-06T05:00:00.000-07:00</published><updated>2011-07-06T05:02:30.113-07:00</updated><title type='text'>A Letra Escarlate das Escolas</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_U4BUKYKsaao/SyL-nsydLsI/AAAAAAAAAVU/ssNsRvZFaWM/s400/citacao2.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 281px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_U4BUKYKsaao/SyL-nsydLsI/AAAAAAAAAVU/ssNsRvZFaWM/s400/citacao2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A Letra Escarlate é um filme de Roland Joffé que conta a estória de Hester Prynne (Demi Moore), uma mulher que vive em 1666 e é submetida a humilhação de usar uma letra "A" vermelha marcada a ferro em sua carne. O efeito é devastador, fazendo-a sentir vergonha de si mesmo ao mostrar para todos o pecado que cometeu contra seu marido, o adultério. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algo semelhante ocorre quando se trata da proposta da Câmara dos Deputados defendida por Gustavo Ioschpe (ZH, 4/6/2011). Ela é, de certa forma, a Letra Escarlate das Escolas. Ioschpe é muito qualificado, é verdade, mas qualificado em quê? Numa área denominada de Economia da Educação, que usa a econometria como ferramenta para medir de maneira quantitativa o impacto de diversas variáveis sobre aprendizagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada mais distante das idéias de autores como Henry Giroux, Rubem Alves e Marilena Chauí. Para estes autores, subjaz a discussão a definição da lógica de mercado como o portador da racionalidade sociopolitica e agente do bem-estar no interior da escola. Neste campo situam-se todos aqueles que vêem os direitos sociais apenas como mais um horizonte de serviços do estado a serem definidos pela ideologia do mercado, outra forma de encolher o espaço público democrático dos direitos à educação e ampliar nele o espaço do privado. É o caso de Ioschpe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No outro campo estão os defensores da autonomia da escola que criticam o desejo de ver suas ações mediadas por termos como rendimento escolar e serem submetidos à coleta de indicadores de quantidade e não qualidade. Eles reduzem a autonomia escolar pelo estabelecimento de metas baseadas em indicadores de desempenho e a gestão de receitas e despesas. Para os que pleiteiam anotar nas fachadas escolares o conceito do IDEB, a nossa Letra Escarlate, autonomia escolar é sinônimo de gerenciamento empresarial da escola. Nada mais perverso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marilena Chauí definiu o tipo de qualidade perseguida por este regime: aqui “qualidade”, competência e excelência existem sim, mas não no sentido que aspiram professores e estudantes, mas no sentido daqueles pré-requisitos que atendem “às necessidades de modernização da economia”, numa palavra, as chamadas exigências da produtividade. Para Chauí, ela é baseada em três critérios: quanto uma escola produz, em quanto tempo produz e qual o custo do que produz e, voi-lá, eis-nos diante do campo da econometria de Ioschipe que os educadores repudiam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema é que discute-se critérios da qualidade do trabalho escolar como se fossem os mesmos da produtividade capitalista - quantidade, tempo e custo – e não são. Os professores que questionam este modelo não são incompetentes como diz Ioschpe, apenas buscam qualidade e não quantidade em seu trabalho. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Publicado em Zero Hora, 06/6/2011 &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3781079153050474132-1405756979669963999?l=filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/feeds/1405756979669963999/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3781079153050474132&amp;postID=1405756979669963999' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/1405756979669963999'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/1405756979669963999'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/2011/07/letra-escarlate-das-escolas.html' title='A Letra Escarlate das Escolas'/><author><name>Jorge Barcellos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13317457638691531178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_U4BUKYKsaao/SyL-nsydLsI/AAAAAAAAAVU/ssNsRvZFaWM/s72-c/citacao2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3781079153050474132.post-9043799745316597654</id><published>2011-07-05T17:33:00.000-07:00</published><updated>2011-07-05T17:35:39.484-07:00</updated><title type='text'>Pequena história do teatro gaúcho</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A importância da história do Teatro Gaúcho está no fato de que seus produtores, atores e textos assumiram uma posição que extrapolou as fronteiras do Rio Grande do Sul ao longo do século XX. Por esta razão era de se pensar que sua historia fosse uma grande evolução, quando na verdade não é uma seqüência fortuita de mudanças, estilos ou nomes, mas processos estruturados que acompanham a história da sociedade gaúcha no Brasil. As grandes mudanças tecnológicas, comportamentais e culturais do século XX afetaram profundamente o Teatro Gaúcho, colocando questões fundamentais para a área teatral na virada do século XXI. Este teatro, que conheceu nos anos 70 e 80 do século XX o processo de profissionalização, é um campo repleto de debates que envolvem discussões estéticas, políticas e formas de sociabilidade de grupos teatrais, ainda pouco conhecido das novas gerações. Uma exposição, a ser inaugurada no próximo dia 16 de agosto na Câmara Municipal, mostra que o longo camiinho em direção a profissionalização foi lento e nele, o teatro gaúcho oscilou sempre entre as mesmas questões: a relação do teatro amador com profissional, a problemática da distinção entre teatro de alto nível e teatro para as massas, a busca pelo apoio privado e a demanda por políticas públicas, chegando-se hoje, às vésperas de mais uma edição do projeto Porto Alegre em Cena, a grande questão: o Festival, mais do que uma política pública, não teria se transformado no espelho no qual o teatro gaúcho se olha, mas que, paradoxalmente, não quer se enxergar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para entender esse paradoxo e preciso voltar à história. O teatro foi introduzido no Brasil no período colonial como instrumento para catequese. Com o desenvolvimento da atividade econômica o teatro passou a fazer parte das atividades cívicas e religiosas. O amadorismo predominou no inicio do teatro brasileiro e gaúcho: as encenações eram interpretadas por todos: padres, freiras, índios, escravos alforiados, portugueses e jovens brasileiros. Em 17 de junho de 1771 entra em vigor Alvará Régio que tem o objetivo de incentivar a construção de “teatros públicos bem regulados, pois deles resulta a todas as nações grande esplendor e utilidade”. Em Porto Alegre, as primeiras casas de espetáculos surgiram ao longo do século XVIII, em modestos padieiros do Largo da Quitanda e do Largo da Forca. Já nesta época, os poderes públicos, através da Câmara Municipal, participam da vida teatral, acompanhando a construção da “Casa da Comédia”, construída em 1794 as “festas reais”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vinda da família real ao Brasil, em 1808, impulsionou a construção de teatros no Brasil. Em Porto Alegre, é construída a “Casa da Ópera” na Rua Uruguai, também chamado Beco da Ópera. Na cidade surge ainda o Teatro Dom Pedro II, na Rua Mal Floriano, chamado de “teatrinho”, que funcionou até a inauguração do Teatro São Pedro, em 1858, o primeiro grande teatro de Porto Alegre. Nos subúrbios, pequenos teatros tentam organizar-se, como o Teatro Variedades, na Voluntários da Pátria, em 1879, o Teatro Partenon, da Sociedade Dramática Melpômene em 1889, o Teatro Felix da Cunha, na Praça Menino Deus, entre outros. Datam desta época as principais questões do campo teatral até hoje: dividido entre adotar uma estética nacional ou européia, entre a valorização do teatro amador ou do teatro profissional, entre a produção de um teatro para elites ou teatro para as massas, o teatro gaúcho inicia o século XX com angústias e inquietações. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1919, surgem as primeiras iniciativas com apoio da municipalidade para impulsionar o campo teatral. É o nascimento do projeto de construção de um teatro municipal, defendido pela classe teatral mas que só se concretiza meio século mais tarde, quando é instalalado o Teatro de Câmara, na Rua da República, o Teatro Renascença e a Sala Álvaro Moreira, a partir dos anos 70. Enquanto o inicio do século XX vê a emergência das vanguardas artísticas, com o teatro do alemão Bertolt Brecht, Frederico Garcia Lorca e Vladimir Maiakovski, onde expressionistas, surrealistas e simbolistas revolucionam a encenação no mundo, no Brasil impera o teatro de revista voltado para as massas. A nova dramatugia ainda levaria anos para inspirar o teatro brasileiro e gaúcho. O período do entre guerras foi de grande importância para o teatro brasileiro, já que a guerra colocava riscos para as companhias européias chegarem ao Brasil e impulsionava o trabalho dos grupos locais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos primeiros grupos de teatro amador do Rio Grande do Sul foi o Teatro do Estudante. Criado em 1941 inspirado no Teatro do Estudante do Brasil era patrocinado pela união Estadual dos Estudantes. Foi o berço de atores como José Lewgoy e Walmor Chagas que, junto com outros grupos, fundou em 1948 a Federação Rio-Grandense de Amadores Teatrais (FRAT). Para Walmor Chagas, o que diferenciava o Teatro do Estudante dos demais grupos era a vertente mais “intelectualizada”, universitária, com um “repertório universal”, diferente do teatro mais popular feito por Procópio Ferreira, Renato Viana e Dulcina no Rio de Janeiro. O Teatro do Estudante viajou em 1954 para o interior do Rio Grande do Sul e no ano seguinte o grupo dividiu-se em três novos grupos amadores: a Comédia da Provinicia, o Teatro Universitário da União Estadual dos Estudantes (liderado por Antonio Abujamra) e o Clube de Teatro da Federação de Estudantes Universitários do Rio Grande do Sul, liderados por Cláudio Heemann. Enquanto que o Clube de Teatro não tinha diretor artístico nem base financeira, e vivia discutindo, lendo e ensaiando peças, o Teatro Universitário contava com um estatuto próprio e era definido como teatro amador. Nesse momento, segundo Silvia Ferreira, diretora do Grupo Comédia da Província, ampliam-se os espaços dedicados ao teatro na imprensa e as verbas governamentais começam a chegar às representações teatrais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O debate entre teatro amador e profissional foi constante durante a década de 50. As primeiras tentativas de profissionalização ocorrem com a Sociedade de Teatro Studio, que possuía uma equipe com funções bem definidas. Paradoxalmente o teatro gaúcho ainda era visto, pelos artistas do centro do país, como um teatro predominantemente amador. A idéia de profissionalização avança mais em 1958, com a criação do Curso de Arte Dramática na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, que atendia a necessidade de sistematização do ensino teórico e a necessidade de um mergulho na prática da interpretação, base para um teatro profissional em Porto Alegre. Foi convidado para dirigir o curso o diretor italiano Ruggero Jacobi. O curso iniciou com dois cursos, o de Arte Dramática, para formar atores, com teste vocacional prévio, e o Curso de Cultura Teatral, para interessados. Uma demanda para as políticas públicas foi a necessidade de criação de um teatro municipal para as atividades cênicas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos primeiros grupos de teatro a surgir com a bandeira da luta pelo profissionalismo foi o Teatro de Equipe, fundado por Mario de Almeida, Paulo José, Paulo Cezar Pereio e Milton Matto. Depois, Rugerro Jacobi, ao criar o Teatro do Sul, também pensava em termos de profissionalização, defendendo a idéia de patrocínio por empresas e a necessidade dos poderes públicos financiarem a atividade teatral como fator de cultura para as massas. Era o movimento de renovação do teatro brasileiro chegando ao Rio Grande do Sul. Em 1960 o Teatro de Equipe inaugura seu teatro e caminha em direção a profissionalização, com espetáculos no interior com grande público. Entretanto, isto não é suficiente para manter os artistas e muitos vão para o centro do país, como Antonio Abujamra e José Lewgoy. Os anos 60 foram de crise do teatro, envolvido com problemas como a falta de público, recursos e com a interrupção de iniciativas, como a do Teatro de Equipe, que pára de funcionar em 1962, o que levou a classe teatral a reinvidicar maior participação do poder público. O Estado atuava, mas não do modo desejado: era o problema da censura, que levou ao desaparecimento do teatro secundarista, resistindo apenas na Universidade e em alguns cursos livres de teatro. Em 1967, é criado o Grupo de Teatro de Arena em Porto Alegre, por alunos do CADE e do grupo de Teatro Independente, funcionando entre 64 e 65.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir de 1972, o Departamento de Artes Dramáticas da UFRGS (DAD), o teatro de Arena e o grupo Província, com Luis Paulo Vasconcellos e outros concentram as iniciativas teatrais. No final de 1978, Geisel havia regulamenta a profissão de artista, que passou a possuir um sindicato e um registro de trabalho e que permitiram a grupos de atores usarem a pessoa jurídica do próprio sindicato para trabalhar, para superar a burocracia. Nesse período o Estado atuou frente ao teatro de duas formas: como apoiador e como censurador. Durante o regime militar, a censura foi comum. Para as produções culturais era necessário fazer uma apresentação para a censura antes da estréia, sendo geralmente o último ensaio. Havia o recurso, é claro, de anunciar-se não como um espetáculo, mas como leitura dramática, o qual não exigia censura prévia. Como não era permitido cobrar ingressos, daí nasceu o hábito de passar o chapéu ao final de cada espetáculo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas este também foi o período do Plano de Interiorização e Ação Cultural do Departamento de Assuntos Culturais da Secretaria de Educação e Cultura do Estado do Rio Grande do Sul, que patrocinava espetáculos e os levava para o interior do estado em grandes turnês. Foco de polêmicas, porque somente apóia espetáculos infantis, visando criar hábitos nas comunidades do interior e beneficiar alunos de escolas públicas. Teve o mérito de criar, por outro lado, um mercado de trabalho para artistas locais, criando condições de sobrevivência para muitos artistas. Em 1976 foram promovidos 540 espetáculos.Mas também era o periodo da censura. Por conta dessa política foram publicados manifestos contra a ação do Estado, como, por exemplo, quando da proibição da peça O Aprendiz de Feiticeiro, de Maria Clara Machado, uma peça infantil e quando o Teatro de Arena foi fechado por conta da leitura dramática da peça “Rasga Coração”, texto proibido de Oduvaldo Vianna Filho, anos depois.O reforço do apoio público vem a partir de 1975, quando o Serviço Nacional de Teatro começou a financiar grupos que atendessem determinados requisitos em suas montagens, além de subvencionar companhias profissionais que quisessem viajar para outros centro. Isto levou ao governo estadual a patrocinar um projeto de interiorização do teatro, mais voltado para peças infantis. Era a idéia de formação de público consumidor de teatro a ocultar as iniciativas mais críticas do meio. No inicio dos anos 80, Porto Alegre possuía dois núcleos teatrais fortes, o Teatro de Arena e o Grupo Província, com suporte do DAD, mas a censura dificultava os trabalhos: faltavam salas públicas e amparo governamental para os grupos existentes mais críticos e os artistas reivindicavam a regulamentação da sua profissão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das distinções da área cultural era que o teatro era a única área de produção artística em que existia um curso superior entre os anos 70 e 80. Nesse contexto existiam basicamente dois tipos de grupos de teatro em Porto Alegre: os grupos de criação coletiva, influenciados pelo método de trabalho do grupo carioca Asdrúbal Trouxe o Trombone, onde havia uma grande divisão de tarefas e a produção era coletiva, e os grupos que funcionavam num formato mais tradicional trabalhando com textos de autores teatrais, como os grupos do Grêmio Dramático Açores, Vende-se Sonhos, Faltou o João, entre outros. A divisão entre teatro intelectualizado, como os trabalhos do Faltou o João, e propostas mais lúdicas, como a do grupo Vende-se Sonhos. O Balaio de Gatos, considerado o mais “maluco” de sua geração, pretendia encarnar a vanguarda e estética punk em seus trabalhos. Outros, tiveram a criação de peças ontológicas como Bailei na Curva, de 1983, do grupo Do Jeito que Dá e finalmente, existiam aqueles grupos onde a idéia de liderança do trabalho é muito forte, como no grupo Tear dirigido por Maria Helena Lopes e o Teatro Vivo de Irene Brietzke. Eram grupos de pesquisa, voltadas para a profissionalização, chegando a radicalização, como Oi Nóis Aqui Traveiz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O inicio da profissionalização do teatro gaúcho inicia com a peça Bailei na Curva, que contava com um produtor, Geraldo Lopes, da Opus Produções, responsável por trazer grandes shows para Porto Alegre. Ele deu uma noção profissional ao teatro, com novos equipamentos e uma preocupação com o acabamento dos espetáculos, processo que visava administrar melhor a execução da peça, sedimentando o mercado e o espaço cultural. A partir de então ficou claro a necessidade dos grupos em trabalharem com um produtor teatral, ainda que a criação continuasse coletiva. Mas os atores ainda dependiam para sobreviver de adotar outras formas de trabalho nesse período, como locução, dublagem, publicidade e até ministrando aulas. O Estado e o municipio já contavam com uma organização voltada para o Teatro, na Secretaria Estadual da Cultura administrando o Teatro de Arenae o Teatro São Pedro e a Secretaria Municipal de Cultura com o Teatro de Cãmara, Teatro Renascença e outros espaços. Em Porto Alegre, em 1991, Luciano Alabarse assume a Coordenação de Artes Cênicas da Secretaria Municipal da Cultura de Porto Alegre, cargo em que permanece até 1994, sendo responsável por inúmeros projetos que movimentam a cena porto-alegrense. Entre suas iniciativas, estão a criação do projeto Novas Caras, em que artistas iniciantes têm a oportunidade de mostrar seu trabalho nos teatros municipais, e a Sessão Maldita, realizada no porão do Teatro Renascença, que semanalmente, à meia-noite, apresenta espetáculos de caráter experimental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O “Porto Alegre em Cena” constituiu, depois das iniciativas dos anos 70, o grande esforço de atuação do Estado no campo teatral. Idealizado por Luciano Alabarse com patrocínio da pela Prefeitura e apoiadores, teve sua curadoria entre 1994 a 2001 e de 2005 em diante e provoca uma transformação fundamental no modo de atuação do Estado no campo teatral. Parcerias, mas também, megaproduções transformam-se no modo de ação das políticas públicas para a área. O evento é considerado um dos maiores festivais de teatro da América Latina, e traz, anualmente, no mês de setembro, atrações nacionais e internacionais à capital gaúcha, além de peças produzidas no Rio Grande do Sul. Durante os seus primeiros quinze anos de existência, o Porto Alegre em Cena teve diferentes e variados espetáculos. Desde os clássicos de Shakespeare Hamlet e Romeu e Julieta, Le Costume de Peter Brook (um dos maiores diretores teatrais do mundo), até obras como Cacilda! (que comenta a história do teatro brasileiro, com a presença de Zé Celso, que é considerado o mais provocador dos encenadores brasileiros). E também teve grandes polêmicas, como a obra Oresta do grupo italiano Socìetas Raffaello Sanzio, que foi dirigida por Romeo Castelucci e acabou se sagrando como uma obra bastante polêmica que teve grande audiência negativa por parte da plateia; pois se tratava de uma obra que trazia à cena animais vivos e tinha por personagens homens com problemas físicos e mentais. O Porto Alegre em Cena colocou Porto Alegre no cenário do teatro internacional com espetáculos variavam entre grandes clássicos e obras modernas; e, também, obras que recebiam críticas boas e ruins.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Porto Alegre em Cena é o espelho do teatro gaúcho e onde, paradoxalmente, ele não quer se enxergar. Suas virtudes, sua história, seus vícios, tudo vêem se refletir ali. Isso acontece porque, de certa forma, o que faz em seu interior é atualizar os dilemas da história da teatro gaúcho. Todos admiram o projeto, mas paradoxalmente, as maiores críticas vem da área teatral, que nele não deseja se mirar. É uma política pública que recebe elogios porque colocou o mundo teatral em Porto Alegre, mas que recebe também críticas pelo pouco espaço que concede a produção local. Nele pode-se perguntar se os grupos de Porto Alegre participam menos porque são ainda amadores e o os do centro do país participam mais porque são profissionais; pode-se indagar se os espetáculos são de um teatro para elite ou se são voltados para as massas e finalmente, pode-se perguntar se os textos locais são superiores ou inferiores aos universais. Tudo é recolocado pelo Porto Alegre em Cena, e é este justamente o seu mérito. Todos veem os espetáculos do Porto Alegre em Cena, mas muitos atores e produtores gaúchos ainda lhe torcem o nariz. É deste espelho que se trata, e a idéia que pode contribuir para os debates é se o teatro gaúcho está vivo não porque tem uma política cultural consagrada para a área, mas porque através dela se recolocam novamente os temas e dilemas do teatro gaúcho. Numa palavra, o valor do Porto Alegre em Cena esta no fato de que rememora a identidade cultural gaúcha, a atualiza, pois coloca, de uma forma ou de outra, a grande questão: que teatro queremos nós, gaúchos, fazer? Prova de que, ao iniciar o século XXI, nosso teatro padece dos males e virtudes de um século atrás, mas com a disposição de um profundo autoquestionamento.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3781079153050474132-9043799745316597654?l=filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/feeds/9043799745316597654/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3781079153050474132&amp;postID=9043799745316597654' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/9043799745316597654'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/9043799745316597654'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/2011/07/pequena-historia-do-teatro-gaucho.html' title='Pequena história do teatro gaúcho'/><author><name>Jorge Barcellos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13317457638691531178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3781079153050474132.post-91842448078569131</id><published>2011-06-14T09:39:00.000-07:00</published><updated>2011-06-14T09:41:41.913-07:00</updated><title type='text'>Homenagem à Loureiro</title><content type='html'>&lt;a href="http://bancodeimagenscmpa.procempa.com.br/imgs_m/4a268ef2075da6.22332370"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 470px; CURSOR: hand; HEIGHT: 315px" alt="" src="http://bancodeimagenscmpa.procempa.com.br/imgs_m/4a268ef2075da6.22332370" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Num momento em que o presidente do Senado, José Sarney, revela sua intenção em apagar parcela da memória daquele Legislativo, é salutar a iniciativa do vereador João Dib (PP). Para lembrar a passagem do 47º aniversário de morte do ex-prefeito José Loureiro da Silva, o parlamentar promoveu, no dia 3/6, novamente ato solene que faz há mais de 18 anos junto ao monumento. O simples fato de Dib não esmorecer em suas homenagens deveria ser motivo de admiração. Na oportunidade, Leandro Telles, emocionado, lembrou os principais momentos da trajetória do ex-prefeito. Pode-se imaginar que vêm à memória de João Dib as discussões entre ele e Loureiro para a conclusão da avenida Farrapos, pela criação do Hospital de Pronto Socorro, para a construção do Centro de Saúde Modelo, e, principalmente, o quanto foi difícil a construção do primeiro Plano Diretor de Porto Alegre. Mas tudo isso é mais do que a demonstração de valor à herança de um notável prefeito. A estátua que observa o projeto do aeromóvel quase parece dizer: “Se fosse comigo, já estava concluído”. É disto que se trata: o que a memória de Dib preserva é a defesa de uma utopia para a cidade. Ela é a defesa do ideal de modernização da Capital. Como Robert Musil define, utopia tem mais a ver com “senso de possibilidade” do que com “senso de realidade”. Isso Loureiro tinha muito. Em tempos de preparativos para mais uma Copa do Mundo, nada mais necessário. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3781079153050474132-91842448078569131?l=filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/feeds/91842448078569131/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3781079153050474132&amp;postID=91842448078569131' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/91842448078569131'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/91842448078569131'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/2011/06/homenagem-loureiro.html' title='Homenagem à Loureiro'/><author><name>Jorge Barcellos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13317457638691531178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3781079153050474132.post-8616356410066836362</id><published>2011-06-09T12:17:00.000-07:00</published><updated>2011-06-09T12:19:38.503-07:00</updated><title type='text'>Zizek: cuidado, ele pode estar certo!</title><content type='html'>&lt;a href="http://profile.ak.fbcdn.net/hprofile-ak-snc4/188064_249444152448_7782973_n.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 321px; CURSOR: hand; HEIGHT: 430px" alt="" src="http://profile.ak.fbcdn.net/hprofile-ak-snc4/188064_249444152448_7782973_n.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O que a esquerda vem fazendo nas últimas décadas é seguir brutalmente o destino de render-se, de acomodar-se, de fazer os "compromissos necessários " com o inimigo declarado. Slavoj Zizek&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Diz-se que quando pediram a Slavoj Zizek para contar um segredo, ele teria respondido "- o comunismo vai ganhar". A frase resume o espírito daquele que tem sido um dos mais importantes teóricos de esquerda da atualidade. Zizek é o que podemos chamar de filósofo "arrasa-quarteirão": a palestra que proferiu no Salão Pedro Calmon da Faculdade de Economia da UFRJ, na praia Vermelha, em 2008, foi um imenso sucesso. Emir Sader relata que ao final da conferência, sob salva de palmas, disparou "– Chega! Guardem suas energias para quando chegar o comunismo". Em 2003, na Argentina, não foi diferente: Zizek reuniu mais de dois mil e quinhentos estudantes e professores atentos durante horas, experiência magistralmente registradas no documentário Zizek! de Astra Taylor. Paradoxalmente, este ícone da esquerda é o que mais dispara críticas à esquerda atual " o que a esquerda vem fazendo nas últimas décadas é seguir brutalmente o destino de render-se, de acomodar-se, de fazer os "compromissos necessários " com o inimigo declarado. Representa o socialismo, porém pode seguir plenamente o thatcherismo econômico; representa a ciência, mas pode seguir plenamente o império da multidão de opiniões, representa a democracia popular verdadeira, porém também pode jogar o jogo da política como espetáculo e dos pactos eleitorais; representa a fidelidade a certos princípios, porém pode ser totalmente pragmático". Para a esquerda local, já se disse tudo, menos que é masoquista. Agora se pode dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zizek retornou novamente ao Brasil para duas conferências: a primeira em São Paulo (21/5), no Sesc Pinheiros, integrando a programação do Seminário "Revoluções: uma política do sensível" e no Rio de Janeiro (24/05) no Cinema Odeon Petrobrás. Em ambos fez a conferência "Revoluções: quando a situação é catastrófica, mas não é grave" e o lançamento de seus dois novos livros, "Em defesa das causas perdidas" e "Primeiro como tragédia, depois como farsa", ambos pela Boitempo. A promoção reúne entidades de peso como a FLACSO, CLACSO, Secretaria de Direitos Humanos do Governo Federal, PUC-RJ entre outras. Intelectual de produção vasta, sua trajetória é pouco conhecida dos brasileiros. Nascido em 1949 em Liubliana, Eslovênia, Zizek concluiu seu bacharelato em Artes, Filosofia e Sociologia em 1971 e obteve seu doutorado em Filosofia pela Universidade de Liubliana em 1985. Nos anos 70 fez parte da Escola da Eslovênia, onde estudou o pensamento de Hegel e nos anos 80 militou no movimento alternativo, chegando a ser candidato a Presidente de seu pais. Tomou contato com o pós-estruturalismo francês, estudando Jacques Lacan e escreveu uma imensa obra que inclui Porque não sabem o que fazem (1991), Goza teu síntoma!(1992), As Metastases do gozo (1994), O Espinoso Sujeito (1999), Bem vindo ao deserto do real (2003), Visão em Paralaxe (2008) e Lacrimare rerum (2009), entre outras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que torna profundamente atual o pensamento de Zizek é o seu trabalho sobre a ideologia. Não se trata da retomada de sua obra "O mapa da Ideologia", conhecida dos brasileiros, mas do aprofundamento de aspectos de sua obra pouco conhecida "O sublime objeto da ideologia" (2005) em que integrou de forma original as percepções psicanalíticas da fantasia à critica marxista da ideologia. Isto lhe lhe permitiu, pela primeira vez, propor uma teoria de como funciona a ideologia no plano subjetivo "Não existe a crença comum, o que existe é a crença em que os outros crêem." Zizek reconstrói os processos que fazem que homens, em determinadas circunstâncias, justifiquem e dêem um ar de verdade a uma mentira, numa espécie de construção coletiva . O "vamos fingir que as regras funcionam" oculta, entretanto, o fato de que as instituições no capitalismo contemporâneo estão falidas e ninguém de fato acredita nelas. Agimos como na fantasia de Papai Noel: nem os adultos, nem as crianças, acreditam mais nele. Pior: agimos assim com nossas instituições, inclusive com a democracia. A subjetividade também está sobre tremenda pressão da ideologia: cuidado, o capitalismo quer dar um significado a sua vida, diz Zizek. Ele toma como exemplo os anos que passamos consumindo publicidade, uma das melhores formas de se pensar o que acontece com nossa subjetividade. Nos anos 60, a propaganda automobilista vendia as qualidades de um carro; nos anos 70, o status que ele oferece ao consumidor para finalmente, hoje, ser a promessa de libertação da sociedade opressora. Para Zizek, o capitalismo contemporâneo é profundamente ideológico "a política desse capitalismo é a despolitização para que não haja mais uma ideologia clara." Na sociedade de consumo (Baudrillard), a ideologia vendida é a ideologia da diversão como na frase do filme Sociedade dos Poetas Mortos "Carpe Diem" (aproveitem o dia!). Nada mais comprovador do conceito de Lacan - apropriado por Zizek - de gozo excedente, um gozo que nos suborna para mascarar os nossos problemas. A solução, para Zizek, é o retorno à noção de economia política tal como proposta por Marx: politizar a economia e é nesse sentido que Zizek mais aproxima-se de outro teórico do marxismo, Robert Kurz. A ideologia do capitalismo contemporâneo, defende Zizek, quer que acreditemos que a economia não tem nada haver com a política: ela quer uma sociedade a-política, e para isso constrói a idéia de que é besteira discutir política. Nisto reside a radicalidade de Zizek: ele quer que a democracia se garanta sem as influências das pressões de mercado. E claro que os defensores do mercado rugem sem cessar quando ouvem falar de Zizek,chamando-o de intelectual bufão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Yannis Stavrakakis, em La Izquierda Lacaniana – psicoanálisis, teoria, política (FCE, 2010), mostra que o pensamento de Zizek consolidou-se ao longo dos últimos quinze anos, período em que a Psicanálise e a Teoria Lacaniana passaram a ser recursos importantes na reorientação da teoria política contemporânea. Essa posição, para qual boa parte dos cientistas políticos torce o nariz, origina-se no próprio pensamento de Jacques Lacan, que não foi apolítico, ao contrário, fez criticas ao american way of life, ao capitalismo americano e a sociedade de consumo, o que o levou a associar sua noção de mais-gozo à noção de mais-valia de Marx. Nesse caminho estão Zizek, Cornelius Castoriadis, Alain Badiou e especialmente Ernesto Laclau, para quem "a teoria lacaniana aponta ferramentas decisivas para a formulação de uma teoria da hegemonia", daí a definição de seu horizonte teórico-politico em termos de Esquerda lacaniana, nítido campo de intervenções políticas e teóricas a partir da psicanálise - mas não somente com ela - parte para a critica da hegemonia capitalista contemporânea.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em "Primeiro como tragédia, depois como farsa", lançado simultaneamente pela Verso ( Londres) e Flamarion (Paris) em 2009, Zizek pergunta se estamos preparados para a história que se impõe sobre nossas cabeças desde os ataques de 11 de setembro. Ele mostra as manobras por detrás das ideologias levantadas pela crise de 2008 e que levou bilhoes de dólares para os bancos. Para Zizek, o que é profundamente ideológico é tratar as crises do capitalismo como algo estranho ao próprio capitalismo, idéia que deseja vender a imagem de um mercado capitalista regulado de outro modo. Ao contrário, ele nos mostra cada vez mais o capitalismo sobrevivendo abaixo de terapias de choque, mercado que exige violência extra-mercado para seu funcionamento. Para Zizek, a tarefa da esquerda critica é expor as características mortais do sistema capitalista mundial. Ele sabe que há algo de pobre na sociedade e acredita profundamente que o comunismo será reinventado para sanar a sociedade. E para isso, dirige-se aos comunistas desiludidos "- não tenha medo de se juntar a nós. Você já teve seu divertimento anticomunista e está perdoado por ele. É tempo de se levar a sério de novo". Ele vai além, mostra o mal-estar e a falta de sentido da democracia moderna e faz a pergunta paradoxal: estamos realmente vivendo em uma democracia? "A Itália de hoje é efetivamente uma espécie de laboratório experimental de nosso futuro", diz. Sua revolta é: como é possível admitir que milhares morram de fome enquanto os bancos enriquecem com seus trilhões de dólares?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já na obra "Em defesa das causas perdidas", Zizek vai contra o pensamento hegemônico que vê a democracia liberal, as vezes dita pós-moderna, como o melhor dos mundos frente ao passado das lutas comunistas. Isso não quer dizer que as "causas perdidas" que defende estejam abrigadas pelo teto do Fórum Social Mundial: para Zizek, seu lema "Um outro mundo é possível" mostra que seus protagonistas ainda relacionam-se demais com a estrutura já postas pelo Capitalismo. Para fazer seu caminho, ele faz a opção por retornar ao marxismo à sua maneira, o que tem o peculiar efeito de chamar a atenção mundial sobre sua obra: não há dúvida, o que Zizek faz é tornar sedutor o marxismo para as nova gerações. Para isso articula Lacan, Hegel e Marx com cinema, música, cultura popular e a critica dos objetos de consumo. "Em defesa das causas perdidas" entretanto, padece do problema comum aos grandes pensadores contemporâneos: como produzem demais, escrevem demais, torna-se freqüente encontrar traços de obras anteriores nas seguintes. Não há como deixar de ver no capítulo II Lições do passado o eco de suas obras anteriores sobre Robespierre e Mao, ou dos estudos anteriores que fez sobre Estalinismo publicados em espanhol. Há, entretanto, reflexões sobre o pensamento de Heidegger extremamente originais e que não haviam aparecido anteriormente. E é claro, Zizek sempre é um grande contador de causos que sintetizam brilhantemente suas idéias. Em um determinado momento de sua obra, ele cita a ficha de um hotel americano que diz: "Prezado cliente: para garantir que você vai desfrutar sua estadia conosco, este hotel está totalmente liberado do fumo. Qualquer violação deste regulamento resultará numa multa de $ 200". Assim é o Capitalismo, diz Zizek: estamos condenados a ser castigados se recursarmos a desfruta-lo plenamente. Zizek quer nos mostrar o cinismo do capitalismo contemporâneo em sua caminhada em direção a um capitalismo autoritário, contrário ao direitos humanos, como já anuncia o caso chinês. E o grande perigo é que ele pode estar certo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Publicado no site do Jornal Le Monde Diplimatique em 9/6/2011&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3781079153050474132-8616356410066836362?l=filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/feeds/8616356410066836362/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3781079153050474132&amp;postID=8616356410066836362' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/8616356410066836362'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/8616356410066836362'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/2011/06/zizek-cuidado-ele-pode-estar-certo.html' title='Zizek: cuidado, ele pode estar certo!'/><author><name>Jorge Barcellos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13317457638691531178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3781079153050474132.post-553617693131472879</id><published>2011-06-07T09:39:00.000-07:00</published><updated>2011-06-07T09:51:00.366-07:00</updated><title type='text'>Slavoj Zizek e o Direito</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.catholicthirdway.com/wp-content/uploads/2010/11/Slavoj_Zizek.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 294px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px" alt="" src="http://www.catholicthirdway.com/wp-content/uploads/2010/11/Slavoj_Zizek.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://unpresentable.files.wordpress.com/2009/12/zizek.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A idéia de que a Ciência Política, Antropologia e Sociologia são ciências auxiliares do Direito ainda não está totalmente estabelecida como uma prática. Os campos tradicionais das Ciências Sociais tendem a dialogar mais entre si do que com o campo do Direito, produzindo seu aparente isolamento destas disciplinas. Este isolamento, por outro lado, tem sido rompido com o esforço de juristas e cientistas sociais que reivindicam a importância de abordagens interdisciplinares no campo jurídico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre estes autores podem ser citados Michel Foucault. Seu estudo “A verdade e as formas jurídicas” mostrou aos estudiosos do Direito à importância de buscar na história de sua disciplina como sua prática exerce poder, um saber-poder. Renovação semelhante foi introduzida por François Ost em “O Tempo do Direito” onde o autor realiza um diálogo entre as noções de Direito e Tempo, revelando como se determinam mutuamente a construção de quatro medidas: memória, perdão, promessa e questionamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse campo de contribuições interdisciplinares para o estudo do Direito um autor que merece destaque é Slavoj Zizek. Nascido na Liubliana, capital da Eslovênia em 1949, doutorou-se em Filosofia na sua cidade natal e estudou Psicanálise na Universidade de Paris. Conhecido pelo uso que fez da obra de Jacques Lacan para uma nova leitura da cultura popular, abordou temas como o cinema de Alfred Hitchcock e David Lynch, o leninismo e tópicos como fundamentalismo e tolerância. Intelectual de uma vasta produção, sua obra articula filosofia, psicanálise, crítica da cultura, política e cinema. Rotulado como pós-marxista, pós-lacaniano, critico da pós-modernidade e do multiculturalismo, Zizek é um ferrenho critico da hegemonia do capitalismo global. Autor de obras como “Um mapa da ideologia”, “Visão em Paralaxe”, “Bem vindo ao deserto do real”, O Sublime Objeto da Ideologia” e mais uma dezenas de livros em várias línguas, Zizek situa-se na linha de frente do debate cultural contemporâneo de esquerda e junto com Cornelius Castoriadis, Ernest Laclau e Alain Badiou constitui a chamada “Nova Esquerda Lacaniana”, caracterizada por construir estudos originais que servem de crítica à hegemonia da ideologia liberal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcelo Grillo em sua obra “O direito na filosofia de Slavoj Zizek”(Editora Alfa-Omega) defende a importância do autor para perscrutar o conceito de Direito. Zizek, diferente da visão marxista superficial, não vê o Direito como integrante da super-estrutura da sociedade. Ao contrário, Zizek vê o Direito no seio das contradições da sociedade capitalista, com críticas à sociedade e a democracia liberal fundamentais para a construção de um novo conceito de Direito. Por exemplo, não se pode, para Zizek, elogiar a China como potência capitalista emergente enquanto se vê a repressão aos direitos dos trabalhadores em seu interior. O Direito, nesse aspecto, é um dos campos da luta ideológica contemporânea, e Zizek receia que a força do neoliberalismo termine por reduzir a capacidade do Direito em realizar a justiça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o que demonstra Zizek ao analisar o drama da defesa dos direitos humanos “A nova normatividade emergente para os direitos humanos é, entretanto, a forma em que apareceu seu exato oposto”, frase enigmática mas que significa, que em nome dos direitos humanos, o que estamos fazendo é violar esses mesmos direitos. Em “Os direitos humanos e o nosso descontentamento”(Ed. Pedago), Zizek fala das relações entre os diversos países que compunham a antiga Iugoslávia. Analisando as intervenções militares sob a justificação humanitária, Zizek mostra que o que estava em jogo era a oposição entre o forte nacionalismo de Milosevic e a herança multicultural dos iugoslavos, representados pelos bósnios. Para Zizek, justificar a intervenção militar com base nos direitos humanos terminou por retirar das vítimas a capacidade de reagir, de fazer sua própria história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Zizek, toda política de intervenção baseada na doutrina dos direitos humanos que age sem provocar a politização das vitimas deve ser considerada ideologia do intervencionismo militar a serviço de propósitos econômicos específicos. A inspiração desta posição é Hannah Arendt, que em sua obra “As origens do Totalitarismo diz: “o conceito de direitos humanos, que é baseada na suposta existência de um ser humano em si, desmoronou no mesmo instante em que aqueles que diziam acreditar nele se confrontaram pela primeira vez com seres humanos que realmente haviam perdido todas as outras qualidades e relações específicas – exceto que ainda eram humanos”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A critica de Zizek aos direitos humanos não se faz, evidente, aos direitos humanos em sim, mas ao fato de que no atual contexto mundial eles atendem aos interesses da nova ordem internacional dominada pelos EUA. A cada intervenção realizada, Zizek questiona a base dos critérios das escolhas “porque os albaneses na Sérvia e não os palestinos em Israel ou os curdos na Turquia. Porque Cuba é boicotada enquanto o regime norte-coreano, muito mais rígido, recebe ajuda gratuita para desenvolver capacidades atômicas “seguras”?. Com isto Zizek quer dizer que as intervenções que se fazem em nome dos direitos humanos são mais em função de supostas razões morais do que intervenções em vistas uma luta política definida. Nesse sentido, a realidade de uma luta política é convertida numa luta moral do bem contra o mal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em meio a uma obra polêmica e original, Zizek é um pensador extremamente instigante para o Direito ao clamar pelo retorno da Política e ao fazer a crítica da política dos direitos humanos ao serviço do Capital. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Publicado no Jornal O Estado do Direito, nº 30, p. 21.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3781079153050474132-553617693131472879?l=filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/feeds/553617693131472879/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3781079153050474132&amp;postID=553617693131472879' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/553617693131472879'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/553617693131472879'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/2011/06/slavoj-zizek-e-o-direito.html' title='Slavoj Zizek e o Direito'/><author><name>Jorge Barcellos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13317457638691531178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3781079153050474132.post-5813916468432529330</id><published>2011-05-23T04:45:00.000-07:00</published><updated>2011-05-23T09:38:02.872-07:00</updated><title type='text'>Museus e Exposições</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.planetadisney.com.br/wp-content/uploads/2010/10/enrolados_metro4.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 354px; CURSOR: hand; HEIGHT: 235px" alt="" src="http://www.planetadisney.com.br/wp-content/uploads/2010/10/enrolados_metro4.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Foi Christian Goldsmith que no último dia 17 chamou a atenção no Correio do Povo para a importância das exposições nos museus, em especial, o fato de que nossos museus estão recebendo acervos mundiais. Confesso que sou conservador em termos de museologia. Desde que Andréas Huyssein apontou para o fato de que os museus estão cada vez mais se tornando parte da indústria cultural, museólogos e historiadores se defrontam com o problema de como construir suas exposições e para que fins. Na era das massas, fotografias originais do passado dão lugar a plloters adesivados imensos, objetos originais cedem espaço à réplicas. Por todo o lado vemos a substituição de modelos tradicionais de produção museólogica por modelos ditos “modernos”. Na adoção de novos recursos, entretanto, podemos perder o fundamental: a exposição deve estimular à reflexão, a tecnologia deve servir à educação. O que muitas vezes se vê, no entanto, é a adoção de recursos que visam a fascinação do público e a estimulação de seus sentidos em detrimento da relação com o saber. Vai-se aos museus para gozar e não para aprender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o pequeno museu, isto é um drama. Como competir com exposições do porte de “Titanic”? Como competir com exposições internacionais? Atrair público para os museus entrou em sua fase concorrêncial: ganha quem fizer as exposições que impressionem mais os sentidos. Entramos na era do mega-evento, era do museu-espetáculo. Confesso meu mal estar com tudo isso. Pode-se fazer boas exposições com poucos recursos, focando no objeto e na didática, saída adotada pelos pequenos museus do interior, por exemplo. As exposições estão ficando cada vez mais perenes: como são mega-exposições, levam meses para serem construídas para depois desaparecer como por completo nos depósitos dos museus. No Memorial da Câmara Municipal de Porto Alegre, desenvolvemos o projeto Exposições Itinerantes, que hoje conta com 81 exposições que vão para escolas e instituições, preservando a pesquisa e multiplicando seu alcance junto ao público. (&lt;/span&gt;&lt;a href="https://webmail.camarapoa.rs.gov.br/owa/redir.aspx?C=aa7f21098dcc41c19b18164b2c63f121&amp;amp;URL=http%3a%2f%2fwww2.camarapoa.rs.gov.br%2fdefault.php%3freg%3d1508%26p_secao%3d117" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;http://www2.camarapoa.rs.gov.br/default.php?reg=1508&amp;amp;p_secao=117&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O espaço museal está absorvendo rápido demais a idéia de que sua função é incrementar o turismo. Transformado em lugares de comércio, está se distanciando de sua função primordial: a educação. Nesta data, os museológos devem decidir a quem servem: se a um sistema que valoriza a performance, ficarão com a mega-exposição e todo o conjunto de signos que ela envolve. Mas se preferirem um sistema que valoriza a cidadania, voltar-se-ão para o trabalho educativo dos museus. Pois não há nada de pior nesta data de que ver as instituições que deveriam preservar a memória serem as primeiras a efetuar seu esquecimento. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Publicado no Jornal Correio do Povo em 23/05/2011&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3781079153050474132-5813916468432529330?l=filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/feeds/5813916468432529330/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3781079153050474132&amp;postID=5813916468432529330' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/5813916468432529330'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/5813916468432529330'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/2011/05/museus-e-exposicoes.html' title='Museus e Exposições'/><author><name>Jorge Barcellos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13317457638691531178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3781079153050474132.post-6835921425092221949</id><published>2011-05-12T04:31:00.000-07:00</published><updated>2011-05-13T13:40:03.700-07:00</updated><title type='text'>Para onde foi o comunismo?</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-vNIXPt7QncU/TcvFHiqsUMI/AAAAAAAAAFw/9gpK_qcBxR0/s1600/zizek-no-brasil-blog2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5605790894548340930" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 423px; CURSOR: hand; HEIGHT: 262px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-vNIXPt7QncU/TcvFHiqsUMI/AAAAAAAAAFw/9gpK_qcBxR0/s400/zizek-no-brasil-blog2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;"A principal crítica que faço ao capitalismo liberal não é que ele seja prejudicial, mas que não pode durar para sempre. O comunismo precisa ser reinventado" Slavoj Zizek.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2009, uma série de conferências realizadas em Londres&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=3781079153050474132#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt; constatou que três coisas levaram a hegemonia da idéia do capitalismo liberal: as derrotas da esquerda mundial na década de 90, o retrocesso das políticas do estados-de- bem-estar-social e a integração das economias socialistas ao mundo capitalista. Por outro lado, lembraram seus participantes, este contexto de hegemonia ideológica entre o 11 de Setembro e a crise financeira de 2008, sofreu um baque que trouxe de volta um tema caro aos pensadores de esquerda, a defesa da idéia de emancipação política. Entre os palestrantes do referido seminário destacou-se Slavoj Zizek, cujas obras tem analisado o cenário político mundial e suas contradições, na análise da política de países tão diversos como o Afeganistão, os Estados Unidos e à China. Expoente do que Yannis Stavrakakis denominou de “Esquerda Lacaniana”, Zizek rejeita o pensamento da antiga esquerda estalinista e da nova esquerda, apresentando em suas obras uma reorientação da Teoria Política e da análise crítica do mundo contemporâneo, numa perspectiva surpreendente que seria impossível imaginar dez anos atrás. Entre seus principais representantes, encontra-se também Cornelius Castoriadis e Alain Badiou.&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=3781079153050474132#_ftn2" name="_ftnref2"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt; .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Zizek existe um resto no comunismo que não pode ser desprezado. O pensamento de esquerda que defende a democracia liberal é limitado porque não podemos confiar nas empresas para produzir solidariedade social. A esquerda atual aceita com muita naturalidade que o capitalismo seja nosso destino final – só nos resta corrigir alguns equívocos e revoltarmo-nos contra o desperdício irracional de recursos,etc, etc. Para Zizek as experiências reais comunistas foram sangrentas sim, mas não podem ser comparadas aos massacres levados a efeito pelo capitalismo global atual em sua fúria predatória pelo mundo inteiro. Se queremos mudar este estado de coisas, se queremos emancipação política, precisamos de filosofia, e nesse sentido, o comunismo ainda tem valor ao estabelecer a igualdade como um padrão para as políticas que possam vir a surgir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dunker&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=3781079153050474132#_ftn3" name="_ftnref3"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;[3]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt; enumera três características do pensamento de Zizek que o tornam referência nos estudos sobre o cenário internacional. Em primeiro lugar é o fato de que Zizek é um intelectual engajado, tomando posição e relendo os aspectos simbólicos ocultos nas mais diversas práticas políticas. Filho de comunistas linha-dura e após amargar anos de desemprego – Zizek foi reprovado para o concurso de professor de filosofia – redigiu os discursos da burocracia estalinista do Comitê Central da Liga Comunista da Eslovênia. Assim viu a formação do discurso nacionalista sérvio e a construção ideológica de Kosovo que percebeu como realização imaginária da identidade nacional iugoslava, uma mitologia histórica contemporânea. Percebeu assim os limites do marxismo de seus contemporâneos vivendo os enlances do socialismo e do capitalismo, seja pela imposição do socialismo iugoslavo ou pelo interesse do capital ocidental na emancipação da Eslovênia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em segundo lugar, como fundador da Escola Lacaniana da Eslovênia, uma frente ampla de resistência política que inclui diversos autores e suas reflexões sobre teatro, artes plásticas e música, teve oportunidade de ampliar o campo de análise dos fatos políticos. Foi nesse período dos anos 80 que Zizek foi à Paris e estudou Psicanálise – sua tese de doutorado é sobre Hegel e Lacan. Com isso, Zizek conseguiu fazer uma reflexão não apenas sobre a desintegração dos Estados socialistas do Leste Europeu como ao mesmo tempo discutir a fragmentação política do capitalismo pós-moderno. Obras como O sublime objeto da ideologia (1989) apresenta a tese de que a ideologia atual só funciona porque se articula a uma fantasia, cenário imaginário que oculta um antagonismo social. Se o marxismo falava da “liberdade” da venda da força de trabalho, para Zizek isto é uma fantasia, já que ao vender “livremente” sua força de trabalho, o que o trabalhador perde é justamente a sua liberdade. Sua critica não é a substituição de homens por coisas, mas ao próprio desconhecimento da relação estrutural de seus elementos “a fantasia ideológica não se opõe a realidade, mas estrutura a própria realidade social” &lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn4" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=3781079153050474132#_ftn4" name="_ftnref4"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;[4]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em terceiro lugar, Zizek deseja o retorno aos fundamentos da política ou o exercício da política propriamente dita (proper politics). Ela se opõe a pós-política do pós-marxismo inglês e do multiculturalismo, pois entende que as discussões sobre identidade étnica, sexual ou nacional terminam por desconhecer a importância da noção de classe, e assim despolitizam o político. Ela se opõe a arquipolítica, aqui entendida como diluição da política na ascensão do ideal comunitário de destino (religião), porque esta sempre termina em terror. Ela se opõe a ultra-política, definida como certa forma de decisionismo à maneira de Carl Schmitt, que permite distinguir um “terror bom “ de um “terror mal”.&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn5" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=3781079153050474132#_ftn5" name="_ftnref5"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;[5]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt; Para Zizek, a política propriamente dita considera o antagonismo do Capital como ponto central, o tema da luta pela liberdade como objetivo e o estudo das formas de perturbar as fantasias ideológicas dominantes como estratégia política.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É a partir desta base teórica que Zizek propõe o retorno aos fundamentos do Comunismo, daquilo que ele chama de idéia comunista. Em Aprés la tragédie, la farce!&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn6" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=3781079153050474132#_ftn6" name="_ftnref6"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;[6]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt; Zizek demonstra que estamos vendo sem criticar a consolidação de uma nova etapa do Capitalismo onde a democracia e o livre mercado cessam seus laços e em seu lugar emerge a face autoritária do Capitalismo. É o caso do novo capitalismo chinês que surge das cinzas de seu comunismo. Herdeiro do autoritarismo dos antigos governos asiáticos totalitários, é inspirado no modelo de Cingapura após a queda do regime soviético. O capitalismo chinês representa um grande perigo para a idéia de comunismo não porque representa o seu abandono, mas porque significa uma versão autoritária que não exige grandes mudanças políticas, mas ao contrário, centralização com controle da liberdade de expressão, sem falar do uso indiscriminado da pena capital. O mesmo pais que teve com Mao a Revolução Cultural - e portanto foi a fundo na proposta comunista – foi o que reuniu mais condições para o capitalismo autoritário. Para Zizek a China diz simbolicamente ao mundo é que é possível apenas ganhar dinheiro sem dar importância a democracia e aos direitos humanos. E isso, para Zizek, é inconcebível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Capitalismo, as supostas liberdades de escolha se reduzem apenas aquilo que o sistema já escolheu “como a opção entre Pepsi ou Coca-Cola”. De fato, Zizek tem uma experiência pessoal muito significativa no campo do comunismo, já que ele viu, melhor do que ninguém, antigos partidários do comunismo desiludidos assumirem como os mais preparados a gestão da nova economia capitalista. Zizek recusa este realismo capitalista como resposta à utopia comunista ditado pelos adeptos do Fim da História (Fukuyama) e acreditou que devia estar em outro lugar a resposta. A confirmação veio com o final dos felizes anos 90, o 11 de setembro, com a emergência de muros entre Israel e Cisjordânia e na fronteira dos Estados Unidos com o México e se completa com a revolta das populações dos países islâmicos. O mercado e a ditadura não funcionam bem quando deixados por sua conta porque eles precisam de violência sobre o social para funcionar e se baseiam na existência de desigualdades sociais. Zizek defende o conceito de igualdade tal como pregado pelo comunismo como princípio para refundar a política. Ele não abandona a idéia de democracia, mas critica por exemplo as posições das democracias no caso do Tibete em seu conflito com a China, em 2008. Ali onde as democracias viam opressão, Zizek via um Tibete capitalizando-se subterraneamente: mais forte que o autoritarismo chinês era o fim das relações tradicionais na região promovidas pelo capitalismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zizek não quer saber se a idéia do comunista é pertinente hoje. Ao contrário, pergunta: "Como a nossa situação atual aparece da perspectiva da idéia comunista?”. Ao recuperar a dialética do velho e do novo, ele nos mostra de que de nada adianta aprender novos termos para nossa época se não damos conta dos velhos termos - sociedade liquida (Bauman), sociedade pós-moderna (Lyotard), sociedade do risco (Beck) e sociedade da informação (Castells) – todas estas reflexões nos fazem perder tempo para fazer a questão central “o que era eterno no velho conceito de comunismo?”, única forma verdadeira de apreender o que há de novo no mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zizek afirma que na luta política é preciso defender um mínimo não negociável: para o revolucionário de hoje é não ceder para a sedução de um capitalismo de face humana. A pobreza e a miséria são dados estruturais do capitalismo. Zizek tem todas as respostas para os destinos da política atual? é claro que não!. Mas ele faz perguntas essenciais para a luta ideológica.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=3781079153050474132#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt; A Conferência realizou-se em Londres, de 12 a 15 de maio de 2009, no Birbeck Institute, e os discursos das conferências foram publicados por Slavoj Zizek e Alain Badiou na obra “L’Idée du communisme pela Editora Lignes, em 2010. Entre os conferencistas estavam Terry Eagleton, Michel Hardt, Toni Negri, Gianni Vattimo, entre outros.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=3781079153050474132#_ftnref2" name="_ftn2"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt; Conforme Yannis Stavrakakis, La Izquierda lacaniana. Psicanálise, teoria, política. Buenos Aires, Fondo de Cultura Econômica, 2010. Professor da Escola de Ciências Politicas da Universidade Aristótles de Tessalônica, Stavrakakis é autor de Lacan e o Político (2008), Laclau. Aproximaciones críticas a su obra (2008) e o Populismo como espejo de la democracia (2009).&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=3781079153050474132#_ftnref3" name="_ftn3"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;[3]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt; Cristian Dunker “Zizek: um pensador e suas sombras”IN: DUNKER, Christian e PRADO, José Luiz Aidar. Zizek critico: a política e a psicanálise na era do multiculturalismo. São Paulo, Hacker, 2005.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn4" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=3781079153050474132#_ftnref4" name="_ftn4"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;[4]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt; Idem, p. 53.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn5" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=3781079153050474132#_ftnref5" name="_ftn5"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;[5]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt; O decisionismo é uma premissa dos estudos políticos de Carl Schmitt que afirma que toda lei necessita de uma decisão baseada na realidade. Essa definição é essencial para fundamentar o nascimento das Constituições dos Estados Nacionais, e com isso a natureza dos poderes instituintes do Estado. Conforme Ana Paula Arruda Moraes, A soberania como questão de decisão sobre o estado de exceção. Uma análise sobre a ótica de Carl Schmitt. IN: &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.ambito-juridico.com.br/site/index.php?n_link=revista_artigos_leitura&amp;amp;artigo_id=6483"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;http://www.ambito-juridico.com.br/site/index.php?n_link=revista_artigos_leitura&amp;amp;artigo_id=6483&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn6" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=3781079153050474132#_ftnref6" name="_ftn6"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;[6]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt; Paris, Flammarion, 2010.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Publicado no Jornal da Universidade, abril 2011&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3781079153050474132-6835921425092221949?l=filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/feeds/6835921425092221949/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3781079153050474132&amp;postID=6835921425092221949' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/6835921425092221949'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/6835921425092221949'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/2011/05/para-onde-foi-o-comunismo.html' title='Para onde foi o comunismo?'/><author><name>Jorge Barcellos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13317457638691531178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-vNIXPt7QncU/TcvFHiqsUMI/AAAAAAAAAFw/9gpK_qcBxR0/s72-c/zizek-no-brasil-blog2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3781079153050474132.post-5825938006372524227</id><published>2011-05-02T05:29:00.000-07:00</published><updated>2011-05-02T06:27:39.290-07:00</updated><title type='text'>Bin Laden is dead!</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A morte de Bin Laden é a forma escolhida pela maior potência do planeta para a comemoração dos dez anos do ataque às torres gêmeas. Centenas de americanos comemoraram a vingança consumada na morte do homem mais perseguido do planeta. Este é o momento Jack Bauer americano, momento em que os Estados Unidos assumem a prerrogativa de serem o lado do bem do planeta e que ao mesmo tempo suspendem todas as garantias de direitos em nome de algo maior, a realização de sua verdade. Quando Jack Bauer, no seriado 24 horas, usou de tortura para seus fins, o pensador Slavoj Zizek imediatamente apontou que este era o imaginário dos EUA. A morte de Osama é o lado real, complexidade objetiva da politica dos EUA e que mostra como a política americana pode ser seu exato oposto.&lt;br /&gt;Qual a mensagem secreta americana com tudo isto: que os Estados Unidos são o senhor da justiça do mundo. Matar Obama sem julgamento? os americanos dizem que sim, foi resistencia, etc, e tal. No fundo, no fundo, o terrorismo não tem nenhum sentido e não se pode medi-lo por suas conseqüências: nesse sentido, a morte de Osama não inaugura nada, não é o fim do terrorismo propriamente dito. Levará – e já há a preocupação americana com isso – a levar o terrorismo ao extremo, exacerbando o atual estado de coisas. Porque não foi Osama que inaugurou o terror, ele já existe em toda a parte, na violência institucional, física e mental de nosso mundo, apenas em doses homeopáticas. Substituir o julgamento por um tribunal por uma corte militar é apenas outra forma de terror. Diz Baudrillard” o terrorismo apenas cristaliza todos os ingredientes em suspenso”.&lt;br /&gt;Talvez o que seja curioso que até o presente momento, a morte de Osama seja, para a maioria das pessoas, uma morte virtual. Nossa realidade é virtual, nossos sistema de informação também, o que mostra o quanto estamos além do principio de realidade. E a morte de Osama também: uma imagem de seu corpo morto lançada na Internet é desmentida; o anúncio da morte fala de um corpo lançado imediatamente ao mar, nos termos dos procedimentos mulçumanos. Quem afinal viu Osama morto? Que o maior feito antiterrorista americano não deixe vestígios mais parece ser é a lição que os americanos levaram do próprio Osama, a de ser capaz de fazer algo sem deixar marcas, o que é a definição de Crime Perfeito de Baudrillard.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3781079153050474132-5825938006372524227?l=filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/feeds/5825938006372524227/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3781079153050474132&amp;postID=5825938006372524227' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/5825938006372524227'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/5825938006372524227'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/2011/05/bin-laden-is-dead.html' title='Bin Laden is dead!'/><author><name>Jorge Barcellos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13317457638691531178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3781079153050474132.post-1703552631083449691</id><published>2011-03-28T11:56:00.001-07:00</published><updated>2011-03-28T11:59:16.360-07:00</updated><title type='text'>Aniversário de Porto Alegre</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Porto Alegre completa 239 anos no dia 26 de março.É o aniversário da cidade. A expressão aniversário vem do latim anniversarius, “o que volta anualmente”, de vertere, “voltar”. É a data em que a cidade é repleta de eventos que a homenageiam, expressão que vem do antigo francês homage, “demonstração de respeito pelo senhor feudal”. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Quando comemoramos o aniversário da cidade, atualizamos não apenas uma data, mas demonstramos nosso respeito à cidade em que vivemos. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Comemorar só tem sentido quando significa festejar com os outros e assumir em grupo uma atitude de reverência.&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Porto Alegre tem hoje quase um milhão e meio de habitantes. Tem portanto, muita gente para comemorar seu aniversário. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Mas realmente comemoramos o aniversário da cidade? Em um aspecto superficial sim, quando lembramos sua história nas imagens do passado e nos damos conta da mudança que sofreu neste tempo. Pois se trata de rememorar uma história da qual os portoalegrenses são seus protagonistas e que tem momentos importantes: a transformação da cidade em metrópole, o nascimento de suas instituições, o combate as formas de pobreza e exclusão social.&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Em um aspecto mais profundo, ainda temos muito a comemorar no aniversário da cidade. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Os portoalegrenses ainda não respeitam o suficiente a cidade em que vivem: dizem que gostam da cidade mas continuam a suja-la todos os dias; reivindicam melhores condições de vida mas continuam a preferir o automóvel à bicicleta tornando a cidade um inferno; dizem que fazem a sua parte mas continuam com o disperdício de água que atormenta administradores públicos. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Se gostamos tanto da cidade como dizemos nesse dia, deveríamos ser mais capazes de demonstrar esse afeto. Existem muitas reflexões que o aniversário de uma cidade provoca nos seus cidadãos. Regra geral refletimos sobre seu passado, presente e futuro, avaliamos nosso potencial econômico e o estado de nossos indicadores sociais. Sugiro dois conceitos com que possamos pensar a cidade neste dia. O primeiro é o de Cuidado: o aniversário da cidade deve nos motivar a pensar como podemos demonstrar nossa respeito com a cidade em nossas ações no dia a dia. Como cada cidadão cuida da cidade? - refletimos sobre isso raramente. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O segundo é o de confiança: é preciso acreditar que, se fizermos nossa parte para o bem para a cidade, os outros também o farão. O aniversário da cidade é uma festa sim, mas implica riscos: o risco de que de agora em diante passamos a nos envolver diretamente com os destinos da capital, o que é outra forma de exercer nossa cidadania comprometendo-nos diretamente com a vida pública. &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3781079153050474132-1703552631083449691?l=filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/feeds/1703552631083449691/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3781079153050474132&amp;postID=1703552631083449691' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/1703552631083449691'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/1703552631083449691'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/2011/03/aniversario-de-porto-alegre.html' title='Aniversário de Porto Alegre'/><author><name>Jorge Barcellos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13317457638691531178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3781079153050474132.post-4449392856465634941</id><published>2011-03-19T17:43:00.000-07:00</published><updated>2011-03-19T17:50:20.153-07:00</updated><title type='text'>O dia internacional da mulher e o carnaval</title><content type='html'>&lt;a href="http://itsbellatrix.files.wordpress.com/2011/03/dia-internacional-da-mulher-8-de-marco-3.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 341px; FLOAT: right; HEIGHT: 248px; CURSOR: hand" border="0" alt="" src="http://itsbellatrix.files.wordpress.com/2011/03/dia-internacional-da-mulher-8-de-marco-3.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Eu não sei porquê as feministas de plantão não reprovaram o fato de que o Carnaval caiu durante a Semana da Mulher. Cair a data no carnaval foi muito azar. Pois não há nada mais contraditório do que o fato da data que serve para a comemoração da luta pela independência feminina coincida com a festa que tem como característica principal a transformação do corpo da mulher em supremo objeto de consumo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Se não vejamos. Como se sabe, a data é referência ao dia 8 de março de 1857, quando operárias de uma fábrica de tecidos de Nova Iorque fizeram uma grande greve para reivindicar melhores condições de trabalho. Redução na carga diária de trabalho para dez horas, já que as fábricas exigiam 16 horas, equiparação de salários das mulheres com os homens e principalmente - isto é fundamental - tratamento digno dentro do ambiente de trabalho. A manifestação foi reprimida com total violência e as mulheres foram trancadas dentro da fábrica, que foi incendiada. Com a data, entre outras coisas, além de debates, busca-se combater tudo o que desvaloriza a mulher.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O Carnaval desvaloriza a mulher? Para carnavalescos e o senso comum, ao contrário, é o lugar do seu espetáculo, festa onde as mulheres ocupam um lugar central. Ala das baianas, Porta-bandeira, mas principalmente passistas, muitas passistas, o que segundo seus organizadores “é a mulher brasileira oferecendo seu corpo à beleza da festa”. Espaço no qual invertem-se papeis sociais, como aponta a antropologia de Roberto Damatta, o fato é que desde que Pascal Bruckner e Alain Finkielkraut publicaram a obra A Nova Desordem Amorosa (Ed. Brasiliense, 1984) e Jean Baudrillard A Sedução (Ed.Papirus, 2001) , as coisas não foram assim tão simples.Bruckner &amp;amp; Finkiekraut apontaram que no Capitalismo, nada é mais natural do que o "mercado dos corpos", esse universo de avaliações que homens e mulheres fazem sobre si e sobre seus corpos mediados pela mercadoria. Baudrillard descreve o campo simbólico que envolve o feminino, para além do corpo e do sexo e que traz a tona o seu poder: "o homem detém o poder real, a mulher detém o poder simbólico”. Herdeiros do Maio de 68, a tônica é posta no desejo e não no corpo. O que eles querem criticar é o que traz para as relações humanas a ideologia do Capital "não há mercado maior do que a mesa de um bar onde corpos expõem-se para o olhar objetal do outro". Fim da troca, nascimento das relações de objeto. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Algo semelhante ocorre no Carnaval com a superexposição da mulher. A questão foi colocada originalmente por Georges Bataille em O Erotismo (LP&amp;amp;M, 1989): no abismo simbólico que separa o erotismo masculino do feminino, o feminino é superior, mas o masculino impõe sua hegemonia. Para Brucker &amp;amp; Finkielkraut, efeito da "maldição da descarga ligeira" (sic). O que ambos autores criticam é a vertiginosa lógica de exposição dos corpos das mulheres em nossa cultura, signo de uma sexualidade feminina construída para o deleite do olhar masculino. É a contradição do Carnaval em relação à mulher: não se pode olhar alegremente para a câmera e desvelar o corpo impunemente. O simbólico pede: um pouco de pudor, por favor!(Baudrillard).&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Azar é azar, mas não se deve aceitar a coicidência sem refletir. No século XIX, tentou-se silenciar as mulheres queimando seus corpos. Hoje aceita-se sem pensar que o Dia da Mulher e as festividades do Carnaval possam ser conciliados - queima-se uma idéia.Dia da Mulher? Ôba, onde estão as mulatas?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3781079153050474132-4449392856465634941?l=filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/feeds/4449392856465634941/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3781079153050474132&amp;postID=4449392856465634941' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/4449392856465634941'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/4449392856465634941'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/2011/03/o-dia-internaciona-da-mulher-e-o.html' title='O dia internacional da mulher e o carnaval'/><author><name>Jorge Barcellos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13317457638691531178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3781079153050474132.post-4551030761323896883</id><published>2011-03-14T15:50:00.000-07:00</published><updated>2011-03-14T15:59:37.192-07:00</updated><title type='text'>Sobre ciclistas e carros</title><content type='html'>&lt;a href="http://perlbal.hi-pi.com/blog-images/750070/gd/129903014149/Motorista-que-atropelou-ciclistas-em-Porto-Alegre-deve-se-entregar.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 390px; FLOAT: right; HEIGHT: 324px; CURSOR: hand" border="0" alt="" src="http://perlbal.hi-pi.com/blog-images/750070/gd/129903014149/Motorista-que-atropelou-ciclistas-em-Porto-Alegre-deve-se-entregar.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A imagem do motorista bem arrumado e de seu carro amassado por atropelar ciclistas na sexta-feira, dia 25/02, correu o mundo e provocou uma série de reflexões e novas ações. No ultimo dia 3, foi a vez da organização não governamental Rodas da Paz protestar no Congresso Nacional contra a atitude de Ricardo José Reis, com um ato onde foi feito o enterro simbólico dos códigos de trânsito e penal brasileiro enquanto que, na internet, ciclistas gaúchos recebem ameaças anônimas de motoristas simpatizantes do funcionário público. Roberto DaMatta resumiu recentemente a questão: “o trânsito é uma multidão de surtados”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o autor de “Fé em Deus e Pé na Tábua ou como e porquê o transito enlouquece o Brasil”, o problema é que o brasileiro não aceita a igualdade. O trânsito obriga você a esperar sua vez. Para DaMatta, ao contrário, no trânsito o motorista se sente um aristocrata e o antrópologo enumera uma série de caracteristicas que fazem com que afirme que o problema está nas pessoas: nossa formação, individualismo, cultura, etc. Uma outra interpretação, contudo, aponta para seguinte direção e diz: o problema está na coisa. Para André Gorz,em "Ecológica" os carros são como os castelos,bens de luxo inventados para o prazer de uma minoria. Se todos tem, todos se frustram com eles, ao contrário das bicicletas, feitas para todos. Por esta razão o carro é um bem anti-social, porque rouba o espaço dos pedestres e ciclistas, e desumanizante, pois a posse da velocidade reforça o nosso egoísmo e induz a violência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Paul Virilio, a velocidade é o centro da dromologia, a ciência da velocidade (dromos= corrida). Quando foi inventado, o carro proporcionou a experiência inédita de andar mais rápido que diligências, carruagens, trens e bicicletas. Antes dele, a velocidade era democrática: todos andavam na mesma velocidade. Depois do carro, havia uma velocidade de deslocamento para a elite e outra para o povo. Aparentemente, o carro dá poderes ilimitados ao seu dono, mas o que faz de fato é torná-lo dependente de mecanismos de manutenção dos especialistas, que cobram caro por seus serviços. Enquanto que o ciclista tem relação de possuidor de sua bicicleta, o motorista é consumidor. Vitória do Capital, que cria dependência sob o véu de autonomia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao democratizar-se o privilégio, caímos numa armadilha. Queríamos velocidade privilegiada e voltamos a andar na velocidade média das carruagens e dos ciclistas. Diz Gorz: “enquanto houver cidades, o problema não terá solução”, referindo-se ao fato de que não adianta quantas estradas sejam construídas que sempre haverá mais e mais carros para nelas trafegar. Estudiosos dizem que gastamos uma hora de trabalho para andar seis quilômetros, o mesmo que faríamos a pé. E quanto mais carros rápidos fazemos, mais tempo perdemos para nos deslocar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Gorz, o carro mata duas vezes. Mata primeiro a cidade, tornando-a insuportável. Mata depois a si mesmo, negando sua essência, a velocidade. Mas o que Gorz não imaginou, é que mata também um pouco de nós mesmos, basta ver as cenas diárias de violência banal no trânsito. “O carro tornou a cidade inabitável” diz Gorz, e por isso sentimos a cidade como um inferno. O que resta da finalidade original do carro quando, em termos de velocidade, uma bicicleta pode fazer igual?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DaMatta e Gorz estão certos: o problema não é o transporte, mas o tipo de cidade e vida que desejamos ter. Precisamos renunciar ao carro, transformar a paisagem urbana, fazer com que as pessoas não precisem mais de transporte e que tenham prazer em ir de bicicleta ou a pé para o trabalho. Deve ser agenda dos políticos e urbanistas o problema de como fazer com que bairros possam se transformar no microcosmo de nossa vida. Se o problema do transporte está ligado ao problema da cidade, da divisão do trabalho e da compartimentalização da vida, faz sentido a resposta de Marcuse sobre o que fazer depois da Revolução. Ele disse: “nos iremos destruir as cidades e reconstruir novas. Isso nos ocupará por um tempo”. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Publicado no Portal Pé na Porta.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3781079153050474132-4551030761323896883?l=filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/feeds/4551030761323896883/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3781079153050474132&amp;postID=4551030761323896883' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/4551030761323896883'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/4551030761323896883'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/2011/03/sobre-ciclistas-e-carros.html' title='Sobre ciclistas e carros'/><author><name>Jorge Barcellos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13317457638691531178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3781079153050474132.post-8972665008229501850</id><published>2011-02-21T16:22:00.000-08:00</published><updated>2011-02-21T18:17:53.824-08:00</updated><title type='text'>Edital de Ocupação, democracia de acesso em primeiro lugar</title><content type='html'>&lt;a href="http://bancodeimagenscmpa.procempa.com.br/imgs_m/4d62f4c3d2f4a5.52410428"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 470px; FLOAT: right; HEIGHT: 276px; CURSOR: hand" border="0" alt="" src="http://bancodeimagenscmpa.procempa.com.br/imgs_m/4d62f4c3d2f4a5.52410428" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A Câmara Municipal de Porto Alegre lançou na última segunda-feira (22/2) a 4ª Edição do Edital de Ocupação do Teatro Glenio Peres. Com capacidade de 80 lugares, o espaço tem uma história que vale a pena ser revista.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Quando de sua criação em meados dos anos 80, o projeto original previa no Legislativo apenas a construção de um auditório. Foi assim que ele foi inaugurado, como Auditório Glênio Peres, em homenagem ao notável politico da cidade. A idéia era a existência de espaços para as atividades legislativas, como a Sala Ana Terra e as Salas de Comissões, que tem vida paralela ao trabalho do plenário, centro da atividade legislativa na Câmara de Vereadores.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Quando Margareth Moraes foi eleita a primeira presidente da Câmara Municipal de Porto Alegre, sua trajetória na área de cultura foi determinante para a transformação do então auditório em teatro. Além de alterar sua denominação e finalidade, Moraes deu-lhe condições para operar enquanto teatro, com a aquisição de mesa de luz e iluminação própria. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Mas o caminho não seria nada fácil. A concepção jurídica hegemônica defendia que o espaço do legislativo é privativo da atividade legislativa. Apontavam para o desvio de finalidade, ainda que, vissem o mérito nas iniciativas. A razão era o fato de que, juridicamente, ainda que Poder autônomo, o prédio é patrimônio do Executivo destinado para atividade legislativa. Produção cultural é tarefa do Executivo.&lt;br /&gt;Este argumento sofreu um refluxo importante com o sucesso da atividade cultural como forma de acesso ao poder legislativo. Além do mais, a cultura começou a conquistar espaços notáveis na organização economica. Os parlamentos deram-se conta do valor da cultura e educação em seu interior: elas prometiam uma porta de acesso à política, que então recebia inúmeras críticas da população. A idéia de atividade cultural "espraiou-se" pelos legislativos do interior. Memória e atividades culturais foram incluidas nas agendas das Câmaras Municipais. A idéia de "regime de colaboração" vem ao socorro do legislativo, que não invade o espaço do Executivo, apenas "colabora" na esfera e no espaço de seu competência.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A Edição do Edital na gestão da vereadora Sofia Cavedon acrescenta um novo patamar ao seu teatro.Enquanto que as gestões de Sebastião Melo e Nelcir Tessaro, tiveram o mérito de criar e manter o Edital como atividade complementar, Sofia tem como ponto central de seu programa de gestão o reforço da atuação do legislativo na área cultural e educativa. Deu provas disso reforçando a equipe do legislativo para produção cultural, determinando em seu gabinete gestores  para cultura da Casa e já está dando os primeiros passos para a reforma do espaço do Teatro. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A consequência é que o Lançamento do Edital foi um sucesso. "Nunca na história...." daquele espaço, um público tão envolvido na área esteve presente e atento. Pela primeira vez, com a presença de representantes da cultura da União e do Estado, demostrou-se que a cultura é ferramenta política por excelência. Mais, sua ação chama a atenção da comunidade cultural para os parlamentos e, numa palavra, ao legislativo democratizar o acesso a seu espaço para produção cultural, ele mesmo se transforma em co-ator do sistema da cultura. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Sofia realizou um evento cultural com sucesso para marcar o inicio de uma politica para a área cultural do legislativo. Fez isso numa época em que as pessoas estão voltadas para 3 coisas: o Carnaval, as férias e o Big Brother. Razão a mais para aplaudir o sucesso desta iniciativa, que mostram a importância do campo da cultura para os parlamentos. Revela para a área cultural que ela não pode ficar alheia ao que se passa no seu legislativo e tem, a partir de agora, a responsabilidade de escolher muito bem os candidatos que deseja ver representando seus interessses no legislativo. Fica a idéia para as câmaras do interior: e se cada plenário não pudesse ser transformado, além de uma sala de aula, em um teatro? Fica a idéia para Sofia Cavedon: que tal reunir as câmaras municipais e propor-lhes a edição de uma Carta dos Parlamentos como Espaço da Educação e da Cultura, necessário caminho para iniciar uma mudança de mentalidade na relação do legislativo com estas áreas. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3781079153050474132-8972665008229501850?l=filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/feeds/8972665008229501850/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3781079153050474132&amp;postID=8972665008229501850' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/8972665008229501850'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/8972665008229501850'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/2011/02/um-teatro-em-busca-de-seu-publico.html' title='Edital de Ocupação, democracia de acesso em primeiro lugar'/><author><name>Jorge Barcellos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13317457638691531178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3781079153050474132.post-4129449479977401565</id><published>2011-02-04T14:05:00.000-08:00</published><updated>2011-02-04T14:06:13.076-08:00</updated><title type='text'>A perspectiva zizekiana dos direitos humanos</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Conta-se que um operário alemão obteve um emprego na Sibéria num tempo em que toda a correspondência era lida por censores. Ele então combina um código com seus amigos: se uma carta estiver escrita em azul, o que diz é verdade; se for vermelha, é mentira. Tempos depois, eles recebem uma carta em tinta azul: "Tudo aqui é maravilhoso: as lojas vivem cheias, a comida é abundante, os apartamentos são grandes e bem aquecidos, os cinemas exibem filmes do Ocidente, há muitas garotas, sempre prontas para um programa - o único senão é que não se consegue encontrar tinta vermelha".&lt;br /&gt;A estória é contada por Slavoj Žižek, em "Bem vindo ao deserto do real" (Boitempo, 2003) . Ela serve para o autor colocar o ponto de partida de sua obra: uma investigação rigorosa da ideologia, do totalitarismo e principalmente da língua que usamos para descrever nossos conflitos presentes "Esta falta de tinta vermelha significa que atualmente todos os termos usados para descrever o presente conflito - "guerra contra o terrorismo", "democracia e liberdade", "direitos humanos", etc - são termos falsos, que mistificam nossa percepção da situação em vez de nos permitir pensa-la".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nascido em 21 de março de 1949 na Eslovênia, Žižek, formou-se em Sociologia e Filosofia em 1971, concluiu Mestrado e Doutorado em Filosofia entre 1975 e 1981 e em 1985 realizou pós-doutorado em Psicanálise. Influenciado pelo pensamento de Derrida, Althusser, Foucault e Lacan, colabora na construção da "Escola Lacaniana da Eslovênia" cuja característica central é o distanciamento da clínica psicanalítica em direção à filosofia e o pensamento alemão. Daí as preocupações, presentes na obra de Žižek, com o poder, a cultura, a arte, especialmente o cinema.&lt;br /&gt;Professor do Instituto de Sociologia da Universidade de Liubliana, Eslovênia, seu temperamento mais revolucionário do que teórico produz seu deslizamento em direção à política. Ativo militante político, candidatou-se à Presidente nas eleições de 1990 em seu pais. Esta é a razão do fato de sua obra ser muito mais política e moral do que teórica, como a influência do lacanismo faria supor. A medida que sua obra foi traduzida para o mundo, Žižek ganhou fama e notoriedade, passando a ser convidado para ser professor de diversas universidades como Paris VIII, Minnesota, Nova York, Princenton, Michigan, Georgetown, desenvolvendo atividades nos Estados Unidos, Europa, Australia, e Japão.&lt;br /&gt;Zizek abordou o tema dos direitos humanos em diversas obras. Em “La suspensión política de la ética”(FCE, 2005), o autor critica certa política humanitária de direitos humanos que se faz como ideologia do intervencionismo militar. Para Zizek, toda ideologia que serve especificamente para fins econômicos e políticos deve ser rejeitada, porque se trata de um humanitarismo que despolitiza, uma defesa pura do individuo contra as despóticas máquinas do Estado. “Sem dúvida, a pergunta é: que tipo de politização é posta em marcha por aqueles que intervêem a favor dos direitos humanos contra os poderes a que se opõem?“ No caso do ataque americano a Saddam Hussein, Zizek vê que haviam interesses polítco–econômicos (o petróleo) que levavam a terminar com o sofrimento do povo iraquiano. O problema para Zizek é que a doutrina dos direitos humanos terminou por sustentar uma intervenção baseada na inclusão do país na economia de mercado global. Ou seja, foi incapaz de colaborar para a construção de um projeto coletivo propriamente iraquiano de transformação sociopolitica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zizek retornou ao tema em “Sobre la violência “(Paidós, 2009), descrevendo as conseqüências de duas situações limites para a experiência dos direitos humanos. A primeira, relativa ao modo de tratamento dados aos negros pela política de Nova Orleãns logo após o furação Katrina e a segunda, a proposta de construção de um muro na costa africana do Rif, pequeno território espanhol numa área enclave entre Espanha e Marrocos. “As imagens apresentadas – uma complexa estrutura com a última tecnologia – tinham uma estranha semelhança com o Muro de Berlim, só que com a função oposta. Este muro estava destinado a impedir as pessoas de entrar, não de sair ”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas é em sua obra “Os direitos humanos e o nosso descontentamento” (Edições Pedago, 2008) é que Zizek apresenta sua critica ao modo como tem sido reelaborada a noção de Direitos Humanos nos tempos da guerra humanitária. Para Zizek, de forma paradoxal, só interessa a noção de direitos humanos tal qual propalado pela herança cristã, curiosamente, repleta de humanitarismo, ao contrário da atual, ateu e materialista, onde cada parte tem seu lugar. Para o cristianismo, a virtude vem da possibilidade de acesso ao Universal. De fato, Zizek em “A marioneta e o anão: o cristianismo entre a perversão e subversão”(Relógio D’Agua, 2006)  assim como Alain Badiou, São Paulo (Boitempo, 2010) propuseram análises deliberadamente políticas para denunciar tendências perversas do cristianismo e o caráter revolucionário de seu núcleo materialista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caso dos ataques a Bósnia, a critica feita por Zizek ao mau uso da noção de direitos humanos advém do fato de que a retórica de proteção termina por  reduzir as vítimas a uma impotência que lhes retira a capacidade de agir. Pior, é uma ideologia que apregoa que não são capazes de fazer a sua própria história, da qual seriam meros figurantes. Zizek faz coro com Jacques Ranciére, para quem os homens e lugares políticos nunca se tornam meramente vazios. O vazio é dado por alguém ou algo “Se aquele que sofre uma repressão desumana é incapaz de decretar os direitos humanos que são seu último recurso, então alguém tem que herdar seus direitos para decretá-los em outro lugar. Isto é o que chamo de “direito de interferência humanitária” – um direito que algumas nações adotam para suposto benefício de populações vitimizadas, e, muito frequentemente, contra a recomendação das próprias organizações humanitárias. O “direito à interferência humanitária” poderia ser descrito como uma espécie de “devolução ao remetente”: os direitos não usados, que foram enviados aos carentes em direitos, são devolvidos aos remetentes”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Zizek, toda vez que o discurso dos direitos humanos significa o direito das potencias ocidentais de intervir política, cultural e militarmente nos países do Terceiro Mundo, estamos diante de uma forma de despolitizar os direitos humanos,   pois estamos novamente diante da noção pré-política de Bem contra o Mal. Zizek quer mais: quer que sejamos capazes de, ao defender os direitos humanos, dar as vitimas subjetivação política. Trata-se, a maneira de Michel Foucault, de uma análise biopolítica dos direitos humanos, sem a qual, segundo Zizek, perderemos toda a distinção entre Democracia e Totalitarismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Slavoj Zizek quer propor um insight particular e pertubador: a critica da apropriação dos direitos humanos pela ideologia do intervencionismo militar.  Ao contrário, Zizek prega que o discurso sobre direitos humanos seja um discurso político capaz de colocar um movimento uma polítização dos inocentes contra o poder. Caso contrário, o discurso dos direitos humanos se transformará numa espécie de anti-politica: tão importante quanto a defesa dos direitos humanos em geral, é a defesa dos direitos políticos em particular, o que rompe, de certa forma, a dialética do universal e do particular ao qual estamos acostumados. Mas isto é Zizek.&lt;br /&gt; &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3781079153050474132-4129449479977401565?l=filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/feeds/4129449479977401565/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3781079153050474132&amp;postID=4129449479977401565' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/4129449479977401565'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/4129449479977401565'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/2011/02/perspectiva-zizekiana-dos-direitos.html' title='A perspectiva zizekiana dos direitos humanos'/><author><name>Jorge Barcellos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13317457638691531178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3781079153050474132.post-4203407446456449966</id><published>2010-11-11T02:30:00.000-08:00</published><updated>2010-11-11T02:31:44.930-08:00</updated><title type='text'>A mudança no processo administrativo, nas relações sociais, aprendizagem e comunicação.</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;My Name is Earl é uma série de televisão americana na qual o personagem principal após sofrer um grave acidente resolve consertar todas as coisas erradas que fez pela vida. Ele faz uma enorme lista onde estão todas as coisas que deve consertar: algo que roubou de um amigo, uma trapaça feita na escola e coisas assim. No episódio 7 da primeira temporada, ele defronta-se com o fato de que numa época de sua vida ele roubou o Estado. Numa palavra, não pagou seus impostos. Ao contrário de muitos, ele está disposto a pagar ao Estado o que deve e faz de tudo para efetuar o pagamento: deixa dinheiro na caixa de sugestões, tenta pagar com trabalho – e é preso por isto – o que gera inúmeras situações cômicas. Num determinado momento, no balcão de um ghiché de informações, tenta resolver o seu drama, para ouvir, mais uma vez da atendente, que é impossível pagar ao Estado o que pretende.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse momento, uma atendente com ares de enfado, por detrás do balcão, teima em dizer um sonoro “o próximo”, ignorando a presença de Earl e seu esforço em ressarcir o Estado de um prejuízo que ele cometeu. Earl encontrou na primeira parte de seu calvário uma série de personagens que retornarão – e não direi o final para não matar a curiosidade – ao final consagrado para Earl a importância de um Estado de Proteção Social. Ao contrário, esta primeira parte da narrativa, Earl encontra policiais, médicos e burocratas aparentemente insensíveis com seu desespero. Cada um, de seu modo, esta perdido em regulamentos e regras e não consegue perceber o drama humano protagonizado por Earl. O que o episódio tem de interessante a nos dizer da imagem da burocracia e do serviço público é que: 1) por mais que o cidadão se esforce, uma distancia é estabelecida entre os burocratas de plantão e os cidadãos em busca de seus direitos; 2 ) o burocrata padrão rege-se pela lei do menor esforço, e não se contenta enquanto não puder pronunciar a palavra “o próximo!”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para atender ao tema proposto pelos organizadores, parto da cena na qual a atendente pronuncia inúmeras vezes, frente a um Earl desesperado, a palavra “próximo”. Ela ilustra com exatidão o modelo perverso de servidor público engendrado pela organização burocrática e que estamos a todo o momento a combater. Meu tema central é trabalhar o conceito de mudança no serviço publico em seus condicionantes culturais, institucionais e subjetivos. Ele é organizado em quatro partes principais. Na primeira eu introduzo uma análise breve dos processos de reforma administrativa a partir do contexto do ciclo de políticas públicas. O exemplo é extraído da literatura disponivel sobre reforma da previdência e educação, mas provavelmente vou me deter mais na da educação. A segunda é parte defende certa "autonomia relativa" de determinados processos e esferas do serviço público, a partir de categorias do pensamento de autores como Kant, Castoriadis e Antony Giddens. A ídéia é localizar os espaços para a produção de novos dirigentes publicos, lideranças de grande necessidade na administração pública na atualidade. A razão é que a tal mudança, que pede o título, me parece ser relativa aos efeitos sobre o serviço público de um diagnóstico de nosso tempo que se tornou leitura obrigatória - debate sobre a natureza da modernidade, e nele o Estado. A terceira parte propõe  localizar no serviço público o valor dos processos de aprendizagem e educação, valorizando-o como instituição aprendente, por um lado, introduzindo nela a idéia de politica como processo de comunicação na concepção de Niklas Luhman. De qualquer forma, esta é apenas uma proposta de tratamento sparticular do tema e que tem como base minha experiência de investigação. Trata-se portanto de desenvolver o tema a partir das que estabelece entre a política,  burocracia e certa sociologia e psicologia social. Que o público perdoe o fato de que eu utilizar como exemplos, é claro, os do  Legislativo,  é devido ao fato de ser a institução publica em que atuo há mais de 25 anos, o que permite afirmar, com alguma certeza, de que conheço um pouco dos elementos de controle sobre a  e da administração pública,  os controles sobre a burocracia e os controles que a burocracia efetua, o que introduz mais uma vez, a questão central deste trabalho, a de como a burocracia se autonomiza  e é capaz de criar  nesse contexto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mudança, neste sentido para mim  é a criação na e pela  nova agenda de gestão pública. Pode parecer longo, mas você precisa fazer toda uma radiografia para sugerir tais políticas no interior das instituições, o que passa pelo retorno da análise historica. Finalmente, num trabalho como este não deve encerrar indicações sobre  valores para o futuro - outro conceito a ser exposto – com vao profissionalização, mérito e proteção à burocracia (tema pouco falado) que devem estar incluidos. A idéia de retomar a importância das carreiras públicas para fortalecer as possibilidades izde mudança é uma conseqüência, porque ao final, trata-se sempre, de defender não apenas o político ou o burocrata, com acredito, se trata de construir um dirigente público para o futuro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Legado de uma Era de Reformas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Silvio Bressan no capítulo intitulado “Reforma Administrativa”, da obra A Era FHC, um balanço, organizado por Bolívar Lamounier e Rubens Figueiredo (Cultura Editores Associados, 2002) caracteriza o projeto de Reforma Administrativa do ministro Luiz Carlos Bresser Pereira. Bressan aponta alguns elementos que devemos ter em conta quando pensamos a reforma administrativa colocada em prática a partir de 1995. O primeiro é que a reforma possiblitou um diagnóstico claro dos problemas administrativos, foi produto de uma negociação com o Congresso Nacional pelo qual passa sem percassos – ao contrário da Reforma da Previdência – e possibilitou identificar disfunções da administração brasileira, entre ela a rigidez que compromete a iniciativa e a criatividade, a ausência de visão geral dos servidores do  processo, a dificuldade de responder as demandas da população, entre outras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A reforma proposta por Bresser Pereira, através do recém criado Maré, Ministério da Reforma do Estado, atuou em três frentes: institucional legal, cultural e gestão. Tratava-se de eliminar entraves legais a modernização da máquina pública, realizar a transição de uma cultura burocrática para uma cultura gerencial, valorizando controle de resultados, e por ultimo buscou-se aperfeiçoar os métodos de gestão.Um passo concreto foi a informatização de todo o governo, com aumento expressivo de computadores, redes internas, homepages, que possibilitou um grande acesso a informações para servidores e usuários. “Passaram a ficar disponíveis informações sobre políticas públicas, projetos e ações do governo, licitações, concursos públicos e outros assuntos” (p. 375).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tal projeto tinha como estratégia, entre outras, o fortalecimento das carreiras de nível superior, responsáveis pelas atividades típicas de Estado: planejamento, gestão pública, fiscalização, orçamento, jurídico, política e diplomacia, destacada Bressan,  para os quais foi proposta uma política de desenvolvimento e treinamento, para os famosos DAS. Os cargos de Direção e Assessoramento Superior , níveis 5 e 6, e os cargos de Natureza Especial (NES), é denominado por Maria Celina D”Araújo de “Dirigentes Públicos” em sua obra “A elite dirigente do Governo Lula” publicado recentemente pela Fundação Getúlio Vargas. A autora lembra que em 2009 existiam segundo o Boletim Estatístico do Pessoal do Ministério do Orçamento, Planejamento e Gestão, cerca de 80 mil cargos de confiança , funções de confiança e gratificações no poder executivo federal. Nomeados pelo Presidente e Ministros, e ainda que tal contingente, assinala a autora, seja passível de manobras políticas, é surpreendente o quanto de fato sua pesquisa comprovou, trata-se de uma elite administrativa profundamente imbricada em diveras formas de participação social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que os cargos DAS do governo federal são um caso a parte em administração pública. As pressões para que tais cargos sejam moeda política provém do legislativo e do executivo; a nomeação varia conforme a presidência: no governo FHC eram nomeados pelo presidente e ministros, enquanto no governo Lula, originam-se na Casa Civil. E Era Lula pode ser caracterizada como uma era de alta concentração de poder administrativo. Dos cerca de 80 mil cargos e funções de confiança, certa de 47.500 são da adminsitração direta. E estamos falando de “milhares de casos em que pessoas passaram a reter em suas mãos prerrogativas excepcionais para estabelecer gastos, propor políticas e tomar decisões que afetam toda a sociedade”(D’Araujo, 2010, p. 9).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos pontos de destaque nesse espaço de disputa de DAS é o fato de que há presença alta de funcionários públicos.  D’Araujo assinala que boa parte destes dirigentes vieram de carreiras públicas com fortes vínculos com os movimentos sociais, especialmente sindicais. “Não se trata, portanto, de funcionários desinteressados, mas de um conjunto de cidadãos com níveis de participação e de inserção política e social muito acima dos que são praticados pela média  da sociedade brasileira”(idem, p. 10).   A autora explica que em parte, é verdade, deve-se ao fato da ligação entre o PT e os sindicatos ser histórica. O que a autora quer salientar é que, em que pese o governo petista ter levado a confluência entre governo, movimento sindical, movimento social e funcionários públicos, sua tese é que foi determinante a alta qualificação profissional da elite dirigente mobilizada pelo governo Lula.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso não significa que não hajam campos de pesquisa em aberto. O principal deles é o de que pouco sabemos sobre as relações entre profissões e cargos públicos, o tipo de formação mais corrente entre os  servidores públicos, a participação das profissões na divisão social do trabalho na área governamental. Por exemplo, se médicos são entre todas as profissões, os dirigentes com mais laços com a sociedade, isso refletiu-se nas políticas de saúde? A análise de D’Araujo mostra a existência de um grupo de dirigentes públicos  altamente escolarizado e majoritariamente composto por funcionários de carreira, engajado em diversas frentes de participação. Ao contrário de uma literatura tradicional, ao contrário de serem cargos ocupados por pessoas sem nenhuma qualificação, como manda a leitura clientelista,  tais cargos são preenchidos por pessoas da carreira, com alto grau de instrução e com experiência de trabalho diversificada e que compõem cerca de 65% da população.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A taxionomia destes cargos é extensa e envolve desde o Dirigente  de Autarquias e Fundações até o Assistente Técnico de Nível 01. Entre eles encontram-se assessores especiais, diretores de departamento, consultores jurídicos, assessores especiais, coordendores, assessor técnico, chefe de divisão e chefe de seção. Sou chefe da Seção de Memorial da Câmara Municipal de Porto Alegre, o que comparativamente, me coloca no penúltimo grau da esfera de cargos do legislativo municipal. O modelo proposto por D’Araujo aproxima-se muito da proposta de Abrucio em sua obra “Burocracia e Política no Brasil”: no atual estado de organização da função pública, devemos reforçar o papel de uma camada intermediária de servidores públicos situados entre a política e a burocracia: os dirigentes públicos.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Autonomia relativa do serviço público&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode parecer paradoxal sugerir a necessidade da autonomia para o serviço público já que este é, por sua natureza, determinado por normas de alto a baixo – as leis.  De fato, o tema da autonomia, tal como formulado por Immanuel Kant e após, por Paulo Freire, destina-se aquelas situações em que os atores desenvolvem uma capacidade de compreensão insuficiente de sua realidade, se mostram arredios à leitura, seguem as regras irrefletidamente, apresentam dificuldade em pensar por conta própria e discutir criticamente os assuntos que o envolvem.  Tais elementos, presentes em várias organizações, se fazem sentir no serviço público nas atitudes marcadas pelo individualismo, indiferença com o humano, à irresponsabilidade frente a máquina pública, à massificação do serviço público e a conseqüentes formas de pensar e agir homogeneizados, não autênticos e autônomos. Além disso, a razão instrumental promovida por muitos programas de gerenciamento promove a colonização do serviço público muitas vezes marcados por aspectos desumanizantes  que prioriza o econômico em detrimento do humano. O conceito de autonomia se opõe ao conceito de heteronomia. Heteronomia é a determinação passiva do sujeito pelo que lhe é externo. A burocracia é constituída pela ordem da lei excluindo para o exterior qualquer coisa que a contrarie, e por esta razão é o lugar da heteronomia. Burocratas cumprem leis.  Dirigentes Públicos ao contrário, tem      condições sociais favoráveis que incentivam sua capacidade ou  poder de ser autônomo, gozando da liberdade criar  projetos vinculados as leis que precisa obedecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem definiu o conceito de autonomia na modernidade e fez dele um conceito central em sua teoria foi Kant. Nesse ideal viu o fundamento da dignidade humana e do respeito, o que foi central para o desenvolvimento dos sistemas legais, dos sistemas educacionais e da sociedade moderna como um todo. A concepção kantiana de liberdade como autodeterminação influenciou muito a educação e o modelo escolar criado a partir da modernidade. As propostas de Kant fazem uma aposta esperançosa na humanidade, no potencial humano de fazer-se melhor e construir um mundo melhor. A questão que se coloca refletir sobre as possibilidades de as concepções de serviço público construídos a partir da valorização da  autonomia do direigente público iluminarem uma nova gestão pública que vise formar  dirigentes capazes de superar sua heteronomia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A idéia de autonomia adentrou na administração vinda das ciências sociais. Relacionada com a construção de espaços democráticos,  a idéia de autonomia define, em primeiro lugar, pela própria idéia de liberdade. Para o cientista político italiano Norberto Bobbio, envolve os chamados direitos de liberdade de opinião. O Estado Liberal o é na medida em que vê tais direitos como inalienáveis os servidores públicos, ainda que com a possibilidade de conviverem com total liberdade, sabem que esta liberdade é relativa.   Ampliar a possibilidade de participação de atores como servidores públicos nas decisões sociais e políticas possibilitam uma construção de mecanismos que redistribuem o poder.  Castoriadis possui uma visão de autonomia como empreendimento da humanidade,  uma empreitada coletiva, eixo de um projeto revolucionário&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A defesa de uma atitude de autonomia finalmente inspira-se nos estudos de Anthony Giddens, que forjou o conceito de "sociedade pós-tradicional",  aquela na qual o homem é obrigado a abdicar da rigidez das idéias, atitudes e tipos comportamentos fundamentados no sistema de valores tradicionais. Curiosamente, a sociedade na qual Giddes vê é a mesma do Estado e seu serviço público.  “Hoje porém, na sociedade pós-tradicional, exige-se o oposto, e a autonomia é condição básica para conviver com os riscos, as incertezas e os conflitos dessa sociedade.”O conceito migrou da iniciativa privada para a publica. Do mundo da produção, onde a racionalidade economia coloca o domiio do conhecimento como um pré-requisito “somente um indivíduo autônomo consegue manejar com estes elementos”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, é também uma necessidade emocional, uma vez que os indivíduos que fazem parte do Serviço Público precisam desenvolver uma  comunicação entre si, numa sociedade em que o diálogo molda a política e as atividades. A falta de autonomia no âmbito psicológico e politico, obstaculiza as discussões abertas, gera violência e impede a manifestação plural; como diz a cientista social Agnes Heller, "é uma afronta a autonomia do Outro". Portanto a autonomia é necessária para se entrar em efetiva comunicação com o Outro, num diálogo que ocupa um espaço público no qual "todas as facções discutem entre si numa relação simetricamente recíproca"(Heller), livres do uso da coerção e da retórica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso a autonomia tornou-se condição de sobrevivência para os dirigentes público no Serviço Público moderno.   Somente um Serividos Público autônomo terá sucesso nas esferas econômica, psicológica, sócio-cultural e/ou política, pois é um indivíduo que interroga, reflete e delibera com liberdade e responsabilidade, ou como diz Castoriadis, "é capaz de uma atividade refletida própria",e não de uma atividade que foi pensada por outro sem a sua participação. Espero que todos os envolvidos com o processo de trabalho reconheçam a importância da mesma, e estejam trabalhando para favorecer a autonomia individual e consequentemente coletiva, pois é assim que nos tornaremos "conscientes e autores de nosso próprio evolver histórico"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dirigentes públicos e políticos e a nova ordem do saber&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bonis e Pacheco (2010) assinalam que o debate atual sobre a dinâmica das relações entre burocratas e políticos, o papel do dirigente publico permanece negligenciado nos  estudos sobre o funcionamento do Estado. O problema é que aqueles que estão a frente das organanizações públicas tem potencial de influ~encia sobre os resultados a serem alcançados. Dirigentes públicos são atores diferentes de burocratas e políticos, pois tem responsabilidades inferiores aos políticos mas superiores ao funcionário público tradicional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Composto por pessoas que ocupam altos escalões governamentais, com responsabilidades pelas políticas públicas, respondem diretamente a ministros, secretários, dirigente de pastas. Oriundos da carreira do funcionalismo ou não, são coresponsáveis pela implementação de programas de governo, sendo responsáveis frente ao governo e a sociedade, alinhando as polilticas de governo e buscando maximização dos resultados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Brasil, a administração pública segue o exemplo da norte americana, baseada em um sistema de pessoal flexível de alta mobilidade, centrado em cargos e não em carreiras, o que permite a entrada lateral de outsiders profissionais não integrantes das carreiras públicas em postos de direção. Lugar de clientelismo político, sua substituição pela institucionalização da função diretiva pública é uma urgência. A direção pública contemporânea é algo distinto dos burocratas e políticos profissionais. Estes dirigentes podem ser recrutados interna ou externamente à instituição, junto ao mercado, a universidade ou círculos partidários.  O surgimento da função diretiva surge nas democracias avançadas como superação do dualismo políticos/burocratas. O crescimento dos aparatos estatais da-se no século XX e leva a necessidade de uma direção pública que, como espaço vazio, é ocupado por políticos e burocratas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A idéia dos autores é que os dirigentes públicos são estrategistas, “criadores de valor público”, sendo capazes de transformar recursos escassos em impactos positivos para a socieade, atendendo os desejos e percepções dos cidadãos”(p. 332). Isso significa que buscam o valor público conscientemente, tem disposição de manifestar-se publicamente sobre suas idéias e submete-las ao debate público.  Essa autonomia, já defendida por autores como Longo, define-se pelo fato de possuírem espaços de discricionariedade para ação, sistemas de controle e prestação de contas; um regime de prêmios e sansções e a consolidação de um ethos de administração pública.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A conseqüência é que o ethos de um dirigente público é que sua conduta se orienta, não para garantir o cumprimento de regras para melhorar os resultados. Enquanto que o burocrata tem compromisso com a racionalidade, o dirigente público usa a racionalidade para escolher, entre diversas alternativas, aquela que maximiza resultados. Assim, lutar pela atonomia do dirigente público é lutar para ampliar o nível de discricionariedade das leis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminhar em direção a um processo de institucionalização da função diretiva p´bulcia no Brasil está começando. Inclui debates com a sociedade, inserção do tema dentro de uma política abrangente de gestão de pessoas no serviço público e o fortalecimento da qualidifcação do conjunto da burocracia, estágio em que se encontra hoje.  &lt;br /&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Palestra no Plenário Otávio Rocha da Câmara Municipal de Porto Alegre, dentro do Seminário Modernização da Gestão Pública promovido pela   Fundação de Desenvolvimento e Recursos Humanos - FDRH, Outubro de 2010&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3781079153050474132-4203407446456449966?l=filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/feeds/4203407446456449966/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3781079153050474132&amp;postID=4203407446456449966' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/4203407446456449966'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/4203407446456449966'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/2010/11/mudanca-no-processo-administrativo-nas.html' title='A mudança no processo administrativo, nas relações sociais, aprendizagem e comunicação.'/><author><name>Jorge Barcellos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13317457638691531178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3781079153050474132.post-6018958996114883956</id><published>2010-10-25T06:18:00.001-07:00</published><updated>2010-10-25T06:19:24.759-07:00</updated><title type='text'>O caluniador, figura da barbárie</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Publico o texto encaminhado pelo professor Rualdo Menegat, da UFRGS, por sua vez escrito por &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt; Juarez Guimarães, na &lt;/span&gt;&lt;a href="https://webmail.camarapoa.rs.gov.br/owa/redir.aspx?C=a8391582f0f24a6d92b15a16a8d04a60&amp;amp;URL=http%3a%2f%2fwww.cartacapital.com.br%2fpolitica%2fo-caluniador-figura-da-barbarie" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Carta Capita&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="https://webmail.camarapoa.rs.gov.br/owa/redir.aspx?C=a8391582f0f24a6d92b15a16a8d04a60&amp;amp;URL=http%3a%2f%2fwww.cartacapital.com.br%2fpolitica%2fo-caluniador-figura-da-barbarie" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;l &lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;De todas as eleições presidenciais realizadas após a redemocratização, esta é certamente aquela que a calúnia cumpre um papel mais central na definição do voto. Ela foi utilizada em um momento decisivo por Collor contra Lula, compareceu sempre todas as vezes nas quais Lula foi candidato mas agora ela mudou de intensidade e abrangência, tornou-se multiforme e onipresente. A calúnia foi ao centro da nossa vida democrática. A senhora ao lado no ônibus me diz que recebeu a informação que Dilma desafiou Jesus Cristo em um comício realizado na Praça da Estação, em Belo Horizonte. O motorista de táxi conta que um médico lhe assegurou que um outro médico, seu amigo, diagnosticou gonorréia em Dilma. Um e-mail recebido traz documento do TSE impugnando a candidatura de Dilma por ter “ficha suja”. Um aluno me diz ter recebido carta em casa da Regional 1 da CNBB, contendo mensagem para não votar em Dilma por ser contra a vida. Um comerciante na papelaria me diz que “não vota em bandida”. Após divulgar o resultado da primeira pesquisa Sensus/CNT para o segundo turno, o sociólogo Ricardo Guedes, afirmou que “nessa eleição, principalmente no final do primeiro turno, temos um fenômeno sociológico de natureza cultural de desconstrução de imagem. O processo de difamação, até certo ponto, pegou.” Quem conhece alguém que não recebeu uma calúnia contra Dilma ? Houve uma mudança nos meios: a internet permite o anonimato e a profusão da calúnia. A Igreja brasileira, sob a pressão de mais de duas décadas de Ratzinger, tornou-se mais conservadora na sua cúpula e mobiliza hoje uma mensagem de ultra-direita, como não se via desde 1964. A mídia empresarial brasileira, já se sabia, vinha trilhando o seu caminho de partidarização e difamação pública, no qual até o direito de resposta tornou-se um crime contra a liberdade de expressão. Mas tudo isso não havia encontrado ainda o seu ponto de fusão: agora, sim. O que está ocorrendo aos nossos olhos não pode ser banalizado. O caluniador é uma figura da barbárie, o sinistro que mobiliza o submundo dos preconceitos, dos ódios e dos fanatismos. A calúnia traz a violência para o centro da cena pública, pronunciando a morte pública de uma pessoa, sem direito à defesa. Perante a calúnia não há diálogo, direitos ou tribunais isentos. Na dúvida, contra o “réu”: a suspeição atirada sobre ele, visa torná-lo impotente pois já, de partida, a humanidade lhe foi negada. Mas quem é o caluniador, essa figura de mil caras e rosto nenhum? É preciso dizer alto e bom som, em público, o seu nome, antes que seja tarde: o nome do caluniador é hoje a candidatura José Serra! Friso a candidatura porque não quero exatamente negar a humanidade de quem calunia. É o que fez, com a coragem que lhe é própria, a companheira Dilma Roussef no primeiro debate do segundo turno, apontando o nome de uma caluniadora – a mulher de Serra – e chamando o próprio de o “homem das mil caras”. Dia a dia, de forma crescente e orquestrada, a calúnia foi indo ao centro de sua campanha, de sua mensagem, de sua fala, de sua identidade proclamada, de seus aliados midiáticos, de parceiros fanáticos (TFP) ou escabrosos (nazistas de Brasília), de sua estratégia eleitoral e de seu cálculo. “Homem do bem” contra a “candidata do mal”? Homem de uma “palavra só” contra a “mulher de duas caras”? Político “ficha limpa” contra a “candidata ficha suja”? Protetor dos fetos e dos ofendidos (como mostra a imagem na TV) contra aquela que “assassina criancinhas”, como disse publicamente sua mulher? Homem público contra a “mulher das sombras”? O que está se passando mesmo aqui e agora na jovem democracia brasileira? Que arco é este que vai da TFP a Caetano Veloso, quem , quase em uníssomo ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, chamou o presidente Lula de analfabeto e ignorante já no início deste ano? Afinal, que cruzada é esta e qual a sua força ? O que está ocorrendo aqui e agora é uma aliança dirigida por um liberal conservador com o fanático religioso e com o proto-fascista. Cada uma dessas figuras – que sustentam o lugar comum da calúnia – precisa ser entendida em sua própria identidade e voz. A democracia brasileira ainda é o lugar da razão, do sentimento e da dignidade do público: por isso, defender a candidatura Dilma Roussef é hoje assumir a causa que não pode ser perdida. Liberalismo conservador: o criador e sua criatura – Nunca como agora em que esconde ou quase não mostra a imagem de Fernando Henrique Cardoso, Serra foi tão criatura de seu mestre intelectual. É dele que vem o discurso e a narrativa que, ao mesmo tempo, dá a senha e liga toda a cruzada da direita brasileira. A noção de que o PT e seu governo ameaçam a liberdade dos brasileiros pois instrumentalizam o Estado, fazem reviver a “República sindical”, formam gangues de corrupção e ameaçam a liberdade de expressão não deixa de ser uma evocação da vertente lacerdista da velha UDN. Mas certamente não é uma doutrina local. A cartilha do liberal-conservador Fernando Henrique Cardoso é um autor chamado Isaiah Berlin, autor de um famoso ensaio “Dois conceitos de liberdade” e do livro “A traição da liberdade. Seis inimigos da liberdade humana”. Neste ensaio e neste livro, define-se a liberdade como “liberdade negativa”, isto é aquele espaço que não é regulado pelas leis ou pelo Estado contraposto à noção de “liberdade positiva”. Quanto menos Estado, mais liberdade; quanto mais Estado, menos liberdade. Ao confundir liberdade com autonomia, ao vincular liberdade aos ideais de justiça ou de interesse comum, republicanos, sociais-democratas, liberais cívicos e, é claro, socialistas, trairiam a própria idéia de liberdade. É por este conceito e seus desdobramentos que Fernando Henrique mobiliza o clamor midiático contra o PT e o governo Lula. É este conceito que estrutura também o discurso de Serra, que acusa o governo Lula de ser proto-totalitário. É evidente que o conceito não é passado de forma iluminista: a mídia brasileira tornou-se uma verdadeira artista na criação das mediações de opinião, imagem e notícia que se centralizam, em última instância, neste conceito. Daí ele dialoga com o senso comum. Seja dito em favor de Fernando Henrique Cardoso: é o lado mais sombrio de seu liberalismo que vem à tona agora, na cena agônica, quando o candidato que representa a sua herança ameaça perder pela última vez. Pois este liberalismo sempre foi de viés cosmopolita, atento em seu diálogo com os democratas norte-americanos e aos “filósofos da Terceira Via”, a certos direitos inscritos na pauta, como aqueles da liberdade sexual, do direito ao aborto legal, dos gays, dos negros, da vida cultural. Mas agora para fazer a ponte com o fanatismo religioso, ele resolveu descer aos infernos: nada sobrou de progressista na candidatura Serra, das ameaças à Bolívia à moral sexual de Ratzinger? O liberal conservador não é o fanático religioso nem o proto-fascista, aquele que julga que a melhor maneira de dissuadir o adversário é simplesmente eliminá-lo. Mas dialoga com eles na causa comum de derrotar os “proto-totalitários” de esquerda”. Como disse bem, Jean Fabien Spitz, autor de “ O conceito de liberdade”, os ensaios de Berlin trazem o sentido e a tonalidade da época da “guerra fria”. O fanático religioso: os frutos de Ratzinger – Se a social-democracia, o republicanismo e o socialismo são os inimigos de Berlin, a Modernidade em um sentido amplo é o inimigo central do ex-cardeal Ratzinger. O programa político- teológico que veio construindo a ferro e fogo nestas últimas três décadas é centrado na idéia que é preciso restaurar a dogmática da fé contra os efeitos dissolutivos da moral emancipadora, da racionalização científica e da secularização. Este discurso político, que se fecha no fundamentalismo religioso, como bem denunciou Leonardo Boff, é, na verdade, um discurso de poder, de recentramento do poder do Vaticano. Neste programa, não é apenas a esquerda enquanto topografia política que é o inimigo mas principalmente o processo de emancipação das mulheres. Entre a “Eva pecadora” e a “Maria mãe de Deus” não há outra identidade possível às mulheres. A dimensão fundamentalista desde discurso não reconhece o direito do pluralismo na política, nem mesmo na linha do “consenso sobreposto” proposto por John Rawls ( a possibilidade de convergências sobre direitos, partido de um pluralismo de fundamentos). Ou se concorda ou se é proscrito, ex-comungado ou desqualificado. É essa idéia força, que veio ganhando terreno na hierarquia do clero brasileiro a partir das perseguições à Teologia da Libertação, que agora irrompe na política brasileira, difamando Dilma Roussef. A calúnia é conveniente ao fundamentalista religioso: nesta visão de mundo, não há luz e sombra, não há e não pode haver semi-tons: quando Serra proclamou que o “direito ao aborto no Brasil seria uma carnificina”, ele estava dando a senha para a campanha difamatória da direita católica e evangélica. O proto-fascista e seus privilégios – Todo processo político e social de democratização e de inclusão tão amplo como o que está se vivendo no Brasil provoca reações de resistência e regressão política à sua volta. Mas este também não é um fenômeno apenas brasileiro: observa-se à volta de nós fenômenos e operações muito típicas daquelas que estão sendo promovidas pela direita republicana norte-americana contra Obama ou que percorrem quase todo o continente europeu em torno ao tema dos imigrantes. O proto-fascista brasileira não veste camisa preta nem usa suástica no braço ( embora, é claro, ninguém duvide, redes simbolicamente ostensivas estão em ação), nem precisa ser sociologicamente configurado como “lumpen proletariado” ou “pequeno burguesia vacilante”, para lembrar as figuras de uma linguagem simplificadora. O proto-fascista brasileiro é aquele que não quer receber em sua casa comum – a democracia brasileira – estes que não reconhecem mais o seu antigo lugar, os pobres e os negros. Há uma violência inaudita no ato do jornal liberal “O Estado de São Paulo” em punir com a demissão Maria Rita Kehl, por escrever um artigo em prol da dignidade dos pobres. Esta violência, que está muito distante do proclamado pluralismo mesmo restrito de alguns liberais, cheira a proto-fascismo, este ato que pretende abolir as razões públicas dos pobres simplesmente negando dignidade a eles. A força da liberdade que hoje mora no coração dos brasileiros, os braços abertos do Cristo Redentor e o que há de imaginação e magnífica pulsão de vida na cultura popular dos brasileiros são os verdadeiros antídotos contra as figuras do ódio do caluniador. Por detrás da sua máscara, o povo brasileiro há de reconhecer os centenários adversários de seus direitos. Diante do caluniador, somos todos hoje Dilma Roussef!&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3781079153050474132-6018958996114883956?l=filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/feeds/6018958996114883956/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3781079153050474132&amp;postID=6018958996114883956' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/6018958996114883956'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/6018958996114883956'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/2010/10/o-caluniador-figura-da-barbarie.html' title='O caluniador, figura da barbárie'/><author><name>Jorge Barcellos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13317457638691531178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3781079153050474132.post-9069338590050751391</id><published>2010-10-24T16:45:00.000-07:00</published><updated>2010-10-25T03:47:57.054-07:00</updated><title type='text'>Colocando na Balança</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_1408sHKFefU/TMTFyqyuk7I/AAAAAAAAAFg/xND070Pf5bY/s1600/colocando-na-balanca-2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5531763716588999602" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 339px; CURSOR: hand; HEIGHT: 674px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_1408sHKFefU/TMTFyqyuk7I/AAAAAAAAAFg/xND070Pf5bY/s400/colocando-na-balanca-2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_1408sHKFefU/TMTFnfHJmjI/AAAAAAAAAFY/TAc0lOsygeQ/s1600/colocando-na-balanca.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5531763524474870322" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 318px; CURSOR: hand; HEIGHT: 657px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_1408sHKFefU/TMTFnfHJmjI/AAAAAAAAAFY/TAc0lOsygeQ/s400/colocando-na-balanca.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Uma comparação enviada pelo Professor André Marenco da UFRGS é importante para a escolha de voto nas proximas eleições. Veja os indicadores levantados:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3781079153050474132-9069338590050751391?l=filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/feeds/9069338590050751391/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3781079153050474132&amp;postID=9069338590050751391' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/9069338590050751391'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/9069338590050751391'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/2010/10/colocando-na-balanca.html' title='Colocando na Balança'/><author><name>Jorge Barcellos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13317457638691531178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_1408sHKFefU/TMTFyqyuk7I/AAAAAAAAAFg/xND070Pf5bY/s72-c/colocando-na-balanca-2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3781079153050474132.post-5703280965041172516</id><published>2010-10-22T03:41:00.000-07:00</published><updated>2010-10-22T03:45:21.663-07:00</updated><title type='text'>Luiz Antonio Araújo debate 11 de setembro</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;No dia 31 de outubro, Luiz Antonio Araújo, Coordenador do Caderno de Cultura de Zh e autor de BINLADENISTÂO, participará de um debate sobre o 11 de setembro.Vale a pena prestigiar o evento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cultura, guerra e terror&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passados nove anos do 11 de Setembro, os acontecimentos de Nova York e Washington e seus desdobramentos continuam desafiando o pensamento contemporâneo. “Vertigem” talvez seja uma expressão aproximada para descrever o efeito dos atentados de 2001 sobre as mentes de milhões de pessoas. Que tipo de acontecimento foi o 11 de Setembro? Inaugurou ou não um novo capítulo na História? E, se inaugurou, quais são os traços característicos desse novo capítulo? Existem Oriente e Ocidente e há possibilidade de entendimento entre eles? Essas serão algumas das questões abordadas no debate “Cultura, Guerra e Terror”, que se realizará às 16h de domingo, dia 31/10, como parte da programação da Feira do Livro de Porto Alegre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Debatedores:&lt;br /&gt;Alexandre Roche (diretor do Instituto Roche, doutor honoris causa pela UFRGS)&lt;br /&gt;Sergio Tutikian (embaixador aposentado, ex-chefe do Departamento de Oriente Médio do Itamaraty)&lt;br /&gt;Jurandir Malerba (escritor, historiador, professor do Programa de Pós-graduação em História da PUCRS)&lt;br /&gt;Apresentação e mediação: Luiz Antônio Araujo (jornalista, editor de Cultura de Zero Hora, autor de “Binladenistão – Um Repórter Brasileiro na Região mais Perigosa do Mundo”)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O QUE: debate “Cultura, Guerra e Terror”&lt;br /&gt;QUANDO: domingo, dia 31/10, às 16h&lt;br /&gt;ONDE: Sala dos Jacarandás do Memorial do Rio Grande do Sul (Praça da Alfândega)&lt;br /&gt;INGRESSO: evento integrante da programação oficial da Feira do Livro de Porto Alegre. Entrada franca.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3781079153050474132-5703280965041172516?l=filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/feeds/5703280965041172516/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3781079153050474132&amp;postID=5703280965041172516' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/5703280965041172516'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/5703280965041172516'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/2010/10/luis-antonoi-araujo-debate-11-de.html' title='Luiz Antonio Araújo debate 11 de setembro'/><author><name>Jorge Barcellos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13317457638691531178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3781079153050474132.post-6041650910536398405</id><published>2010-10-13T11:45:00.000-07:00</published><updated>2010-10-13T11:47:32.388-07:00</updated><title type='text'>Dia do Professor na Câmara Municipal</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;﻿﻿Em homenagem ao Dia do Professor, nesta quinta-feira (14), às 14h, o ex-senador, escritor, jornalista, desembargador e professor universitário aposentado, e ex-secretário da Justiça e da Segurança do RS, José Paulo Bisol, ocupará a tribuna da Câmara de Vereadores da Capital (Av. Loureiro da Silva, 255), quando fará pronunciamento em homenagem aos educadores.A proposição é da vereadora Sofia Cavedon, vice-presidente da Comissão de Educação da Casa Legislativa. A homenagem será transmitida ao vivo pelo Canal 16 da NET.Aos professores, Outubros melhores, Primaveras mais fecundas...&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Abaixo, mensagem de Sofia Cavedon a respeito: &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Outubros são sempre simbólicos. Com a Primavera, as cores, os perfumes o tempo ameno, as crianças e os professores são festejados. Meses de esperança e de novos propósitos, de desejos de mudança. Pois nem a infância está protegida, nem os professores valorizados como queremos e precisamos! &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Na era do conhecimento, da inovação, da velocidade, a educação segue no giz, no pó, na sala de lata, empobrecida nas condições físicas, nos salários, no currículo. Pede-se aos trabalhadores em educação que sejam homens e mulheres de boa vontade, aos pais compreensão quando se fecham bibliotecas para atender alunos sem aula, aos estudantes conformidade se não abre a sala de informática ou sequer existe... Trivializou-se tanto estas condições que o espanto e a indignação, quando expressos em mobilizações de trabalhadores ou de estudantes são, muitas vezes, repudiadas pela sociedade!A educação é exemplar da afirmação de Boaventura Souza Santos: tempos de mudanças vertiginosas e estagnação. Nunca tantas condições técnicas para superar desigualdade, miséria, violência, mas tão poucas condições políticas. O novo apartheid global que se estrutura, a retirada de direitos, a banalização da vida, o agravamento dos desequilíbrios ecológicos estão embaixo da capa da democracia sem condições democráticas, afirma ele. Embaixo do discurso da prioridade, a educação é miserabilizada. Quando o povo chega na escola, ela empobrece, superficializa, estagniza.Mas Outubros também são para o Brasil e para a Educação momentos de importantes escolhas! O povo brasileiro, apesar dos limites do sistema político, vai aprimorando sua avaliação buscando projetos, seriedade e compromissos.O Rio Grande escolheu um programa que afirma que uma educação democrática, de qualidade e para todos, é possível! É anúncio e compromisso com novos tempos para a Educação: de investimento e diálogo, de ampliação e qualidade.Estão de parabéns os professores e estudantes. As comemorações deste Outubros vão celebrar a esperança advinda das escolhas e vão anunciar Primaveras mais fecundas ainda!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Sofia Cavedon – Vereadora de Porto Alegre&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3781079153050474132-6041650910536398405?l=filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/feeds/6041650910536398405/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3781079153050474132&amp;postID=6041650910536398405' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/6041650910536398405'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/6041650910536398405'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/2010/10/dia-do-professor-na-camara-municipal.html' title='Dia do Professor na Câmara Municipal'/><author><name>Jorge Barcellos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13317457638691531178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3781079153050474132.post-2513129292327874973</id><published>2010-10-02T07:53:00.001-07:00</published><updated>2010-10-02T07:57:47.391-07:00</updated><title type='text'>A invenção da política</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.miscampinas.com.br/console/Materias/438.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 299px; FLOAT: left; HEIGHT: 406px; CURSOR: hand" border="0" alt="" src="http://www.miscampinas.com.br/console/Materias/438.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Este domingo é o dia da eleição. Todos aguardamos muito pela chegada deste dia. As escolas fizeram debates entre seus alunos. No trabalho, a política foi tema de discussões acalouradas. Em casa, a discussão sobre política mobilizou pais e filhos. Na imprensa, as eleições foram objeto de uma das mais importantes coberturas–investigativas de que se tem notícia: vimos a exaustão informações sobre atores políticos, sua história, suas idéias, seus méritos e suas contradições. Numa época em que se afirma o desinteresse com a política, como explicar tamanha vitalidade de interesse e participação dos cidadãos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Francis Wolff, especialista em filosofia antiga, a diferença ente as sociedades primitivas e a nossa está no fato de as primeiras são comunidades que evitam a política, resistindo com suas forças a tudo aquilo que se assemelhe ao poder, consequência da busca da chamada Terra Sem Mal “como se o mal aqui embaixo fosse a política”. Ao contrário, das sociedades gregas até a nossa desenvolveu-se um sentimento de amor pela política, expressão de sociedades que organizam-se politicamente e vivem da política. Diz o historiador J.-P. Vernant: “É a emergência de um campo privilegiado em que o homem se percebe capaz de regrar por ele mesmo, através de uma atividade de reflexão, os problemas que lhe concernem, depois de debates e discussões com seus pares”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inventar o político é assim fazer com que não haja outro poder além daquele que a própria comunidade exerce sobre si mesma, inventando ao mesmo tempo os meios para que ela tome o poder para enfrentar o mundo. Por esta razão, para Aristóteles, a política é o gênero de vida mais elevado, o que define a vida humana propriamente dita. Nada é mais digno para um homem do que viver a política, identificar-se com a boa política, considerada como uma dimensão única. Parafraseando Walter Benjamin e Zygmund Baumann, podemos afirmar que a política, assim como a vida, é uma obra arte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num mundo aparentemente tão desencantado para com a política, ver o frenesi que toma conta da população as vésperas de mais uma eleição é um motivo de alegria. Você pode discordar deste ou daquele ator político,mas por um movimento misterioso, você é arrastado pela política. No dia de hoje a sociedade brasileira, através das eleições, tem a oportunidade de reinventar si própria. Pois ainda que exista a corrupção, os Tiriricas da vida e todos aqueles que fazem com que a política seja algo ruim, a possibilidade de reconstruir tudo isso está sempre em aberto. Os espaços de discussão sobre política que criamos na vida cotidiana mostram que ainda acreditamos que é possível construir coletivamente o nosso futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por esta razão, no dia de hoje, vote. E, como diriam os antigos, vote bem, cuidando para que seu voto não fuja ao seu destino.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Publicado em Zero Hora em 02/10/2010&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3781079153050474132-2513129292327874973?l=filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/feeds/2513129292327874973/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3781079153050474132&amp;postID=2513129292327874973' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/2513129292327874973'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/2513129292327874973'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/2010/10/invencao-da-politica.html' title='A invenção da política'/><author><name>Jorge Barcellos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13317457638691531178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3781079153050474132.post-698088160978286022</id><published>2010-10-02T07:51:00.000-07:00</published><updated>2010-10-02T07:52:20.875-07:00</updated><title type='text'>Partenon Literário</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;É triste o destino das instituições culturais em nosso Estado: as grandes e oficiais, como o Memorial do Rio Grande do Sul, padecem da carência de recursos; as pequenas e particulares, sequer contam com sede para sua existência e sobrevivem pelo esforço e dedicação de seus integrantes. É o caso da Sociedade Partenon Literário. Criada em 1868, reuniu à época a nata da intelectualidade gaúcha; hoje sobrevive pela dedicação de meia dúzia de pesquisadores voluntários, entre eles Benedito Saldanha. Pior: não contam com nenhuma sala para seu acervo de preciosas obras de história do Rio Grande do Sul.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Partenon Literário é vítima da falta de políticas públicas para as pequenas iniciativas culturais. Em todo o Estado, pequenos produtores culturais produzem a base da cultura gaúcha. E eles não tem apoio nenhum do Estado. Deveriam ter. Em Porto Alegre, você já ouviu falar do rico acervo das Olimpíadas Universitárias de 1963, ou do rico acervo das fotografias das origens do futebol de várzea, ou ainda, do próprio acervo do Partenon Literário? São exemplos de acervos significativos de nossa história que hoje sobrevivem nas mãos de particulares quando deveriam contar com apoio do Estado e serem de acesso público. Já vimos imagens até de catadores de lixo que reúnem verdadeiras bibliotecas públicas e nada fazemos! Isto precisa mudar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As necessidades do Partenon Literário são pequenas: eles humildemente pedem uma sala apenas. Numa cidade do tamanho de Porto Alegre e com seu imenso parque cultural, imaginar que uma entidade cultural precise mendigar por um espaço é revoltante . Se não temos uma sala para oferecer a uma instituição centenária como o Partenon Literário  é porque há muito tempo deixamos de ter políticas públicas de cultura. E não faltam serviços que possam ser dados em troca: hoje o Partenon Literário realiza um Sarau Literário com amplo sucesso de público, em espaços cedidos por instituições de boa vontade. Mas depender da boa vontade das instituções não é a melhor forma de produzir cultura. É preciso mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí o nosso apelo a Secretário de Cultura do Estado: que encontre, entre os órgãos de cultura do Estado – e são muitos – um espaço para alojar a Sociedade Partenon Literário. Algo bom, simples e modesto, como é o Partenon hoje. Pois uma política cultural – e  a Secretária é criticada por não ter uma – exige ações que frutiquem, que sejam fecundas. É este o caso. Para a Secretária, que está prestes a abrir mão do cargo, esta seria uma última atitude que enobreceria sua gestão e que garantiria o futuro de uma institução que muito ainda tem a contribuir para a cultura do Estado. &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3781079153050474132-698088160978286022?l=filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/feeds/698088160978286022/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3781079153050474132&amp;postID=698088160978286022' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/698088160978286022'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/698088160978286022'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/2010/10/partenon-literario.html' title='Partenon Literário'/><author><name>Jorge Barcellos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13317457638691531178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3781079153050474132.post-3943714955663360822</id><published>2010-10-02T07:50:00.001-07:00</published><updated>2010-10-02T07:50:50.632-07:00</updated><title type='text'>A responsabilidade pelos acervos gaúcos</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A iniciativa da recuperação do acervo do jornalista e vereador Alberto André (Zero Hora, 22/4) tem um significado importante na trajetória das lutas pela preservação dos acervos gaúchos: é um exemplo da responsabilidade que deve assumir o poder público com relação à memória gaúcha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui responsável na Câmara Municipal de Porto Alegre pela formulação do seu projeto de salvamento. Em 2009, a família procurou a Câmara Municipal para ajudar a solucionar o problema em que havia se transformado a enormidade de livros e documentos acumulados em sua residência por Alberto André. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O levantamento preliminar mostrou que estávamos diante de uma biblioteca para amplo público. Alberto André possuía em seu acervo ricas e raras coleções de literatura dos anos 30 e 40; exemplares, às vezes de primeira edição, de obras consagradas de história, de ciências humanas e outras disciplinas e uma rica coleção de recortes de jornais (hemeroteca) onde se via a atenção que Alberto André dava aos temas da capital. Esse acervo não poderia ser perdido e nem objeto da disputa dos livreiros de plantão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde o inicio do projeto, o conceito central do projeto era de que o acervo era patrimônio que aspirava a ser público. Mas havia ainda outro motivo para empenhar-se na sua preservação: o fato de que no mesmo período, a cidade viu ir para outro estado os preciosos acervos de Érico Veríssimo e Mário Quintana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A estratégia que levou a preservar no Rio Grande do Sul este acervo atende pelo nome de parceria. Nenhuma das instituições envolvidas possuia condições de assumir sozinha o projeto, mas juntas, o salvamento era possível. Ao Legislativo e a Universidade Federal couberam o papel de assumir suas prerrogativas enquanto instituições públicas: a construção do Laboratório de Restauração deve ser entendida como elemento de uma política pública de preservação de acervos. Não é um Laboratório de primeiro mundo, é verdade, mas contém a estrutura básica para atividades do gênero: todo o mobiliário foi recuperado a partir de doações das instituições envolvidas e recursos de informática foram doados pela Câmara dos Deputados. É o exemplo de uma estratégia de salvamento a custo zero e que pode ser imitada!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O trabalho está apenas começando e é grande a responsabilidade da Universidade Federal. A participação da ARI foi essencial ao ceder espaço em sua sede e assumir o destino final do acervo, mas é como exemplo de uma política pública à serviço da preservação da memória que a experiência deve ser valorizada.   &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3781079153050474132-3943714955663360822?l=filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/feeds/3943714955663360822/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3781079153050474132&amp;postID=3943714955663360822' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/3943714955663360822'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/3943714955663360822'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/2010/10/responsabilidade-pelos-acervos-gaucos.html' title='A responsabilidade pelos acervos gaúcos'/><author><name>Jorge Barcellos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13317457638691531178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3781079153050474132.post-9147370430707087216</id><published>2010-10-02T07:48:00.001-07:00</published><updated>2010-10-02T07:48:37.813-07:00</updated><title type='text'>Museus e a Harmonia Social</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;"Não existe nada pior do que alguém querendo fazer o bem, principalmente o bem aos outros" Michel Maffesoli, A Parte do Diabo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Custódio é um dos grandes profissionais da memória do Rio Grande do Sul e  tem todo o nosso respeito e admiração, mas não posso deixar de manifestar estranheza pela publicação de “Os museus e a harmonia social” (ZH, 18/05). A razão é simples: em sua base, o conceito de harmonia é puramente Funcionalista - o tema agrada aos ouvidos mas há tempos foi superado pelas Ciências Sociais. Ver como tema escolhido pelo Conselho Internacional de Museus só pode ser um equivoco, já que poucos resultados pode dar na prática.  Senão vejamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ligada ao sociólogo Talcott Parsons, na concepção Funcionalista a sociedade é um organismo estável. Desenvolvida entre a II Guerra Mundial e a Guerra do Vietnã, desde os anos 60 começou a ser alvo de críticas, principalmente por aqueles que viam que o Funcionalismo promovia medidas ineficazes de mudança social. Além disso, o Funcionalismo é criticado por descrever instituições sociais apenas por seus efeitos e, dessa forma,  não explicar suas causas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E cá entre nós, a China não parece ser a melhor conselheira em termos de memória. Sinônimo de gigantismo e força, explora milhões de trabalhadores em suas manufaturas que trabalham sem parar. O Partido Comunista Chinês faz duras restrições aos jornalistas estrangeiros, defende uma memória oficial e o acesso a Internet e trasmissões da CNN e BBC chegaram a ser interrompidas no país. Apoiou o Sudão, fornecedor de petróleo a Pequim e acusado de matar milhares de pessoas em Darfur.  Defender políticas para a memória, em definitivo, não é com eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Melhor do que falar de harmonia, como sugere a Teoria do Consenso, seria falar em termos de Teoria do Conflito.  Desde Marx de Ideologia Alemã, temos a idéia de que para chegarmos a sociedade ideal devemos enfrentar os conflitos e desmascarar as ideologias. Frente ao processo galopante de produção do esquecimento, caracteristicos de nossa época, o melhor seria falar como Andréas Huyssein em “direito à memória”. Além disso, defender a idéia de que no Brasil a impera a miscigenação racial é outra forma de repetir a idéia de “cadinho da cultura”, divulgado por Gilberto Freire: nada mais sem conflitos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os museus tem um compromisso com o entendimento da realidade sim, mas esta, não é repleta de flores. Em seu âmago encontra-se a lógica do capital, explicitada em detalhes por Robert Kurz e Slavoj Zizek, que em tempos de globalização, não cessa de se expandir. No Dia Internanacional dos Museus, o que as instituições de memória e seus profissionais devem fazer, se quiserem de fato contribuir para a construção de uma sociedade melhor, é denunciar através de seu trabalho os conflitos e contradições que estão diante de seus olhos, e não lutar por uma suposta “harmonia social”. Que os agentes de memória devam encarar seriamente a questão de sua responsabilidade na crítica social, é o mínimo que se espera neste inicio do século XXI.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3781079153050474132-9147370430707087216?l=filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/feeds/9147370430707087216/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3781079153050474132&amp;postID=9147370430707087216' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/9147370430707087216'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/9147370430707087216'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/2010/10/museus-e-harmonia-social.html' title='Museus e a Harmonia Social'/><author><name>Jorge Barcellos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13317457638691531178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3781079153050474132.post-5630827739524272571</id><published>2010-10-02T07:43:00.000-07:00</published><updated>2010-10-02T07:44:03.398-07:00</updated><title type='text'>Em defesa da cidadania</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;João Carlos Nedel é vereador em Porto Alegre e dos bons. Quando o PT administrava a Prefeitura, denunciava sem parar as deficiências dos serviços públicos. Sua página na internet (&lt;/span&gt;&lt;a href="https://webmail.camarapoa.rs.gov.br/owa/redir.aspx?C=07b13c9f243a42e5909681caf29928c7&amp;amp;URL=http%3a%2f%2fwww.nedel.com.br%2f" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;www.nedel.com.br&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;) tem um diferencial: pedido de providências on line. Que sacada! Eis um vereador adiante de seu tempo. Isto é bom para a democracia, é bom para a cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É por isto que causa espanto seu debate com a Verª Sofia Cavedon nas páginas do Jornal do Comércio (JC 1º e 6 /7 /2010). Sofia é contra a privatização do Cais do Porto, do Morro Santa Teresa e do Auditório Araújo Viana. Acredita que esta política só favorece a especulação e o enriquecimento privado, retirando direitos dos pobres e necessitados. Nedel defende a posição do governo porque acredita que, se nada for feito, não resolveremos os problemas da cidade.  Diante do impasse, quem está com a razão?.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que diferencia o argumento de Sofia do de Nedel é que, enquanto ela afirma que existem bens na cidade que só os cidadãos são capazes de decidir sobre o seu destino – a defesa da participação -  ele afirma que os governantes são competentes para esta decisão  – a defesa da representação. O debate aponta para a necessidade de rever os contornos da pluralização da representação política nos municípios, isto é, a importância de considerar também a diversificação do lócus, das funções e dos atores da representação política para além do legislativo e do executivo. E nisto, Sofia tem razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A legitimidade dos interesses dissonantes do governo tende cada vez mais a ocupar o espaço do debate público e cabe aos políticos assumirem seu papel de mediadores neste processo. Nenhuma legitimidade é  "inerente" ao fato de ser governo,  e mais do que se oporem, há inegável complementaridade entre democracia participativa e democracia representativa. Deu conflito? Plebiscito.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3781079153050474132-5630827739524272571?l=filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/feeds/5630827739524272571/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3781079153050474132&amp;postID=5630827739524272571' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/5630827739524272571'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/5630827739524272571'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/2010/10/em-defesa-da-cidadania.html' title='Em defesa da cidadania'/><author><name>Jorge Barcellos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13317457638691531178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3781079153050474132.post-4878162456444971830</id><published>2010-10-02T07:41:00.001-07:00</published><updated>2010-10-02T07:41:49.779-07:00</updated><title type='text'>O desejo secreto do Ministério Público</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Notícia de Zero Hora (13/7) anuncia um terremoto para os mais de 15 mil funcionários públicos de Porto Alegre. O promotor Eduardo Iriart está propondo a redução dos já depauperados salários dos funcionários públicos municipais.  É dele a idéia de redução dos valores de cálculo das gratificações e regime dos servidores públicos. Em seu entendimento, há um erro no calculo salárial que precisa ser revisto e por esta razão os salários devem ser reduzidos. Culpa do efeito cascata. Sua ação inicial é contra o DMAE, DMLU, Demhab e FASC, justamente os órgãos onde os salários são mais depauperados. Iriart pode até estar certo tecnicamente em seu pleito, do alto de seu magnífico salário de promotor público. Mas o fato é que  sua pequena justiça fará uma grande injustiça a centenas de funcionários públicos. Vale a pena corrigir um mal menor para produzir um mal maior?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que está em andamento é o ensaio geral de um amplo processo de redução dos direitos dos servidores públicos. Se tiver sucesso em sua jogada, Iriart  terá conseguido algo que nem os neoliberais em seus melhores sonhos ousaram imaginar: um galopante processo de proletarização da função pública. A quem interessa essa ação? Não à sociedade, que precisa dos servidores públicos e reconhece seus parcos salários. A verdade é que com a democratização, o MP assumiu uma função primordial na defesa dos mais necessitados. O problema é que, como o MP nasceu constitucionalmente com a ampla e vaga função de “ defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis”,  passou a ser fiscal de tudo e de todos, sem exceção. Mais: essa tarefa constitucional terminou por alterar sua cultura de organização pública. Com o ego inflado pela cobertura jornalística, tendo ascensão meteórica no plano público, o MP não tardou a realizar por conta própria investigações, gerando conflitos entre os poderes, como foi no caso do assassinato do vice-prefeito Eliseu Santos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que pretende Iriart pode ser legal, mas certamente não é justo. Ele é o pivô do  nascimento de uma crise no Estado que só pode ter um objetivo: produzir um único  vitorioso, o próprio MP, que assim dá mais um passo na construção de seu projeto secreto, o de  transformar-se no Quarto Poder, e assim, assumir a posição que realmente deseja e oculta, a de se transformar na única referência pública. Isso é profundamente religioso: o MP quer se tornar Deus.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3781079153050474132-4878162456444971830?l=filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/feeds/4878162456444971830/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3781079153050474132&amp;postID=4878162456444971830' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/4878162456444971830'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/4878162456444971830'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/2010/10/o-desejo-secreto-do-ministerio-publico.html' title='O desejo secreto do Ministério Público'/><author><name>Jorge Barcellos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13317457638691531178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3781079153050474132.post-7345265537404043367</id><published>2010-10-02T07:39:00.000-07:00</published><updated>2010-10-02T07:40:51.910-07:00</updated><title type='text'>Como na França</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Fábio Wrasse (PDT), o presidente da Câmara de Triunfo, é igual a Carlos Napoleão Bonaparte.  Quem é este? É, antes de tudo, o farsante que protagonizou um golpe de estado para continuar no poder na França em 1851. Eleito presidente do país em 1848, três anos depois impôs uma ditadura em 2 de dezembro de 1851. A data era também o aniversário de 47 anos da coroação de seu tio, o general e estadista Napoleão Bonaparte, como imperador da França. É essa repetição de Napoleões no poder que inspira Karl Marx  em sua obra  “O 18 do Brumário de Napoleão Bonaparte” a cunhar a máxima “A história acontece como tragédia e se repete como farsa”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É nisso que Fábio Wrasse e Carlos Napoleão Bonaparte se assemelham. Os dois são exemplos de uma tragédia que retorna como farsa. Quando a RBS TV noticiou em 2006 que vereadores e servidores de câmaras municipais usavam diárias para fazer turismo, já era de se ficar de cabelo em pé.  Quando em 2008,  nova reportagem mostrou a viagem de um vereador e quatro assessores de Eldorado do Sul à Criciúma, para ganhar diárias, a sensação era de “déjà vu”.  E agora, quando vemos Fábio Wrasse correndo das câmaras de tv como o diabo da cruz estamos diante da farsa, este ato burlesco e ridículo de maus políticos e que há muito deveria ter sido varrido da política.      &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que a sociedade exige a mais de quatro anos é que os políticos sejam responsáveis com a máquina pública. A viagem de “férias” dos vereadores é mais do que um gesto de pura libertinagem infantil, é a negação do significado de república. Inventado pelos romanos, a palavra república vem do latim res (coisa) e pública (pública), ou seja, algo que diz respeito a todas as pessoas que vivem na sociedade, em latim, civitas. Quando dizemos que algo é republicado, é porque queremos dizer que pertence ao todo social, a todos os cidadãos. É o caso do dinheiro público.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estas “arapucas” de fazer dinheiro, os cursinhos de vereadores, precisam ser combatidas. Exemplos da corrupção da boa idéia de formação, elas devem ser substituídas pela formação nas Escolas do Legislativo, que já existem em muitos parlamentos, e pelos cursos promovidos por entidades idôneas, como a Associação dos Servidores de Câmaras Municipais do Rio Grande do Sul (ASCAM) ou da Associação Brasileira de Servidores de Câmaras Municipais (ABRASCAM), ou pelas Universidades públicas e  privadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qualificar servidores e políticos é uma necessidade. Os exemplos de farra de diárias são nefastos à democracia  porque destroem a crença na política e o valor da qualificação dos políticos. Esses maus exemplos não devem fazer abandonar nossas esperanças nas instituições políticas e nem o valor da formação de seus agentes; devem-nos, isto sim, levar-nos a disciplinar, com maior rigor, as formas de seu exercício, para possibilitar aos bons políticos condições para seu trabalho e impedir os maus políticos de se locupletarem com a função pública.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3781079153050474132-7345265537404043367?l=filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/feeds/7345265537404043367/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3781079153050474132&amp;postID=7345265537404043367' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/7345265537404043367'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/7345265537404043367'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/2010/10/como-na-franca.html' title='Como na França'/><author><name>Jorge Barcellos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13317457638691531178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3781079153050474132.post-5342418981027432715</id><published>2010-10-02T07:29:00.000-07:00</published><updated>2010-10-02T07:31:37.056-07:00</updated><title type='text'>A Infraero Mata</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Gilles Lipovetsky, na obra  Tela Total (Editora Sulina), diz que o espetáculo de nossa época  é ver telas do cinema espalhadas pelo mundo. Da televisão ao telefone celular, do computador ao telefone e de restaurantes à aeroportos  “mesmo confrontado com desafios de produção, o cinema continua sendo uma arte de um poderoso dinamismo, cuja criatividade não está de modo algum em declínio. O tudo-tela não é o túmulo do cinema: mais do que nunca este demonstra inventividade, diversidade, vitalidade”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Menos em Porto Alegre, desde que uma decisão oficial da Infraero determinou o fechamento do Aeroguion. É mais um cinema que morre na capital. Localizado no Aeroporto Salgado Filho, foi o primeiro complexo de cinema a se localizar no interior de um aeroporto na América Latina, numa época em que o cinema já se tornou parte da paisagem dos grandes aeroportos internacionais. Possuía uma programação de qualidade e público cativo mantido pelos “atrasos” constantes de nossas companhias aéreas e pelo inúmeros fechamentos do aeroporto por mal tempo. O cinema no aeroporto significou, além de cultura, diminuição de sofrimento de centenas de passageiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disponibilizar a área de um cinema para caixas bancários e órgãos que poderiam ficar no aeroporto velho é o típico exemplo de como é tratada a cultura em nosso país. Michel Foucault, numa conferência de 1979 nos Estados Unidos, explicava que a função da critica é vigiar os abusos de poder da racionalidade política. Vendo a atitude da Infraero, o que se observa é que na base do argumento está a idéia da sua desresponsabilização com a cultura cuja causa é o pouco conhecimento de seus gestores do alcance real de um governo. Numa palavra, o que falta a Infraero é visão sistêmica de sua função.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato é que o cinema cult é o único que dispomos para enfrentar o cinemão americano. Sem sua contribuição, obras do cinema independente jamais chegarão ao público. Com o fechamento do Aeroguion, perdem todos. Sempre coube a área governamental proteger os gêneros que compõem a cultura erudita, como o cinema e a Infraero tem sim uma responsabilidade: colaborar, na sua esfera de influência, para a consolidação da cultura, no caso, cinematográfica. Cabem aos gestores públicos pensar orgânica e integradamente a área cultural e entender a contribuição que podem e devem dar as necessidades mais agudas da área cultural com as políticas públicas, em que, até prova em contrário, a Infraero foi incapaz de fazer&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3781079153050474132-5342418981027432715?l=filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/feeds/5342418981027432715/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3781079153050474132&amp;postID=5342418981027432715' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/5342418981027432715'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/5342418981027432715'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/2010/10/infraero-mata.html' title='A Infraero Mata'/><author><name>Jorge Barcellos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13317457638691531178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3781079153050474132.post-7092376742026303058</id><published>2010-09-14T04:58:00.000-07:00</published><updated>2010-09-14T05:02:07.029-07:00</updated><title type='text'>Viaduto da Borges e Smic</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_s_LM2RHsrpA/SS4LPXLeJZI/AAAAAAAABR8/tDeQ8NUoND8/s400/viaduto-borges_cr1.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 380px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_s_LM2RHsrpA/SS4LPXLeJZI/AAAAAAAABR8/tDeQ8NUoND8/s400/viaduto-borges_cr1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A SMIC revelou o projeto de criar uma Parceria Público Privada para administrar o Viaduto Otávio Rocha. A iniciativa irá retirar os atuais permissionários que estão em parte em dívida com a Secretaria, para entregar a uma empresa a concessão dos espaços do viaduto por vinte anos. A decisão revoga a posição assumida por José Fogaça em dezembro de 2008, quando o então prefeito reconheceu, em entrevista ao Jornal do Centro, que aprovava a renegociação das dívidas com a SMIC ”Os permissionários do Viaduto Otávio Rocha estão em processo de negociação com a Secretaria Municipal de Indústria e Comércio, para fins de parcelamento do total da dívida das 27 lojas, no valor de R$ 115.130,69. (Jornal do Centro, Edição 129, dezembro de 2008). Hoje os valores chegam a mais de 200 mil, segundo a SMIC.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ems sua defesa, os permissionários organizaram um movimento inédito na capital, o Movimento de Revitalização e Humanização do Viaduto Otávio Rocha. Para seus integrantes, a nova política vai na contramão das políticas de preservação do patrimônio imaterial da própria Prefeitura: ali encontram-se profissões e profissionais antigos da capital que ainda sobrevivem, como ourives, sapateiros e relojoeiros, e que prestam seus serviços a cidade, entre outros profissionais. O Viaduto da Borges não é apenas um viaduto, é lugar de cultura imaterial, encarnada em seus trabalhadores. Eles tem dívidas, é verdade, mas estão dispostos a pagar. Mais, tem o apoio de outros movimentos sociais e entidades que defendem a preservação dos moradores antigos no lugar. Sua luta envolve a preservação de seu espaço e de sua cultura naquele espaço. Se a proposta da SMIC vingar, um movimento social e uma cultura serão extintos. É disso que se trata. E justamente dos trabalhadores que tem lutado pela valorização do Viaduto, daí a injustiça. É deles a proposta de realização de atividades culturais para reaproveitamento turístico e econômico do viaduto, com os artesãos que lá se encontram. Não seria uma boa idéia?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Publicado no Jornal do Comércio de 14 de setembro de 2010. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3781079153050474132-7092376742026303058?l=filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/feeds/7092376742026303058/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3781079153050474132&amp;postID=7092376742026303058' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/7092376742026303058'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/7092376742026303058'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/2010/09/viaduto-da-borges-e-smic.html' title='Viaduto da Borges e Smic'/><author><name>Jorge Barcellos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13317457638691531178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_s_LM2RHsrpA/SS4LPXLeJZI/AAAAAAAABR8/tDeQ8NUoND8/s72-c/viaduto-borges_cr1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3781079153050474132.post-6622695911396916148</id><published>2010-08-26T04:24:00.000-07:00</published><updated>2010-08-26T04:27:37.652-07:00</updated><title type='text'>Somos todos lixo</title><content type='html'>&lt;a href="http://api.ning.com/files/4KblC1wNtTfqsT0577omWPZpjcIljtecbf2ozfGzRmmP029NI77KnCzrHqfKNwiju-l3sfPVcwZK5HtzDm*rQ67bD-vxlLX*/Zygmunt_Bauman_by_Kubik.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 360px; CURSOR: hand; HEIGHT: 480px" alt="" src="http://api.ning.com/files/4KblC1wNtTfqsT0577omWPZpjcIljtecbf2ozfGzRmmP029NI77KnCzrHqfKNwiju-l3sfPVcwZK5HtzDm*rQ67bD-vxlLX*/Zygmunt_Bauman_by_Kubik.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Há cerca de um ano, baixei por um plano de saúde para uma cirurgia no Hospital da PUC. A Emergência já era lotada: pacientes do Interior e da Capital disputavam comigo a atenção dos médicos. Mas, se podemos dizer assim, ainda era uma situação “administrável”: recebi a atenção necessária, a identificação dos sinais de diagnóstico foi feita com cuidado, os exames foram realizados de acordo com o protocolo, a determinação para a intervenção cirúrgica tomada e o leito providenciado. A anestesista tratou de me tranquilizar: pode-se dizer que nesse tempo ainda era possível ser tratado como um ser humano pelo sistema de saúde. Fui salvo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Hoje esta realidade está cada vez mais distante.É a imagem que fica ao vermos a reportagem de Zero Hora (25/09). Mas não se trata apenas de uma situação de calamidade do sistema de saúde pública e privada, como aponta o Simers. Por que centenas de médicos e enfermeiros esforçam-se para cumprir sua missão e fracassam nesta tarefa? A razão, para Robert Kurz, deve ser buscada no fato de que a crise da saúde é parte integrante da reprodução atual do capital, que atinge agora camadas sociais que até então haviam sido poupadas, como a classe média. A reprodução capitalista é perversa e caracterizada, entre outras coisas, pela defesa de um estado “magro”: o fim do Estado social se dá menos pela redução de verbas e mais pelos investimentos aquém dos necessários, desproporcionais às reais necessidades de saúde e educação. É a morte lenta.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Zygmund Baumann destaca que esta é a forma de o capital lidar com aquilo que ele denomina de “lixo humano”: “Todo modelo de ordem é seletivo e exige que se cortem, aparem, segreguem, separem ou extirpem as partes da matéria-prima humana que sejam inadequadas para a nova ordem, incapazes ou desprezadas para o preenchimento de qualquer de seus nichos. Na outra ponta do processo de construção da ordem, essas partes emergem como ‘lixo’, distintas do produto pretendido, considerado ‘útil’”. O desmantelamento do sistema de saúde é a forma dissimulada e perversa do capital de dar cabo dessa grande quantidade de “lixo” que para ele somos nós, processo de aniquilação de certo número de seres humanos pela negação de acesso ao sistema de saúde. Numa palavra, a saúde transformou-se na nossa Matrix.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Quando havia ricos e pobres, o acesso aos leitos se dava pelos planos de saúde. Agora, quando desaparecem as diferenças estruturais de classe na estrutura de reprodução capitalista, somente os muito ricos ocupam os leitos dos hospitais, enquanto que o resto disputa o que sobrar. A “solução barata” encontrada pelos governos recentes, na melhor das hipóteses, conseguiu uma miséria generalizada. Cabe aos cidadãos, às vésperas das eleições, prestar atenção nas propostas para a reforma da saúde pública e privada e, aos candidatos, formular suas propostas com conteúdo&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Publicado em Zero Hora em 26/08/2010&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3781079153050474132-6622695911396916148?l=filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/feeds/6622695911396916148/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3781079153050474132&amp;postID=6622695911396916148' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/6622695911396916148'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/6622695911396916148'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/2010/08/somos-todos-lixo.html' title='Somos todos lixo'/><author><name>Jorge Barcellos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13317457638691531178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3781079153050474132.post-8419358192825615392</id><published>2010-08-23T06:51:00.001-07:00</published><updated>2010-08-23T06:51:53.739-07:00</updated><title type='text'>Hélio de La Peña está errado!</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A defesa de Hélio de La Penã da liberdade de usar o humor no período do horário eleitoral está errada e é um desserviço à democracia. Ao contestar a Lei 9504/87, o humorista  esquece que,  se “o humor é necessário para a vida” (“Ludus est necessarius ad conversationem humanae vitae) como prega São Tomás de Aquino,  um “bem útil” ao homem e a sociedade, esquece que o mesmo filósofo também afirma que o  humor pode ser um vício por excesso, ou seja, por falta de controle e mediocridade no seu uso. São Tomás  queria dizer com isso que aqueles que exageram no brincar são inoportunos, estão fora do lugar, por quererem fazer rir constantemente em momentos sérios e por isso acreditava que a virtude estava no uso conveniente do humor para a construção da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, não é isso que fazem nossos humoristas, salvo raras exceções, quando se trata de política. O poder dos programas de humor está no espaço que ocupam nos veículos de comunicação e que lhes dá a oportunidade de colaborarem na construção (ou destruição) de uma determinada visão de política na sociedade - a regra geral é a tendência do humor brasileiro de reforçar o preconceito para com a política. “Política: fique longe disso” é a mensagem que seus programas carregam, nada mais perigoso para a democracia, que vive da participação popular. Qual a origem deste poder? Médium vem do latim e significa “aquele que está a meio”. A comunicação, situando-se a meio caminho entre as instituições políticas e a sociedade, tem papel fundamental para a formação da opinião pública. Se o humor atribui significados negativos à política – não estamos dizendo que não existem maus políticos, que les hay, eles hay – ele contribui para criar o entendimento compartilhado de que toda a política é algo vil e infame, um problema do ponto de vista da democracia, da defesa das instituições públicas e dos agentes públicos que buscam construir a boa política.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este é um momento especial para a cidadania. A política necessita da comunicação sim, mas não da comunicação superficial, limitada a um humor escrachante, previsível e alienante, mas de uma comunicação definida culturalmente, baseada na troca de informações. O papel da comunicação deve ser o da manutenção dos vínculos da comunidade à idéia de cidadania e participação. O humor atua na contramão desse sentido, já que incentiva a não participação, a rejeição e a negação da política - ainda que ela tenha todos os problemas que conhecemos, sem ela diminuímos as chances de ter uma sociedade melhor. A sociedade, a “receptora” de toda esta informação, só pode concordar com os humoristas. É aí que reside o problema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os limites dado ao humor pela Lei visam reduzir a capacidade de alienação que existe nos veículos de comunicação. Aliás, vem do interior da própria televisão a crítica ao que se tornou o veículo. Aracy Balabanian resumiu a questão: “tudo ficou tecnicamente melhor, mas a televisão sofreu um empobrecimento(...)A TV se esvaziou” (Folha de São Paulo, 8/8/2010). Queiram ou não os autores de humor, os textos que são escritos para os programas de humor estão longe de ser o que se poderia chamar de “humor inteligente”, e ao contrário, passam mensagens subliminares que provocam alienação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O debate político não se faz com piadas, mas com idéias e programas humorísticos não esclarecem a população, ao contrário, reproduzem preconceitos e a afastam do debate público. Passado o horário eleitoral, os humoristas poderão voltar a sua prática de sempre, falar mal dos políticos sem chegar a lugar algum, mas pelo menos, a democracia não terá sido vilipendiada. O público pode conhecer os programas humorísticos, mas a presença cada vez maior de um humor que apela aos sentimentos mais primitivos ainda é prova de que ele pouco tem a contribuir com a construção de cidadãos críticos. Há bons e maus humoristas, como há bons e maus políticos, mas o mau humor político é como a má política, é um desserviço à democracia e deve ser combatido. Não é hora de riso, mas de atitude séria: é o futuro da democracia que está em questão no momento do voto.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3781079153050474132-8419358192825615392?l=filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/feeds/8419358192825615392/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3781079153050474132&amp;postID=8419358192825615392' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/8419358192825615392'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/8419358192825615392'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/2010/08/helio-de-la-pena-esta-errado.html' title='Hélio de La Peña está errado!'/><author><name>Jorge Barcellos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13317457638691531178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3781079153050474132.post-2807930836944421748</id><published>2010-08-23T06:47:00.000-07:00</published><updated>2010-08-23T06:48:43.110-07:00</updated><title type='text'>O dia do patrimonio histórico, 17 de agosto</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;No dia 17 de agosto comemora-se o Dia do Patrimônio Histórico Nacional. A data assinala o nascimento do historiador e jornalista Rodrigo Mello Franco de Andrade (1898-1969) e foi instituída por meio da Lei nº 378, de 1937. Nesta época, governo Getúlio Vargas criou o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), onde o historiador trabalhou até o fim da vida, e a data passou a ser celebrada a partir de 1998, quando o célebre defensor do patrimônio faria 100 anos. A importância de celebrá-la, no entanto, não está somente no fato de valorizar as coisas tangíveis e intangíveis caracteriza uma população, mas principalmente, por atualizar a problemática da memória no campo social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A preocupação com a centralidade da memória na cultura das sociedades ocidentais é um dos fenômenos mais surpreendentes dos últimos vinte anos, que assistiram a uma profusão de memoriais, museus, centros de memória e instituições voltadas para a memória, no âmbito público e privado. O que é um paradoxo, já que a cultura moderna sempre foi voltada para o futuro, como se vê no estalinismo às artes do século XX. Na origem deste paradoxo está a emergência de um galopante processo de globalização da memória. Iniciado nos anos 60 como conseqüência do processo de descolonização e dos novos movimentos sociais, a memória transformou-se em elemento chave na organização social e sofreu, nos anos 80, um reforço com os discursos sobre a memória do Holocausto. A memória está, de uma vez por todas, na agenda atual. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que também é um problema, haja vista que  o marketing tem tido cada vez mais êxito em transformar a memória em produto da indústria cultural. Ela foi transformada em produto a ser vendido pela industria cultural, em reação aquilo que a sociologia da cultura alemã, especialmente com Gerhard Schulze,  denominou de “Erlebnisgesellschaft”, literalmente, sociedade da vivência. Agora, a indústria cultural não trata apenas vender a idéia de que vivemos uma sociedade que privilegia experiências intensas, porém superficiais, orientadas para a felicidade instantânea, porém com rápido consumo de bens. Agora, trata-se de reagir a essa cultura em que bens que tem história, tradições que são milenares e espaços são vendidos pelo seu tempo de existência. O problema desta forma de abordagem é a despolitização que faz da memória, deshistoricização que mata pela memória a própria memória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Dia do Patrimôno deve servir para defender que a memória é uma questão política e recusar as visões que tratam a memória como mercadoria.  Dos discursos sobre a África do Sul depois do Apartheid à questão dos desaparecidos políticos na América Latina, a discussão da memória e do patrimônio deve em primeiro lugar, servir para dizer quem de fato somos nós.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3781079153050474132-2807930836944421748?l=filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/feeds/2807930836944421748/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3781079153050474132&amp;postID=2807930836944421748' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/2807930836944421748'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/2807930836944421748'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/2010/08/o-dia-do-patrimonio-historico-17-de.html' title='O dia do patrimonio histórico, 17 de agosto'/><author><name>Jorge Barcellos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13317457638691531178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3781079153050474132.post-2707727853306638287</id><published>2010-07-21T06:32:00.001-07:00</published><updated>2010-07-21T06:34:59.512-07:00</updated><title type='text'>Ervino Besson, um homem simples</title><content type='html'>&lt;a href="http://bancodeimagenscmpa.procempa.com.br/imgs_m/4b156c3a9a9c91.47298627"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 312px; CURSOR: hand; HEIGHT: 470px" alt="" src="http://bancodeimagenscmpa.procempa.com.br/imgs_m/4b156c3a9a9c91.47298627" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A morte prematura de Ervino Besson provoca tristeza no legislativo de Porto Alegre. Vereador dedicado à cidade, quando não se reelegeu, manifestações de pesar vieram de todos os campos partidários. A razão é que Besson era valorizado pela sua simplicidade. Nunca renegou que sempre foi um padeiro, um homem simples que chegou à Câmara Municipal. Esta simplicidade não impediu que legasse projetos de valor, como o Banco Municipal de Remédios, para reaproveitar medicamentos ou as medidas que desenvolveu contra o desperdício de alimentos. Para Besson, a grandeza da política estava em como fazemos as pequenas coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez por isso valorizasse imensamente a educação. Defendia a responsabilidade do legislativo para com a educação política dos jovens. Participou de várias Sessões Plenárias do Estudante e vibrava com isso talvez porque, de alguma maneira, via seu olhar refletido no olhar daquelas crianças que visitavam o parlamento. Lembrava com entusiasmo a herança de Leonel Brizola na educação e sua experiência nas brizoletas, casas de madeira simples onde sua geração aprendeu as primeiras letras. Ensinava aos jovens a importância de participar da vida pública sempre com muita simplicidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maso que significa ser um homem simples? Significa preferir o aperto de mão à internet, a conversa olho no olho ao chat, o sorriso às redes sociais. Num tempo em que a política transformou-se em indústria, ele era um artesão. Num tempo em que as megacampanhas ganham eleições, preferia a conversa miúda com o eleitor. Num tempo onde prevalece a midialização da política, preferia a atuação direta na comunidade. Num tempo em que o trabalho intelectual é supervalorizado, ele se definia como um trabalhador manual. Que sua memória seja a de que podemos encontrar a profundidade do mundo nas coisas&lt;/span&gt; simples.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Publicado no Jornal do Comércio em 21/07/2010&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3781079153050474132-2707727853306638287?l=filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/feeds/2707727853306638287/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3781079153050474132&amp;postID=2707727853306638287' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/2707727853306638287'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/2707727853306638287'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/2010/07/ervino-besson-um-homem-simples.html' title='Ervino Besson, um homem simples'/><author><name>Jorge Barcellos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13317457638691531178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3781079153050474132.post-8178934598523970244</id><published>2010-07-02T11:11:00.000-07:00</published><updated>2010-07-02T11:13:49.967-07:00</updated><title type='text'>O fim da infância</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Está circulando na internet (http://primeirainfancia.org.br/2010/05/carta-da-rnpi-para-os-parlamentares/) a carta elaborada pela Rede Nacional Primeira Infância, formada por 74 organizações da sociedade civil, do governo, do setor privado, de organizações multilaterais e outras redes de organizações, dirigida aos deputados e senadores da República solicitando o reexame do dispositivo constante do PL 6.755/2010 (original PLS 414/2008) que estabelece em seu artigo 6º o dever dos pais ou responsáveis de efetuar a matrícula dos menores a partir dos cinco anos no Ensino Fundamental. A idade é reiterada no artigo 32 do mesmo projeto, que diz que o Ensino Fundamental, com duração de nove anos, inicia-se aos cinco anos de idade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Tais entidades questionam o projeto de lei porque entendem que ele implica o fim do direito de ser criança. Para tais entidades, trata-se de um verdadeiro roubo da infância, na medida em que a criança tem o direito de viver segundo suas características físicas, biológicas e psicológicas. Este direito é roubado porque “começar a primeira série do Ensino Fundamental aos cinco anos e um dia equivale a perder a infância, a criança impedida de ser criança, é proibida de brincar”.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A Rede Nacional da Primeira Infância tem razão em sua luta. Os educadores há muito tempo defendem a expansão da educação pré-escolar e não a inclusão das crianças de cinco anos na educação fundamental. É consenso dos educadores que a educação pré-escolar é a que atende de forma mais adequada a uma pedagogia da primeira infância, pois é a que mais consegue preservar “o direito de brincar” da criança. Para eles, a inclusão de crianças de cinco anos na primeira série só fará mal a elas, pois, do jeito que está o sistema, a insere de forma inadequada no Ensino Fundamental. Além disso, a sociedade e a família não ganham nada diminuindo o período da infância e suprimindo um ano de educação pré-escolar, já que só há consequências perversas com tal dispositivo: amplia-se a produção de estresse infantil devido aos problemas de inadequação aos longos horários, ou os causados pelo uso das cadeiras escolares e até mesmo pelo aumento da reprovação. Já baixamos o limite de acesso à educação de sete para seis anos, e agora, querem cinco. Onde isso vai parar?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A luta é motivo para reflexão. Ver educadores em um movimento político sempre é motivo de contentamento. Mais ainda quando liderados por Vidal Didonet, um dos maiores especialistas em educação infantil e cuja luta mostra que os professores não estão dispostos a abandonar a defesa da educação. Mostra que os professores são capazes de se mobilizar e rapidamente tentar reverter o impacto de más políticas públicas. Que o campo destas políticas seja ainda um lugar de lutas sociais, é um alento. Num mundo em que cada vez mais se afirma o desencanto dos educadores com a política, observar como eles são capazes de se mobilizar em defesa do respeito às características da infância, em defesa da educação de qualidade e valorizando as instituições democráticas mostra que os movimentos sociais ainda têm uma grande contribuição a dar quando se adentra no século 21.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Publicado em Zero Hora, 02/7/2010&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3781079153050474132-8178934598523970244?l=filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/feeds/8178934598523970244/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3781079153050474132&amp;postID=8178934598523970244' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/8178934598523970244'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/8178934598523970244'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/2010/07/o-fim-da-infancia.html' title='O fim da infância'/><author><name>Jorge Barcellos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13317457638691531178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3781079153050474132.post-9052664314232122357</id><published>2010-06-26T10:06:00.000-07:00</published><updated>2010-06-27T15:36:53.083-07:00</updated><title type='text'>Sobre o poder das cartas</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Recebi uma carta de Paul Virilio. Eu havia enviado uma carta a ele convidando-o a um evento em Porto Alegre. Eu sabia que Virilio não responderia um e-mail, mas que eu tinha grandes chances de ter uma carta respondida. Cartas são artesanais; e-mails, industriais; cartas são pessoais; e-mails são impessoais; cartas são demoradas, mas que valor tem as respostas se não temos expectativas. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Paul Virilio sempre manifestou em seus livros seu ceticismo com a tecnologia. Esse arquiteto e filosofo tinha algo da Escola de Frankfurt, na crítica  a tecnologia. Mas ela não vinha de um marxismo de formação, ao contrário, vinha de sua experiencia de vida, como sobrevivente da segunda guerra mundial.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Quis traze-lo a Porto ALegre, mas ele disse que não vem, há muitos anos não sai da França. O maior dos filosofos franceses prefere dizer o que tem a dizer ao mundo por seus livros, não se interessa em viajar. Não se interessa por grandes conferencias. O autor de Velocidade e Política, entre outros títulos, que teve o pensamento retratado em um documentário da tevê francesa, continua um homem que critica o presente para manter o valor das coisas do passado que realmente importam . Cartas. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O mundo de cartas auxilia mais nossa memória do que os recursos tecnologicos. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Vou emoldura-la.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3781079153050474132-9052664314232122357?l=filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/feeds/9052664314232122357/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3781079153050474132&amp;postID=9052664314232122357' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/9052664314232122357'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/9052664314232122357'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/2010/06/sobre-o-poder-das-cartas.html' title='Sobre o poder das cartas'/><author><name>Jorge Barcellos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13317457638691531178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3781079153050474132.post-4908335050405044880</id><published>2010-06-22T12:53:00.001-07:00</published><updated>2010-06-23T07:25:57.924-07:00</updated><title type='text'>Homenagem a Lauro Hagemann</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A Cãmara Municipal é muito criticada pelos eventos e homenagens que realiza. Consideradas perda de tempo e de pouca serventia para as funções de desenvolvimento da cidade, é o tipo de lugar que recebe criticas da imprensa e dos formadores do senso comum. Nada mais equivocado quando se trata de constatar o seu papel de reforço da memória social que cumpre para a cidade. Homenageamos porque queremos fixar na memória social a constribuição de um determinado ator social. Mais, homenageamos porque a cidade, para se desenvolver, precisa de referências, símbolos nos quais se agarrar, modelos de ética e valor, exemplos de trabalho e dedicação &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;Hoje recebeu o título honorífico da Câmara Municipal o ex-vereador Lauro Hagemann. Título merecido por anos de dedicação a cidade. Lauro Hageman foi a voz do Reporter Esso por décadas, foi comunista e assumiu os riscos que tal filosofia representava durante o arbítrio. Conheci-o como vereador, já lá se vão vinte e cinco anos, logo que ingressei na Cãmara Municipal, como vereador do PCB, que então propunha temas sociais a pauta do legislativo, acompanhava as lutas de moradores de rua, sem terra - os excluidos sociais e o nascimento dos movimentos urbanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cerimonia contou com a presença do Prefeito, mas também de uma geração que acompanhou a trajetória de Hagemann. Ele, com sua voz penetrante, soube retribuir os elogios. O diálogo entre Hagemann e João Dib, outro patriarca do Legislativo, do alto dos seus oitenta e um anos (para um, oitenta para outro), era repleto de companheirismo. A cena reforçava a idéia de geração política, de uma política que começa a ser construida com base na técnica, no conhecimento, na informação. Hagemann, que trazia leituras do marxismo para a prática política; Dib, que trazia a experiência de administrador - ele é engenheiro - para o parlamento. É, numa palavra, ambos representam os primordios do nascimento de uma geração mais intelectualizada e menos populista no parlamento, uma geração que começa a falar com conhecimento de causa e não com discursos preparados por assessores; uma geração que começa a se especializar em áreas da cidade, e não vive fazendo política sobre tudo o que vem pela frente. Exemplo de cidadão e homem público, a homenagem é merecida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As homenagens do poder legislativo não são perda de tempo. Ao contrário, cumprem a importante função de constituir um espaço de preservação da memória da cidade. E nisto, ainda tem muito a contribuir.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3781079153050474132-4908335050405044880?l=filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/feeds/4908335050405044880/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3781079153050474132&amp;postID=4908335050405044880' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/4908335050405044880'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/4908335050405044880'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/2010/06/homenagem-lauro-hagemann.html' title='Homenagem a Lauro Hagemann'/><author><name>Jorge Barcellos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13317457638691531178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3781079153050474132.post-5261309747029283673</id><published>2010-06-21T06:25:00.001-07:00</published><updated>2010-06-21T06:25:36.752-07:00</updated><title type='text'>O segredo perverso da igreja</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;No filme “A noviça rebelde”, a jovem Maria (Julie Andrews) sai do convento onde vive para trabalhar na casa do capitão Von Trapp (Christopher Plummer), viúvo que tem sete filhos. Maria educa as crianças carinhosamente mas não sabe o que fazer com sua atração sexual pelo capitão Von Trapp. Retorna ao convento, onde a madre superiora, através de uma canção, a aconselha a voltar para resolver sua relação com o barão. A canção intitulada “Escale todas as montanhas” (“Climb Every Mountain!”) diz mais ou menos ou seguinte:”Vá lá, faça! Corra o risco! Faça o que o seu coração está pedindo; não deixe que considerações pequenas se interponham em seu caminho”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A lembrança da cena vem de Slavoj Zizek, que escreveu críticas a ideologia da igreja, entre elas “A marionete e o anão: o cristianismo entre a perversão e a subversão” (Relógio d’Agua, 2010). Ela serve para ilustrar as relações profundas entre a ideologia cristã e a sexualidade, já que para o autor, é surpreendente no filme a defesa da manifestação do desejo justamente pela pessoa de quem mais se poderia esperar que pregasse a renúncia e a castidade. Algo semelhante ocorre quando vemos Dom Dadeus Grings, Arcebispo Metropolitano de Porto Alegre, em entrevista a Zero Hora  (4/6/2010) confirmar as declarações polêmicas dadas na 48º Assembléia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, em Brasília, no inicio de maio. Enquanto Grings defende a ideia de uma sociedade pedófila, para Zizek a pedofilia dos padres é específica porque faz parte da própria identidade da igreja enquanto instituição - a abundância de casos de molestamento sexual de crianças não pode ser apontado como “considerações pequenas” neste caminho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tese de Zizek é grave mas vale a pena acompanhar seu raciocínio. Para a psicanálise, o que está em jogo é o significado desta atitude defensiva às avessas adotada pelo sacerdote. De fato, quando as primeiras denúncias de pedofilia envolvendo padres vieram a público, a igreja  as acusou de propaganda anticatólica e tentou minimizar seus efeitos. Eram consideradas parte de um suposto “problema interno” que cabia à igreja resolver. A repercussão internacional do depoimento de Don Dadeus Grings mostra que a igreja mudou de estratégia: já não se trata de assumir a pedofilia como problema interno, mas rejeita-la do seu meio, com o argumento de que faz parte de toda a sociedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo Zizek isto é um problema porque desvia a atenção daquilo que deveria ser central à análise, a problematização da natureza da igreja enquanto instituição sócio-simbólica. A força do argumento advém do fato de que nos tira toda a capacidade de questionarmos o inconsciente da instituição e nos impede de uma vez por todas, de colocamos o problema complexo da perversão da igreja. Para Zizek, esta perversão é algo de que ela necessita para poder se reproduzir, seu segredo obsceno mais interno “identificar-se com esse lado oculto é um elemento chave da própria identidade de um sacerdote cristão. Se o padre denunciar esses escândalos seriamente (não apenas da boca para fora), ele estará se excluindo da comunidade eclesiástica. Deixará de ser “um de nós”, exatamente como um cidadão de uma cidade do sul dos Estados Unidos, na década de 1920, se denunciasse a Ku Klux Klan à policia, se excluía de sua comunidade, ou seja, traia sua solidariedade fundamental”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A dissolução do problema da pedofilia da igreja na própria sociedade em nada ajuda a resolver os casos criminosos de membros da instituição. A discussão da existência ou não de um lado perverso da igreja “em si” está apenas começando e deve ser aprofundada. Se a igreja quer se ver livre do problema da pedofilia dos padres, deve encarar seriamente a questão da parte de sua responsabilidade enquanto instituição nesses crimes. E este debate  a igreja ainda não realizou. &lt;br /&gt; &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3781079153050474132-5261309747029283673?l=filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/feeds/5261309747029283673/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3781079153050474132&amp;postID=5261309747029283673' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/5261309747029283673'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/5261309747029283673'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/2010/06/o-segredo-perverso-da-igreja.html' title='O segredo perverso da igreja'/><author><name>Jorge Barcellos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13317457638691531178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3781079153050474132.post-4343105071002928023</id><published>2010-06-02T11:28:00.000-07:00</published><updated>2010-06-02T11:59:26.271-07:00</updated><title type='text'>Onde foi parar a memória?</title><content type='html'>&lt;a href="http://bancodeimagenscmpa.procempa.com.br/imgs_m/4c066b0057ecf0.00048211"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 312px; CURSOR: hand; HEIGHT: 470px" alt="" src="http://bancodeimagenscmpa.procempa.com.br/imgs_m/4c066b0057ecf0.00048211" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A homenagem do Vereador João Dib ao Prefeito de Porto Alegre Loureiro da Silva é comovente por ser a demonstração do status atual da memória em nossa sociedade. Na sociedade fugaz da informação, não há tempo para homenagear nossos antepassados. Poucas pessoas interromperam seu dia para acompanhar João Dib em sua homenagem. Mas ele estava lá e com ele parte da responsabilidade da sociedade portoalegrense com seu passado não passou em vão.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O olhar atento de João Dib tem razão de ser. Loureiro da Silva foi um governante excepcional. Figura pública que possibilitou a feição moderna da capital, seu conjunto de obras, realizados em dois governos, resultou em transformações que ainda são visiveis para todos: o Arroio Dilúvio, a Assis Brasil, entre tantas obras, entraram na vida cotidiana dos portoalegrenses por sua obra. E por esta razão, desapareceram, como acontece com os fatos do passado, totalmente integradas ao cotidiano da cidade. Pois, para quem é recém chegado, é exatamente isto, a sensação de que sempre estiveram lá, o que não acontece. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Alias, é justamente pelo contraste de uma sociedade antiga e que não conheceu as transformações urbanas de Loureiro e uma sociedade atual, para quem suas inovações perdem-se no dia a dia, é que a cena deve ser valorizada. Pois o que está aí é merito dos que vieram antes e foram responsaveis, contra tudo e contra todos, pela construção de políticas públicas. Inovadoras, no caso de Loureiro. Avançadas, no caso do Dilúvio; urbanisticamente fundamentais, no caso da Assis Brasil. Loureiro, que está ali na frente da Cãmara, com qual dialogou, diante de obra que leva seu nome, ainda assim não consegue chamar a atenção do presente pelas obras que fez no passado. Mas sua estátua está lá, e de certa forma ela diz a esta mesma sociedade que problemas urbanos requerem soluções urbanas; o cenário natural  tem um destino cruel, a de ser transformada pela ação  humana. Com Loureiro, foi para melhor. Nem sempre é assim.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Loureiro da Silva teve  uma visão de futuro insuperável para a cidade e que poucos administradores públicos tem. Que tem deixado a marca nas gerações políticas que seguiram, foi fundamental para que seu projeto continuasse de pé na capital. João Dib, que assumiu a Prefeitura inspirado em sua gestão, jamais abandonou a influência do pensamento de seu mestre. Reconhece seu valor em seus discursos, enaltece-o. Porquê? Porque precisamos desesperadamente de exemplos na política, na gestão pública. O exemplo sempre tem uma função pedagógica, sempre tem uma função educativa. Ele mostra o que é bom e ajuda-nos a diferenciar do que é mau; mostra que frente a limites, é preciso a superação, inclusive nas formas de governo; indica que cada geração tem uma responsabilidade com o futuro - daí o planejamento - e com o passado - jamais esquecer seus antepassados. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;No mundo em que vivemos, parece que não há mais herança política. Nasce-se político, emerge-se por mágica da força dos meios de comunicação. Em realidade, a tradição ainda é uma força atuante, e uma geração política tem o que dizer a geração política seguinte. Por isso a cena tem sua importância. Em realidade, são duas gerações, e não apenas uma, de fazer política na foto. E saber reverenciar o legado é o minimo que se pede de dignidade aos políticos atuais. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A memória está por entre os fios, e com ela, a memória política. A razão deve ser buscada numa sociedade baseada na instantaneidade da informação que faz o novo perecer rapidamente frente ao mais-novo. A transmissão da memória é tão importante quanto a transmissão do saber. È preciso saber distinguir o que, por superfluo, merece ser esquecido daquilo que, por fundamental, merece ser lembrado. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O que vale para a memória social vale para a memória política. Tradição não é sinonimo de velho ou arcaico. Tradição significa que temos um elo entre o presente e o passado. O gesto de homenagear de Dib merece ser visto pela grandeza do homem público que não esquece quem são parte integrante de seu projeto, de sua memória. De que principalmente em política, nada é feito sozinho e que somos sempre devedores do legado de alguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3781079153050474132-4343105071002928023?l=filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/feeds/4343105071002928023/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3781079153050474132&amp;postID=4343105071002928023' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/4343105071002928023'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/4343105071002928023'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/2010/06/onde-foi-parar-memoria.html' title='Onde foi parar a memória?'/><author><name>Jorge Barcellos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13317457638691531178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3781079153050474132.post-2192943936288516895</id><published>2010-05-26T17:48:00.000-07:00</published><updated>2010-05-26T17:49:26.816-07:00</updated><title type='text'>Ultimo livro de Zizek e Badiou, L'idee de comunism</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A publicação de L’idée du comunism (Lignes, 2010), coletânea das conferências realizadas em Londres em 2009 e publicada recentemente na França reacendeu o debate sobre o mais genuíno pensamento de esquerda. Organizado por Slavoj Zizek e Alain Badiou, a obra é organizada em 16 capítulos entregues a fina flor da intelectualidade.Zizek  é o famoso filosófo e crítico cultural esloveno, conhecido por sua leitura lacaniana da cultura popular. Na verdade, há um primeiro Zizek mais voltado para a psicanálise e o cinema, e um segundo Zizek, ainda praticamente desconhecido, voltado para uma prática da análise política propriamente dita - provavelmente reforçada por sua fracassada candidatura à Presidente da Eslovênia. Badiou também é um leitor de Lacan, mas a isto se acrescenta Nietzsche e toda a vivência do Maio de 68 francês que o transformaram num dos mais atuais analistas revolucionários, ou como prefere Badiou, apenas alguém que deseja mostrar o potencial de inovação e transformação de cada situação. Para Yannis Stavrakakis, em Una esquerda lacaniana(FCE,2010, já esgotado), o mérito de desde novo lacano-marxismo é questionar, em curto-circuito,  os pressupostos de funcionamento do Capital.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;L'idée de communism quer construir um ponto de partida para a esquerda no século XXI. Como se sabe, a década de noventa representou uma  derrotas para a esquerda mundial. Políticas sociais dos estados de bem-estar social retrocederam, a integração das economias socialistas ao mundo capitalista e a regressão dos movimentos de emancipação do terceiro mundo parecem sinalizar que o tempo da emancipação política radical chegou ao fim.  Mas não é bem isto que vêem os autores da coletânea. Para eles a ideia do capitalismo liberal como a nova ordem natural sofreu reveses com os ataques de 11 de setembro e a crise financeira de 2008 e, por esta razão, a necessidade de repensar os fundamentos da emancipação política nunca foram tão atuais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira conclusão dos autores é que a esquerda como proposta de partido estalinista está enterrada. E também a nova esquerda, como se apresenta hoje a dita democrática, apenas propõe a reforma do sistema de pensamento, o que não é suficiente se não se pensar em reformar a estrutura da democracia representativa. É preciso outra esquerda que busque no que resta do comunismo, no horizonte de projetos de emancipação radical, os conceitos para orientar suas pesquisas e a ferramenta para expor seus fracassos políticos – da própria esquerda-  para construir novas perspectivas para a ação.  Esta discussão abre, sem dúvida,  um campo de possibilidades políticas, o que faz seus autores valorizarem ainda mais o comunismo como conceito filosófico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta forma de colocar o tema do comunismo surgiu primeiro com Alain Badiou, em sua duas de suas últimas obras  “L’hipothese comunist “(Lignes, 2009)  e “De quoi Sarkozy est-il le nom” (Lignes, 2007) onde o autor, desejando enumerar alguns princípios básicos para ação política, defende a idéia de que não podemos confiar nas empresas para produzir solidariedade social já  que a economia de mercado produz uma democracia atrofiada onde persistem as desigualdades indesejáveis. Para Badiou e Zizek, aceitamos com muita naturalidade que o capitalismo  é nosso destino final: precisamos nos revoltar com o disperdício irracional de recursos,  com o valor econômico dado às guerras, etc, etc. Para os autores, e aí está uma questão polêmica da obra, se as experiências reais comunistas foram sangrentas, não podem ser comparadas aos massacres levados a efeito pelo capitalismo, em sua fúria predatória pelo mundo inteiro. A situação dos povos africanos e asiáticos é apenas um exemplo.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o Seminário de que trata o livro foi realizado, em 2009, o Jornal The Guardian chamou a atenção para o fato de que se tratava de um evento mais “quente” que um jogo de futebol ou o show de uma cantora pop. A descrição tinha sua razão de ser. Realizada na Universidade de Birkbeck, em Londres, atraiu participantes de todos os continentes, Estados Unidos, da América Latina, África e Austrália, que foram ouvir os grandes pensadores de esquerda. Todos queriam respostas para seus problemas práticos, mas só ouviram dos organizadores que que tratava-se de “uma reunião de filósofos que ia lidar com o comunismo como um conceito filosófico, defendendo uma tese precisa e forte: a partir de Platão, o comunismo é a única ideia política digna de um filósofo."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que à época houvessem tantos interessados em discutir a teoria do comunismo, é indicador da importância que o tema tem para a esquerda.  Convite a pensar que  mantém inquestionável o valor da obra. Terry Eagleton parte do Rei Lear, de Shakespeare, para mostrar o valor da utopia, comparando a todo o momento com os Grundrisse, de Marx; Michel Hardt faz a crítica das estratégias neoliberais de privatização de indústrias para retomar, mais adiante, o conceito de propriedade comum tão caro ao marxismo; Tony Negri retoma os pressupostos do materialismo histórico que dizem que a história é a história da luta de classes para descobrir o valor da ética de esquerda baseada no valor do comum; Jacques Rancière, retoma da hipótese comunista de Alain Badiou para reforçar o valor de emancipação humana contida no conceito de comunista, bem diferente da ressignificação que o levou a ser tratado como um “monstro” do passado; Gianni Vattimo, num texto curto, enumera nove teses entre as quais a idéia paradoxal que em realidade, capitalismo e comunismo padecem da mesma dissolução metafísica, aproximando-se pelos seus sucessivos fracassos semelhantes. Os demais autores, integrantes da coletânea, ainda contribuem com suas análises específicas: Susan Morss, Peter Hallward, Jean Luc-Nancy, Alessandro Russo e Alberto Toscano tratam desde as formas do comunismo até a filosofia e a revolução cultural sob o regime. Talvez a curiosidade seja a presença de Minqi Li e Wang Hui, que apresentam as visões do extremo oriente, em especial sobre os acontecimentos recentes na China – faz falta aqui um breve resumo do currículo dos autores, tão comum em coletâneas do gênero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há dúvida que o debate propriamente dito encontra-se nos textos dos organizadores. Badiou reitera a critica a idéia de que o capitalismo seja o modelo de emancipação histórica para a humanidade inteira. Quer retomar o conceito do ponto de vista filosófico, afirmativo, como campo de construção de um projeto social. Na “Idéia do Comunismo “, que dá título à obra, afirma Badiou, estão presentes três elementos primitivos: o componente político, o histórico e o subjetivo. Após analisar cada um desses elementos, Badiou conclui pela necessidade de ressignificar a idéia de Comunismo, opinião que é compartilhada por  Zizek, por sua vez, no texto que encerra a coletânea. Partindo uma história de Franz Kafka, sobre Joséphine, a cantora, faz da sua análise uma metáfora da trajetória comunista, por um lado, e por outro, recolhe das perspectivas de Hannah Arendt, Habermas e Horkheimer a necessidade de relocalizar, na cultura comunista, o significado das atitudes subjetivas mais intimas.     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para os autores, ainda é preciso da idéia do comunismo para se viver “não vejo qualquer outro", diz Badiou. E mais "Se temos de abandonar essa hipótese, então já não vale a pena fazer qualquer coisa no campo da ação coletiva. Sem o horizonte do comunismo, sem essa idéia, não há nada no histórico e político a tornar-se de qualquer interesse para um filósofo.” A razão, para Badiou,   é que somente no comunismo podemos defender uma idéia de igualdade pura. Sempre haverá espaço para pensar na idéia de comunismo enquanto estivermos lutando contra a injustiça, e provavelmente, fazendo a crítica do Estado. O livro tem mérito. Mesmo sem oferecer uma agenda política imediata, ele é um elemento importante para todos os homens de ação. A idéia central é que não há emancipação política sem filosofia, e nesse sentido, o comunismo, ao estabelecer a igualdade como um padrão para políticas que possam vir a surgir, ajuda a diferenciar as más das boas políticas. Que os autores retornem a Marx e Hegel, o fazem na busca de um pensamento dialético para a construção de um novo projeto político. Para Zizek, não há mais dúvidas de que o Capital se tornou nossa vida real, e para ele vale a máxima de Lênin “Começar, desde o inicio, uma e outra vez”.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3781079153050474132-2192943936288516895?l=filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/feeds/2192943936288516895/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3781079153050474132&amp;postID=2192943936288516895' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/2192943936288516895'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/2192943936288516895'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/2010/05/ultimo-livro-de-zizek-e-badiou-lidee-de.html' title='Ultimo livro de Zizek e Badiou, L&apos;idee de comunism'/><author><name>Jorge Barcellos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13317457638691531178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3781079153050474132.post-3457122510732893155</id><published>2010-05-23T20:12:00.000-07:00</published><updated>2010-05-23T20:22:08.189-07:00</updated><title type='text'>Capitalismo Parasitário</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A atual expansão do crédito para aquisição de imóveis e automóveis é um indicador da voracidade do capitalismo em buscar novos horizontes de expansão. De fato, não há símbolo maior da ganância do capitalismo do que o cartão de crédito.Antigamente, quando queria-se algo mas não se tinha dinheiro para pagar, a solução era apertar o cinco, poupar, economizar na caderneta de poupança, numa paciência de Jô.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Mas aí o bancos tiveram uma grande idéia, a do cartão de crédito, pelo qual é possível inverter a ordem do mundo: desfrutar agora para pagar depois e caímos nela, já que a promessa de que era possível não adiar a realização dos desejos é simplesmente impossível de resistir. O preço é pesado, já que, de fato, sempre chega a hora de pagar.&lt;br /&gt;Até aí, a história é conhecida por todos. Mas eis que Zigmund Bauman, em Capitalismo Parasitário (Zahar), lembra que não é do interesse do emprestador que o lucro se realize apenas uma vez com cada cliente. Ao contrário. As dívidas devem ser transformadas em fonte permanente de lucro. Fazer mais e mais endividados em crédito, garantir a reprodução de pessoas endividadas, eis o que é parasitário no capitalismo: a expansão do crédito. “A ausência de débitos não é o estado ideal.Os bancos credores realmente não querem que seus devedores paguem suas dívidas. Se eles pagassem com diligência os seus débitos, não seriam mais devedores”. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;A clareza de Bauman, presente em seus escritos, renova-se aqui em Capitalismo Parasitário. Bauman revela o novo pesadelo do capitalismo: o cliente que paga seus débitos. Incrivel a inversão, saímos de uma sociedade calvinista, praticamente organizada em uma agenda de recursos, para outra no qual o que mais importa é a disfunsão do sistema financeiro - não pagar agora, para pagar mais juros depois; não sair das dividas, mas ser atraido para elas a cada instante. E eis você de novo, no shopping, entulhado-se no cartão. E, aí, Bauman, leitor de Bourdieu, afirma que para isso é preciso cultivar hábitos, como acostumar as pessoas a gastar dinheiro que ainda não ganharam, manter a dívida no “rotativo”, pagando apenas uma parte e refinanciando a diferença. Se você tiver alguma poupança, será convidado a pedir empréstimos como uma ‘vantagem a mais”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando vemos bancos oferecerem crédito aos jovens, dito "cartão universitario" vemos a ponta de um perigo. Como no filme Matriz, é a nova colheita que se prepara, criar uma raça de devedores eternos, perpetuando-se o “estar endividado”, como assinala Baumann. Deve ser parte de uma educação financeira, não lidar com o cartão de crédito, como muitos programas propõem, mas justamente evita-lo a a exaustão. Se o capital começar tiver sucesso em endividar em sua fúria os mais jovens, estaremos entrando num campo perigoso, pois eles também são a futura elite política. Para os governantes, deve ficar a lição de que mais crédito, ou produção de indivíduos individados, não é sinônimo de prosperidade econômica e democracia.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3781079153050474132-3457122510732893155?l=filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/feeds/3457122510732893155/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3781079153050474132&amp;postID=3457122510732893155' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/3457122510732893155'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/3457122510732893155'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/2010/05/capitalismo-parasitario.html' title='Capitalismo Parasitário'/><author><name>Jorge Barcellos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13317457638691531178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3781079153050474132.post-2324704854573251266</id><published>2010-05-21T17:18:00.000-07:00</published><updated>2010-05-21T17:41:38.977-07:00</updated><title type='text'>15 minutos de Luc Ferry</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O Seminário promovido pla Unimed Pensar, um ato político, trouxe a Porto Alegre o filósofo Luc Ferry. Toda vez que temos a oportunidade de estar diante de um pensador de nosso tempo, ficamos maravilhados. Não há sensação maior do que aquela que diz que você está convivendo um momomento único, não pelo conteúdo da palestra, que é envolvente, mas pelo fato de que você estar aí, diante de um pensador de sua época. Se eu tivesse vivido na antiguidade, gostaria de ter visto pelo menos uma vez Aristóteles; na idade média, Santo Agostinho e por aí afora.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Existe um sentimento de compartilhamento do mundo com algúem que está pensando sua natureza neste exato momento de forma brilhante. Não, você não está apenas lendo uma obra de Marx, já morto há tanto tempo e que não convive com o seu mundo. Você está diante de alguém que é capaz de refletir com profundidade sobre os mesmos temas que o afligem e que o faz de uma maneira que não pode ser imitada. Você está deslumbrado.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Pois por tudo isso valeu meus quinze minutos de Luc Ferry. É verdade.   Você planeja ver o seminário inteiro, combina tudo o que pode, e quando vê, como no anjo de Walter Benjamim, você é arrastado pela tormenta que sopra do paraiso  - na verdade não é o paraiso, é o seu emprego - pois você precisa trabalhar, diferente de Ferry, que é pago para pensar e viajar. Você, após muito sacrificio, consegue resolver tudo aquilo que pedem para você resolver e consegue finalmente ir para ver o seu palestrante, e só fica 15 minutos.  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Fiquei somente 15 minutos porque a vida não é bem sucedida para todos, ao contrário do título de uma obra célebre de Ferry. Se fosse, uma série de obrigações que ultrapassam o âmbito do trabalho e que você precisa também resolver poderiam ser resolvidos por outro. Mas você sabe que outro compromisso o está esperando e você só terá tempo de enfrentar novamente o próximo engarramento para resolve-lo. Tudo é calculado. Tempos modernos. Aceito isso.   &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Mesmo o sacrificio de sair do emprego para ver apenas 15 minutos de Ferry vale apena. Porque ele é sábio. Porque seus exemplos são simples. A diferença entre moral e espiritualidade. Pronto, fui lá para apenas saber isso, enquanto que centenas de outros convidados puderam ver em detalhe o significado do mito de Ulissses, porque por uma série de razões, não vivem no emaranhado de obrigações . Como se liberta disse? Para mim 15 minutos já estava ótimo, reconhecer que existem campos espirituais que não tem nada a ver com religião, dimensões de valores que encontram seu melhor exemplo nos mitos antigos, como o exemplo do Pomo da Discórdia. Veja só, um pomo magnifico disputado por três deusas, um simbolo da capacidade de revelar a vaidade humcana,  lembraça de que os mitos gregos ainda tem muito para nos ensinar, ou o papel futil de nossas vaidades frente as escolhas morais ou verdadeiras do ser. Pois uma filosofia boa é uma filosofia que também serve para a vida, ensina Ferry. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Não há problema em ver apenas 15 minutos. Ferry sempre estará por perto quando eu abrir e ler um livro seu.    &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3781079153050474132-2324704854573251266?l=filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/feeds/2324704854573251266/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3781079153050474132&amp;postID=2324704854573251266' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/2324704854573251266'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/2324704854573251266'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/2010/05/15-minutos-de-luc-ferry.html' title='15 minutos de Luc Ferry'/><author><name>Jorge Barcellos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13317457638691531178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3781079153050474132.post-9116415160615442487</id><published>2010-05-19T20:48:00.001-07:00</published><updated>2010-05-19T20:48:56.521-07:00</updated><title type='text'>Cracknet</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;As máquinas técnicas funcionam, evidentemente,&lt;br /&gt;com a condição de não serem estragadas.&lt;br /&gt;As máquinas desejantes, ao contrário, não&lt;br /&gt;cessam de se estragar funcionando; só funcionam&lt;br /&gt;quando estragadas&lt;br /&gt;Gilles Deleuze e Felix Guattari, Anti-édipo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu estava assistindo o documentário Geração Internet, do canal GNT quando me veio a cabeça a palavra cracknet, que evidente, querido leitor, não existe. Mas Deleuze diz que a filosofia é a arte de inventar conceitos e então mãos a empreitada. O documentário tratava da atual dependência dos jovens da internet, verdadeira epidemia de nosso tempo. Descrevendo a geração internet, mostrava  milhares de jovens cujos hábitus (Bourdieu) envolvem o fato de não se desgrudar da tela do computador e cujas conseqüências iniciam na familia com o distanciamento das relações com os pais – como no pai que tem de passar um e-mail para chamar a atenção do filho até o ambiente escolar, onde jovens reconhecem que nunca tinham lido um livro sequer mas abusavam do uso de sites de resumo para realizar os trabalhos de aula. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A geração internet é composta por estudantes que saem da sala de aula para entrar em salas de bate-papo, chats e comunidades do Facebook. Nesse novo universo jovem, “perfis” são as formas de construção de identidades no mundo virtual, e nos termos de Baudrillard, encarnam a realidade do “duplo”, obsessão simbólica da humanidade que persiste em ser personagem de novela. O problema é que estes “Duplo” os substituem na mesma inexorável lógica capitalista – amigos são acumulados a exaustão, compara-se quem tem mais comentários, etc, etc.  Diz uma moça a certa altura:“É viciante”. No mundo virtual em que se busca ter mais amigos, o que é paradoxal é que na maioria das vezes, tais amigos são em realidade – não amigos, totalmente desconhecidos – e esse “nada” do sentimento é o espelho da própria sociedade. Nesse universo que pretende de alguma forma substituir o real, pais vêem seus próprios filhos trancados em quartos, preferindo discutir/expor seus problemas na internet do que com a família.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como no mundo real, no mundo virtual há espaço para muita violência. Nesses sites, jovens trocam insultos, deixam comentários nas páginas uns dos outros, brigam virtualmente. Válvula de escape virtual de uma violência real ou acelerador virtual de uma violência real? No mínimo, violência mediada pela imagem da violência, onde os jovens revelam o prazer de filmar cenas de humilhação para em instantes posta-las no You Tube. Nesse mundo, jovens tem relacionamentos no mundo virtual que não teriam no mundo real, negando as teses de Michel Maffesoli, da internet como terreno fértil da sociabilidade juvenil contemporânea.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A imagem que vem a mente é a do filme Matrix, no detalhe da conexão técnica da máquina e do ser humano e que parece vir a toda. Estamos conectados ao computador,  mas o que significa isso? Existe uma passagem em que Deleuze dizia que com a criação do automóvel, criamos outra coisa, o homem-máquina, interrelação misteriosa em que a máquina parecer ser parte de nós e nós da máquina. É que não nos damos conta de que nesta operação, automatizada, também transformamo-nos. E quando esta máquina é o computador, o que significa? Diz outra jovem ”Já faz parte da minha vida”.  Absorção perigosa  e a preocupação de educadores é como educar na era onde só a internet tem sentido. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há como negar que a emergência da internet transformou os modos de vida. Esse mundo não vai sumir, mas é perigoso quando jovens preferem o mundo virtual ao mundo real. Talvez uma forma de assumir um distanciamento disso tudo seja ver a expansão da internet como um elemento a serviço da ideologia da democracia liberal capitalista global, a maneira das análises de Slavoj Zizek. O capitalismo, ao nos apresentar o mundo virtual como um espaço “público”, nos apresenta uma realidade fantasmagórica assimilável dizendo o que podemos ou devemos fazer. O social é insuportável? então vá para o virtual. A internet é uma realidade fantasmática, e em termos zizekianos,  o mais perigoso dela é que ela dá a incrível sensação de que a vida torna-se suportável “pois há escolhas a serem feitas”, diz . O ardil ideológico da internet  é manter a realidade a uma certa distância, revelando que o que está em jogo justamente  são os aspectos traumáticos da realidade que são representados pelo encontro com o outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, o vício em internet, ou aqui cracknet -  vamos pensar por um instante que este conceito seja possível - torna-se assim tão perigoso quanto o vicio em crack real, objeto de tantas campanhas. O cracknet domina de forma tão intensa o cérebro que torna-se impossível deixar de ler e-mails ou acessar sua conta; e é essa sensação imensa de euforia que a conexão com a internet possibilita que a torna perigosa:  quando você se afasta dela, você fica com a urgência de retornar a ela? Sinto, então você já é um viciado.Internet vicia como crack? De certa forma sim, mas não do ponto de vista da produção de alucinações, simplesmente porque ela própria já é a alucinação em si.  E o fato de que o usuário de internet não sentir prazer por outros aspectos da vida, reforça o fato de se transformar em vicio. Como assinala Zizek, trata-se de mais um elemento naquilo que ele denomina de “lógica  inexorável do capital”, a construção da prisão que governa a vida. Longe de ser somente o abismo de liberdade que promete a internet, ela também é o abismo da desintegração do outro e de si mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marc Auge formulou um conceito que identifica a internet: é um não-lugar.  O não lugar opõe-se noção antropológica de lugar. Para Mauss, o lugar é o que define nossa natureza, como o lugar que o antropólogo visa estudar, o lugar do nativo, lugar de vida, de celebração da existência, lugar de seus descendentes. Lugar é sempre principio de sentido.” Nesse sentido, a famílía, por exemplo, é um lugar, solo que ajuda a compor a identidade individual, espaço de compartilhamento de referências e vivência de sua própria história.   A internet é um não lugar não porque é virtual, mas por sua provisioridade e efemeridade. Para Auge, são lugares comprometidos com o transitório e com a solidão. No mundo caracteriza do pelo excesso (Baudrillard), a internet apresentase como não lugar fugidio, que merece ser estudado, mas não como algo natural, ao contrário, como lugar repleto de contradições e complexidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zizek afirma que durante séculos a igreja teve papel fundamental nos destinos humanos preenchendo todas as ações, atos e desejos de sentido da humanidade. Detendo o significado da vida e do mundo, Zizek diz que a religião era o Significante Mestre  e que com o advento da modernidade, perdeu seu espaço. A sociedade capitalista atual implora por um Significante Mestre que o substitua o anterior. Que nosso fascínio pela internet corresponda a um momento desta procura, parece óbvio, mas a verdade é que somente novos pontos de vista sobre a realidade que providenciem consistência a nossa experiência de significado podem ser levados em consideração.  Diz Teles em O capitalismo e suas patologias: “o Capitalismo proclama, vende, produz uma ideia de globalização de seres ligados e interagindo entre todos no mundo inteiro, as pessoas, os sujeitos cada vez menos estão “ligados”, interligados numa mesma sintonia de pensamento, crenças, sonhos, ideais. É certo que, sempre houve na história pessoas e pessoas em determinado tempo, no entanto, nunca houve tamanho desencontro de pessoas.” É esse efeito que o vicio em internet, cracknet, termina por ocultar.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3781079153050474132-9116415160615442487?l=filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/feeds/9116415160615442487/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3781079153050474132&amp;postID=9116415160615442487' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/9116415160615442487'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/9116415160615442487'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/2010/05/cracknet.html' title='Cracknet'/><author><name>Jorge Barcellos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13317457638691531178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3781079153050474132.post-4513157977943159915</id><published>2010-05-18T17:08:00.000-07:00</published><updated>2010-05-18T17:09:18.503-07:00</updated><title type='text'>DIa Internacional dos Museus III</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;"Não existe nada pior do que alguém querendo fazer o bem, principalmente o bem aos outros" Michel Maffesoli, A Parte do Diabo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Custódio é um dos grandes profissionais da memória do Rio Grande do Sul e  tem todo o nosso respeito e admiração, mas não posso deixar de manifestar estranheza pela publicação de “Os museus e a harmonia social” (ZH, 18/05). A razão é simples: em sua base, o conceito de harmonia é puramente Funcionalista - o tema agrada aos ouvidos mas há tempos foi superado pelas Ciências Sociais. Ver como tema escolhido pelo Conselho Internacional de Museus só pode ser um equivoco, já que poucos resultados pode dar na prática.  Senão vejamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ligada ao sociólogo Talcott Parsons, na concepção Funcionalista a sociedade é um organismo estável. Desenvolvida entre a II Guerra Mundial e a Guerra do Vietnã, desde os anos 60 começou a ser alvo de críticas, principalmente por aqueles que viam que o Funcionalismo promovia medidas ineficazes de mudança social. Além disso, o Funcionalismo é criticado por descrever instituições sociais apenas por seus efeitos e, dessa forma,  não explicar suas causas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E cá entre nós, a China não parece ser a melhor conselheira em termos de memória. Sinônimo de gigantismo e força, explora milhões de trabalhadores em suas manufaturas que trabalham sem parar. O Partido Comunista Chinês faz duras restrições aos jornalistas estrangeiros, defende uma memória oficial e o acesso a Internet e trasmissões da CNN e BBC chegaram a ser interrompidas no país. Apoiou o Sudão, fornecedor de petróleo a Pequim e acusado de matar milhares de pessoas em Darfur.  Defender políticas para a memória, em definitivo, não é com eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Melhor do que falar de harmonia, como sugere a Teoria do Consenso, seria falar em termos de Teoria do Conflito.  Desde Marx de Ideologia Alemã, temos a idéia de que para chegarmos a sociedade ideal devemos enfrentar os conflitos e desmascarar as ideologias. Frente ao processo galopante de produção do esquecimento, caracteristicos de nossa época, o melhor seria falar como Andréas Huyssein em “direito à memória”. Além disso, defender a idéia de que no Brasil a impera a miscigenação racial é outra forma de repetir a idéia de “cadinho da cultura”, divulgado por Gilberto Freire: nada mais sem conflitos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os museus tem um compromisso com o entendimento da realidade sim, mas esta, não é repleta de flores. Em seu âmago encontra-se a lógica do capital, explicitada em detalhes por Robert Kurz e Slavoj Zizek, que em tempos de globalização, não cessa de se expandir. No Dia Internanacional dos Museus, o que as instituições de memória e seus profissionais devem fazer, se quiserem de fato contribuir para a construção de uma sociedade melhor, é denunciar através de seu trabalho os conflitos e contradições que estão diante de seus olhos, e não lutar por uma suposta “harmonia social”. Que os agentes de memória devam encarar seriamente a questão de sua responsabilidade na crítica social, é o mínimo que se espera neste inicio do século XXI.  &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3781079153050474132-4513157977943159915?l=filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/feeds/4513157977943159915/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3781079153050474132&amp;postID=4513157977943159915' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/4513157977943159915'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/4513157977943159915'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/2010/05/dia-internacional-dos-museus-iii.html' title='DIa Internacional dos Museus III'/><author><name>Jorge Barcellos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13317457638691531178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3781079153050474132.post-1510078775627457142</id><published>2010-05-18T07:13:00.000-07:00</published><updated>2010-05-18T07:14:06.335-07:00</updated><title type='text'>O Dia Internacional dos Museus II</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;As vésperas de mais um Dia Internacional dos Museus, vem do Memorial do Rio Grande do Sul o exemplo de mais um desserviço à cultura. Como se sabe, a recente saída do Prof. Voltaire Schilling da direção da instituição provocou uma grande repercussão. A indicação do competente César Prestes para a Secretaria da Cultura não tem outra função se não a de conter os ânimos do meio cultural, mostrando a sensibilidade da governadora-candidata com a área cultural, contornando politicamente o estrago feito pela ex-Secretária da Cultura Mônica Leal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema é que logo após a saída de Voltaire Schilling, poucos se deram conta de que o site na Internet do Memorial do Rio Grande do Sul saiu do ar para reformas. Agora novamente no ar (&lt;/span&gt;&lt;a href="https://webmail.camarapoa.rs.gov.br/owa/redir.aspx?C=7729885f193a4648b8d634ffed10eee5&amp;amp;URL=http%3a%2f%2fwww.memorial.rs.gov.br%2f" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;www.memorial.rs.gov.br&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;) pode-se ver o que significa a expressão violência simbólica, tal como a propõe Slavoj Zizek: foram retirados todos os mais de quarenta Cadernos de História, acervo inestimável de pesquisa que então estavam disponibilizados para consulta e reprodução. Trabalho original de toda a gestão de Voltaire Schilling no Memorial do RS, com autores consagrados do Rio Grande do Sul, foram simplesmente deletados! É surpreendente: um Memorial que apaga a sua memória!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ato impõe uma reflexão neste Dia Internacional dos Museus. No mundo virtual, capaz de disseminar acervos para o mundo inteiro, pode-se eliminar em um piscar de olhos documentos. Está na hora dos museólogos e profissionais da memória darem-se conta do imenso poder de preservação e aniquilmento da memória que o uso da internet possibilita: se por um lado um trabalho exaustivo disponibiliza uma grande quantidade de documentos, gestos simples podem deletar em instantes acervos públicos. É disto que se trata: de quem é a responsabilidade pela manutenção virtual de nossos acervos digitais? Continuaremos a deixar nas mãos dos políticos de plantão o destino dos acervos e documentos virtuais ou seremos capazes de cobrar responsabilidades ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O exemplo do Memorial do Rio Grande do Sul, é claro, reflete mais uma vez as lutas políticas no interior da Secretaria da Cultura e a sua necessidade de apagamento dos méritos da gestão anterior. A Secretária não gostou dos Cadernos, então tirem-nos do ar, eis o nosso equivalente jacobino de cortar as cabeças. Nada mais ditatorial!. E o público que acessava os documentos, como fica cara pálida?   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que resta a fazer neste Dia Internacional dos Museus? A primeira é que as entidades da memória devem se posicionar: a retirada de acervos virtuais deve ser considerada um crime, é  roubo de um bem de uso coletivo. Quem coloca acervos no ar é responsável pela sua manutenção. A segunda é que não devemos permitir que as novas tecnologias continuem a servir os ditadores de plantão em nome do apagamento da memória. Estes fatos mostram que estamos diante do Crime Perfeito, o assassinato da memória sem a presença de pistas,  um indicador da perversão dos tempos em que vivemos.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3781079153050474132-1510078775627457142?l=filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/feeds/1510078775627457142/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3781079153050474132&amp;postID=1510078775627457142' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/1510078775627457142'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/1510078775627457142'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/2010/05/o-dia-internacional-dos-museus-ii.html' title='O Dia Internacional dos Museus II'/><author><name>Jorge Barcellos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13317457638691531178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3781079153050474132.post-8856612808514326582</id><published>2010-05-17T12:03:00.000-07:00</published><updated>2010-05-17T12:04:15.189-07:00</updated><title type='text'>Dia Internacional dos Museus</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O Dia Internacional dos Museus deve servir para reflexão sobre os problemas que o avanço das novas tecnologias traz a preservação de acervos. Dados Ministério da Cultura mostram que mais da metade dos municípios brasileiros não possuem nenhum museu ou centro cultural e que 7 dos 27 estados do país concentram cerca de 60 por centro das bibliotecas. O acesso público de acervos hospedados em museus permite sua visualização através da Internet, mas ainda possui problemas. Para discutir este tema, especialistas do mundo inteiro reuniram-se de 25 a 29 de abril, em São Paulo, no Simpósio Internacional de Políticas Públicas para Acervos Digitais, organizado pelo Ministério da Cultura. Primeira constatação: é preciso não apenas colocar conteúdos em um site, mas organizá-los de maneira intercambiável por meio de plataformas de fácil indexação e consulta por parte do público. Segunda constatação: é preciso lutar pela implantação de um Plano Nacional para Acervos Digitais, que estabelecerá as linhas políticas para o desenvolvimento do setor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A discussão é importante por dois aspectos. O primeiro é o técnico. Wikimédia da França e a Brasiliana da USP, são exemplos da grande vitalidade dos acervos digitais. Para isso, investimento em tecnologia e recursos humanos são as bases de boas políticas públicas de memória. Por outro lado, é importante refletir sobre uma política nacional de organização de acervos digitais quando o governo reflete sobre os limites atuais da legislação do direito autoral e a definição de seu plano nacional de banda larga, pois é elemento essencial do projeto de conhecimento estratégico do país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segundo é político. Às vésperas de mais um período eleitoral, não se admite o apagamento da memória promovido por sucessivos governos quando chegam ao poder e em todos os níveis. Frente ao custo dos processos complexos de produção de acervos digitais por cada governo, não se pode admitir, como vem ocorrendo desde a era Fernando Henrique Cardoso, que a cada nova eleição, o novo governo apague os acervos reunidos pela gestão anterior. Tem sido a praxe que discursos, documentos diversos, projetos, tudo aquilo que define a gestão anterior, desapareça dos sites oficiais sem a menor cerimônia. Tais documentos reivindicam aquilo que Andreas Huyssen chamou de “Direito à memória”. Sem discursos, planos de metas e ações de conhecimento do público, como poderemos saber como se comportam nossos governantes quando chegam ao poder?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O direito à memória é uma questão de política pública. A discussão sobre fazer com que a internet seja um aliado da preservação da memória e não esteja a serviço da má política deve ser o tema das discussões dos profissionais da área neste dia.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3781079153050474132-8856612808514326582?l=filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/feeds/8856612808514326582/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3781079153050474132&amp;postID=8856612808514326582' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/8856612808514326582'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/8856612808514326582'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/2010/05/dia-internacional-dos-museus.html' title='Dia Internacional dos Museus'/><author><name>Jorge Barcellos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13317457638691531178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3781079153050474132.post-6471397499918195955</id><published>2010-05-05T19:14:00.001-07:00</published><updated>2010-05-05T19:41:35.867-07:00</updated><title type='text'>Confissões de um aspirante a resenhista</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Num apartamento de dois quartos do bairro petrópolis, numa mesa de sala de jantar equipada com um notebook ultrapassado, outro homem de moleton surrado sentado em frete a uma pilha de livros tenta escrever mais uma resenha que será recusada novamente por vários editores. Ele não entende porque, apesar de seu esforço em reunir papéis e livros, poucas vezes consegue ter seus textos aprovados pelas redações dos jornais. Ele sequer imagina, se publicado, pedir pagamento por isso. Tem diante de si livros que acredita serem merecedores de resenhas; ao lado, uma série de e-mails de cadernos e suplementos culturais para quem enviar seus artigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo em vão, praticamente não o publicam. Ele sabe que está no fim do túnel, já que se chegou aos 45 anos sem publicar nenhum livro, é porque provavelmente nunca conseguirá publicar um, mesmo que tenha textos suficientes para isso. Tem barriga adquirida por anos de postura errada e falta de exercícios, tempo que preferiu dedicar as resenhas que nunca chegaram a ser publicadas. Em qualquer outro pais, seria um resenhista de sucesso e suas resenhas seriam disputadas por editores, que enviariam livros para que resenhasse. Mas á vida de nosso homem não é assim. Teve o infortúnio de nascer no sul de um pais terceiro mundista – a concepção de terceiro mundo é polêmica, como já apontou em resenha de outras obras de ciências sociais que já não lhe vem mais a memória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recentemente – vamos contar isso como mais ou menos dois meses -teve um momento de sorte e viu publicado um artigo seu de opinião em um jornal, mesmo que, no mesmo período, houvesse enviado dez para a imprensa. Estava faceiro “publiquei um, estou no lucro! Pensava. Seu telefone nunca toca com um editor pedindo-lhe um artigo, ainda que este fosse seu sonho secreto. Olha pela janela e inveja aqueles resenhistas que recebem livros a granel – cada obra que consegue é pedida por doação. È que cada vez que deseja escrever um artigo que não será publicado, precisa se humilhar frente aos editores de plantão por um livro. A humilhação vem sob a forma de um carimbo, que é colocado no livro uma palavra impressa em letras garrafais: “cortesia”. Franceses e americanos não fazem isso. Quando você pede por e-mail uma obra, mesmo que por doação, a obra não tem as marcas da humilhação. No Brasil tem. Nossos editores fazem questão de humilhar sus resenhistas com um carimbo que lembra a marca daquele filme da Demi Moore - pensa nosso homem "como se chama mesmo?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que inveja do resenhista de Welles, capaz de receber dezenas de livros em sua porta, pacotes, imagina. Quando nosso resenhista excluído recebe uma obra – talvez uma por semestre, e ao contrário, ao sinal do carteiro, corre para a porta para abrir o pacote nas raras vezes em que isso acontece. Embasbacado, lembra da alegria de receber Michel Maffesoli no original, anos antes de sua publicação no Brasil, ou obras de Paul Virilio, em francês, numa época em que sequer se falava em sua obra. Adiante de seu tempo, mas colocado atrás dele por editores, ninguém acreditava que as obras que aquele zé ninguém queria resenhar tinham alguma importância. Anos depois, quando algum medalhão da academia, tratava de publicar a resenha da TRADUÇÃo da obra, enfileiravam-se admiradores. Nada mais injusto! Nosso homem dá de ombros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca arriscou discorrer sobre livros ou autores que desconhecesse. Alias, seu leque de resenhas era resumido sempre aos mesmos autores, numa eterna repetição: baudrillard, maffesoli, virilio, lyotard, deleuze, finkielkraut, bruckner, zizek, castells, castel, bauman. Sua ladainha tinha um fundamento: era preciso acompanhar toda a obra de um autor, cada uma, importando-a se fosse necessário, para ligar os argumentos do desenvolvimento do pensamento de um autor. Curiosamente, não se fez filosofo de formação, mas historiador. Não existia nada de muito significativo em seus autores, apenas unidos pelo fato do interesse em explicar o mundo.&lt;br /&gt;Para nosso homem, era disso de que devia tratar todas as resenhas, dos diveros modos de explicar o mundo. Ou ao menos as principais. Ou ao menos as abordagens da sociologia e da historia. Ou da política e da filosofia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas um autor de cada vez, abordado densamente, de um livro para outro, única forma de banir para a mente a expressão: “Meu Deus, que porcaria!”. Pois em autores selecionados, raras vezes temos obras ruins – ok, Maffesoli é repetitivo, baudrillard é hermético, virilio abusa das maiúsculas, lyotard é maluco, deleuze o acompanha, finkielkraut – afinal, este é de direita ou é de esquerda? – Bruckner é o melhor ensaísta que há, zizek é o novo arauto da esquerda, castells é o pensador da sociedade em rede, castel, o da sociedade e do perigo e baumam, bom, abusa da sociedade líquida que dá dó. Mas ele sabe que cada um destes autores tem uma forma original de escrever e que ele sonha secretamente imitar; que os conceitos com que trabalham dão a base para um novo discurso sobre o social, e que são lugares das mesmas frases batidas de que fala Wells – “um livro que ninguém deve perder”, “algo memorável em cada página”, “de especial valor são os capítulos que abordam” .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se há assim resenhistas regulares entediados com seu oficio, por outro lado há aspirantes a resenhistas que sonham com um pedaço de sombra no universo de nossos suplementos culturais. Há escritores de todo o tipo, fadados ao sucesso, ao meio sucesso e ao fracasso. È certo que nosso home é pertencente a esta ultima categoria, a do resenhista excluído, que envolve não só alguém que produz muito mas não consegue publicar, mas alguém que a maioria das pessoas nunca ouviu falar.Ele sequer consegue ser uma farsa, simplesmente porque sequer sabem de sua existência. Ele despeja litros de seu espírito por vez na pia. Se ao menos lhe fosse dada uma chance de resenhar, ofereceria sua visão pessoal dos livros que recebe. Mesmo que criticasse, seria uma critica baseada num certo olhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na prática, como todos sabem, não há lugar para todos. E os espaços dos jornais já estão todos ocupados pelos fixos, e quando surge a possibilidade de publicar em novos universos , como o virtual, através de blogs, é para ver, a cada dia “0 comentários”, ou ainda, 1 pessoa seguindo. As vezes você mesmo, que por um tropeço de teclado, incluiu-se em seu próprio séquido de não seguidores. Este sim, é pior do que o critico de cinema, que tem de sair de casa para critica: o aspirante a critico faz parte da maioria silenciada, incapaz sequer de ver pronunciada sua opinião.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3781079153050474132-6471397499918195955?l=filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/feeds/6471397499918195955/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3781079153050474132&amp;postID=6471397499918195955' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/6471397499918195955'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/6471397499918195955'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/2010/05/confissoes-de-um-aspirante-resenhista.html' title='Confissões de um aspirante a resenhista'/><author><name>Jorge Barcellos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13317457638691531178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3781079153050474132.post-5367655447056425330</id><published>2010-05-05T18:25:00.000-07:00</published><updated>2010-05-05T18:25:47.653-07:00</updated><title type='text'>Orwell e as manhas da profissão</title><content type='html'>&lt;a href="http://wp.clicrbs.com.br/mundolivro/2010/05/05/orwell-e-as-manhas-da-profissao/?topo=77,1,1,,,77"&gt;Orwell e as manhas da profissão&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3781079153050474132-5367655447056425330?l=filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://wp.clicrbs.com.br/mundolivro/2010/05/05/orwell-e-as-manhas-da-profissao/?topo=77,1,1,,,77' title='Orwell e as manhas da profissão'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/feeds/5367655447056425330/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3781079153050474132&amp;postID=5367655447056425330' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/5367655447056425330'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/5367655447056425330'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/2010/05/orwell-e-as-manhas-da-profissao.html' title='Orwell e as manhas da profissão'/><author><name>Jorge Barcellos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13317457638691531178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3781079153050474132.post-6318199874244442387</id><published>2010-05-03T18:47:00.000-07:00</published><updated>2010-05-03T18:49:23.786-07:00</updated><title type='text'>O fim da infância</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Está circulando na Internet (http://primeirainfancia. org.br/2010/05/ carta-da-rnpi-para-os-parlamentares/) a carta elaborada pela Rede Nacional Primeira Infância, formada por 74 organizações da sociedade civil, do governo, do setor privado, de organizações multilaterais e outras redes de organizações, dirigida aos deputados e senadores da República solicitando o reexame do dispositivo constante do PL 6755/2010 (original PLS 414/2008) que estabelece em seu artigo 6º o dever dos pais ou responsáveis de efetuar a matrícula dos menores a partir dos cinco anos no ensino fundamental. A idade é reiterada no artigo 32 do mesmo projeto, que diz que o ensino fundamental, com duração de nove anos anos, inicia-se aos 5 (cinco) anos de idade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tais entidades questionam o projeto de lei porque entendem que ele implica no fim do direito de ser criança. Para tais entidades, trata-se de um verdadeiro roubo da infância, na medida em que a criança tem o direito de viver segundo suas características físicas, biológicas e psicológicas de. Este direito é roubado porque “começar a primeira série do ensino fundamental aos cinco anos e um dia equivale a perder a infância, estar a criança impedida de ser criança, ser proibida de brincar”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Rede Nacional da Primeira Infância tem razão em sua luta. Os educadores há muito tempo defendem a expansão da educação pré-escolar e não a inclusão das crianças de cinco anos na educação fundamental. É consenso dos educadore que a educação pré-escolar é a que atende de forma mais adequada a uma pedagogia da primeira infância, pois é a que mais consegue preservar "o direito de brincar" da criança. Para eles, a inclusão da crianças de cinco anos na primeira série só fará mal a elas, pois, do jeito que está o sistema, a insere de forma inadequada no ensino fundamental. Além disso, a sociedade e a família não ganham nada diminuindo o período da infância e suprimindo um ano de educação pre-escolar, já que só há conseqüências perversas com tal dispositivo: amplia-se a produção de estresse infantil devido aos problemas de inadequação aos longos horários, ou causados pelo uso das cadeiras escolares e até mesmo pelo aumento da reprovação. Já baixamos o limite de acesso a educação de sete para seis anos, e agora, querem cinco. Aonde isso vai parar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A luta é motivo para reflexão. Ver educadores em um movimento político sempre é motivo de contentamento. Mais ainda quando liderados por Vidal Didonet, um dos maiores especialistas em Educação Infantil e cuja luta mostra que os professores não estão dispostos a abandonar a defesa da educação. Mais, mostra que os professores são capazes de se mobilizar e rapidamente tentar reverter o impacto de más políticas públicas. Que o campo destas políticas sejam ainda um lugar de lutas sociais, é um alento. Num mundo em que cada vez mais se afirma o desencanto dos educadores com a política, observar como eles são capazes de se mobilizar em defesa do respeito as características da infância, a defesa da educação de qualidade e o respeito às instituições democráticas, mostra que os movimentos sociais aindam tem uma grande contribuição a dar quando se adentra no século XXI.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3781079153050474132-6318199874244442387?l=filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/feeds/6318199874244442387/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3781079153050474132&amp;postID=6318199874244442387' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/6318199874244442387'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/6318199874244442387'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/2010/05/o-fim-da-infancia.html' title='O fim da infância'/><author><name>Jorge Barcellos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13317457638691531178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3781079153050474132.post-432670971255053381</id><published>2010-04-30T10:59:00.000-07:00</published><updated>2010-04-30T11:00:25.500-07:00</updated><title type='text'>Reflexões sobre o Dia do Trabalho</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Preocupam-me duas questões para discussão pela passagem de mais um Dia do Trabalho. A primeira é relacionada ao fato de que nesta data, na América Latina,  cerca de 7 milhões de jovens entre 15 e 24 anos não terão nada a comemorar, pelo simples fato de não estarem empregados. E no Brasil, onde parte significativa destes jovens é a mais instruída, inclusive freqüentando curso superior, estão condenados a passar os dias sem nenhum ofício, encarnando o desperdício de talento. Para Jean Maninat,  Diretor Regional da OIT para a América Latina “ a taxa de desemprego dos jovens aumentou mais do que a dos adultos, enquanto diminuiu a sua participação nos mercados de trabalho”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A segunda é relacionada ao fato de que a partir dos anos 80 pesquisadores como Roberto Castel apontam para uma onda de intensificação do trabalho. É a constatação de que o trabalhador está dispendiando mais energias para realizar seu trabalho. Tem-se exigido mais no trabalho, um empenho maior, seja físico ou intelectual. A manipulação do grau de intensidade do trabalho tem como objetivo elevar a produção, a aumentando resultados, mas é de fato um problema moral, o da superexploração da mão-de-obra. Sadi Dal Rosso, em “Mais Trabalho” (Boitempo, 2008) enumerou a base desta superexploração: aumento do ritmo e da velocidade de trabalho; acúmulo de atividades a serem executadas por um mesmo trabalhador; aumento das horas de trabalho e exigência de polivalência, flexibilidade e versatilidade como qualificações para o trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As duas questões são parcialmente ligadas. A intensificação do trabalho pode ser vista particularmente no Serviço Público. Com menos funcionários do que precisa e com  recursos reduzidos em decorrência de sucessivas Reformas Administrativas, os trabalhadores do Serviço Público tem sido exigidos cada vez mais naquilo que se convencionou chamar de trabalho imaterial (André Gorz): maior necessidade de elaboração intelectual, de raciocínio rápido, de especialização (sem investimento do Estado), que exigem mais conhecimento e mais dedicação, mas também transformam-se em fonte de desgaste. Por outro lado, a impossibilidade cada vez maior de realização de concursos públicos, motivada pela necessidade de contenção de custos, faz com que uma geração de jovens em condições de prestar exames seja afastada de um dos mercados de trabalho potenciais, o Estado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O trabalho é, antes de tudo, uma questão política da maior importância para nossa sociedade. Aos chefes de governo cabe a responsabilidade de evitar a superexploração de seus funcionários - que impede a qualidade dos serviços públicos - mediante abertura de concurso público, o que beneficiará também os jovens. Às lideranças políticas cabe a responsabilidade de construir políticas públicas para a ampliação das oportunidades de trabalho porque é mais difícil garantir a estabilidade de uma sociedade e a governabilidade democrática sem emprego. &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3781079153050474132-432670971255053381?l=filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/feeds/432670971255053381/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3781079153050474132&amp;postID=432670971255053381' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/432670971255053381'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/432670971255053381'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/2010/04/reflexoes-sobre-o-dia-do-trabalho.html' title='Reflexões sobre o Dia do Trabalho'/><author><name>Jorge Barcellos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13317457638691531178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3781079153050474132.post-9119797517618718581</id><published>2010-04-30T10:58:00.000-07:00</published><updated>2010-04-30T10:59:24.753-07:00</updated><title type='text'>Os Políticos e o Dia do Trabalho</title><content type='html'>&lt;strong&gt;  &lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;O que vou dizer vai provocar a ira de muitos brasileiros, e principalmente de um, David Coimbra, colunista do Jornal Zero Hora de Porto Alegre, que há muito tempo tem criticado os políticos e a política: os políticos merecem comemorar o Dia do Trabalho. Mais, as instituições políticas brasileiras deveriam comemorar o Dia do Trabalho. Pronto. Disse. Vamos a um exemplo. Em Porto Alegre, no dia 28 de abril, a jornalista Carla Kunze da Assessoria de Imprensa da Câmara Municipal  postou no site do Legislativo (&lt;/span&gt;&lt;a href="https://webmail.camarapoa.rs.gov.br/owa/redir.aspx?C=a108fabfc548433dadd23f8644f2922f&amp;amp;URL=http%3a%2f%2fwww.camarapoa.rs.gov.br%2f" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;www.camarapoa.rs.gov.br&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;) uma noticia às 4h26 da manhã.  A matéria era referente a terceira edição do projeto Câmara Itinerante, realizado na Vila Restinga, região sul da capital, e que encerrou por volta das 11 da noite do dia anterior. Kunze terminou a matéria em casa e pode-se dizer, que aquela altura da madrugada,  ela ainda estava trabalhando para benefício da população com aquilo que sabe fazer, bom jornalismo. Da mesma forma os  vereadores estavam trabalhando para a sociedade após um dia de atendimento em gabinete na parte da manhã, presença na sessão legislativa na parte da tarde, completando um terceiro turno de trabalho a noite. O que faz com que o trabalho de vereadores e funcionários, além de suas obrigações, sejam esquecidos nas comemorações do Dia do Trabalho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro, o preconceito quanto ao trabalho político. A verdade é que o Dia do Trabalho consagrou-se mais como data de luta de várias categorias sociais e menos como a data de homenagem a uma atividade ou profissão. Segundo, homenageamos os trabalhadores e esquecemos das atividades laborais propriamente ditas e as instituições. Mas se é dia DO trabalho, e se há bons políticos QUE trabalham muito no legislativo, porque a data não pode ser comemorada por eles pelo trabalho que realizam em beneficio da sociedade? Pois é disso que se trata, de valorizar neste dia, também o verdadeiro trabalho político. A boa política. A idéia do político profissional é assustadora,  a idéia que da perpetuidade do trabalho político por um agente não se coaduna com a idéia democrática de alternância do poder. Por outro lado, a  necessidade de profissionalizar os políticos significa que devemos exigir deles o aprofundamento dos temas de políticas públicas que caracterizam seu trabalho parlamentar. É neste, e somente neste único sentido que é positiva a idéia de políticos profissionais, no sentido de especialistas nos campos que buscam defender. Os políticos comemoram o Dia do Trabalho porque são professores, economistas, mas tem vergonha de comemorar por seu trabalho. Se a data é para reflexão,  deve servir para incentivar aos políticos a importância do trabalho legislativo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A prova de que o trabalho dos políticos tem aumentado está no recente estudo da Equipe de Qualidade da Câmara Municipal de Porto Alegre. Intitulado “Gestão CMPA 2009-2010” ele mostra que os vereadores de Porto Alegre trabalham muito pela cidade. No período o número de leis complementares aprovadas aumentou de 25 para 75; os decretos de 385 para 567; a realização de Tribunas Populares passou de 30 para 59; foram disponibilizadas para  escolas de 75 para 81 exposições itinerantes; a Radio Câmara passou de 6481 para 11546 ouvintes. Por outro lado, os números também mostram o trabalho de economia do legislativo: os valores empenhados em relação aos orçados baixaram de 93,77 para 93,52%; a participação no custo publico, segundo a Lei de Responsabilidade Fiscal, baixou de 2,22 para 2,18%; os gastos com folha de pagamento diminuíram de 63,97 para 59,92% (o valor de referência é 70) entre outros indicadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A data merece ser comemorada por todos os trabalhadores. E por instituições públicas também, que tem no seu dia-a-dia de trabalho uma única preocupação: ajudar a construir uma sociedade mais democrática e com mais políticas públicas sociais para toda a população.  E David, Feliz Dia do Trabalho!      &lt;br /&gt; &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3781079153050474132-9119797517618718581?l=filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/feeds/9119797517618718581/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3781079153050474132&amp;postID=9119797517618718581' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/9119797517618718581'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/9119797517618718581'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/2010/04/os-politicos-e-o-dia-do-trabalho.html' title='Os Políticos e o Dia do Trabalho'/><author><name>Jorge Barcellos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13317457638691531178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3781079153050474132.post-2291286622450072513</id><published>2010-04-22T19:31:00.000-07:00</published><updated>2010-04-22T19:32:01.926-07:00</updated><title type='text'>A responsabilidade do Estado pelos acervos gaúchos</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A iniciativa da recuperação do acervo do jornalista e vereador Alberto André (Zero Hora, 22/4) tem um significado importante na trajetória das lutas pela preservação dos acervos gaúchos: é um exemplo da responsabilidade que deve assumir o poder público com relação à memória gaúcha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui responsável na Câmara Municipal de Porto Alegre pela formulação do seu projeto de salvamento. Em 2009, a família procurou a Câmara Municipal para ajudar a solucionar o problema em que havia se transformado a enormidade de livros e documentos acumulados em sua residência por Alberto André. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O levantamento preliminar mostrou que estávamos diante de uma biblioteca para amplo público. Alberto André possuía em seu acervo ricas e raras coleções de literatura dos anos 30 e 40; exemplares, às vezes de primeira edição, de obras consagradas de história, de ciências humanas e outras disciplinas e uma rica coleção de recortes de jornais (hemeroteca) onde se via a atenção que Alberto André dava aos temas da capital. Esse acervo não poderia ser perdido e nem objeto da disputa dos livreiros de plantão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde o inicio do projeto, o conceito central do projeto era de que o acervo era patrimônio que aspirava a ser público. Mas havia ainda outro motivo para empenhar-se na sua preservação: o fato de que no mesmo período, a cidade viu ir para outro estado os preciosos acervos de Érico Veríssimo e Mário Quintana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A estratégia que levou a preservar no Rio Grande do Sul este acervo atende pelo nome de parceria. Nenhuma das instituições envolvidas possuia condições de assumir sozinha o projeto, mas juntas, o salvamento era possível. Ao Legislativo e a Universidade Federal couberam o papel de assumir suas prerrogativas enquanto instituições públicas: a construção do Laboratório de Restauração deve ser entendida como elemento de uma política pública de preservação de acervos. Não é um Laboratório de primeiro mundo, é verdade, mas contém a estrutura básica para atividades do gênero: todo o mobiliário foi recuperado a partir de doações das instituições envolvidas e recursos de informática foram doados pela Câmara dos Deputados. É o exemplo de uma estratégia de salvamento a custo zero e que pode ser imitada!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O trabalho está apenas começando e é grande a responsabilidade da Universidade Federal. A participação da ARI foi essencial ao ceder espaço em sua sede e assumir o destino final do acervo, mas é como exemplo de uma política pública à serviço da preservação da memória que a experiência deve ser valorizada.  &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3781079153050474132-2291286622450072513?l=filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/feeds/2291286622450072513/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3781079153050474132&amp;postID=2291286622450072513' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/2291286622450072513'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/2291286622450072513'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/2010/04/responsabilidade-do-estado-pelos.html' title='A responsabilidade do Estado pelos acervos gaúchos'/><author><name>Jorge Barcellos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13317457638691531178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3781079153050474132.post-1479668502883108777</id><published>2010-04-15T18:51:00.001-07:00</published><updated>2010-04-15T19:39:36.453-07:00</updated><title type='text'>Nos shoppings não se pode sentar</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Foi estupefato que fiz uma inesquecível descoberta: nos shoppings não se pode sentar. A situação foi mais ou menos a seguinte: no dia 15/04, quinta-feira, as 20 horas, depois de duas horas esperando para tomar a vacina da gripe na Imune, loja deste Shopping, bastou sentar num canto da ala para descansar para descobrir a ira dos seguranças que dizem que não se pode sentar. No chão, para dizer a verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não adianta falar da anomalia que é esperar, na rede privada, duas horas de pé por uma vacina que o governo deveria fornecer – fornece a de má qualidade, que dá reação, porque é misturada com ferro - ativantes – informou-me gentilmente a médica do lugar. Em realidade, segundo ela, a vacina que chegou a rede privada é bem diferente e melhor do que a da rede pública, melhor porque tem somente antígenos e de quebra, inclui a vacina das gripes de inverno. Quer dizer, depender da rede pública significa mais vacinas e com mais reações. Disto resulta a obrigação de ir ao shopping se vacinar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí a naturalidade com que encarei, nesta ultima quinta-feira, uma imensa fila para vacinar. Afinal, o governo fez questão de condenar pessoas de minha faixa etária - quarenta anos – a ficarem excluídas da vacina, o que significa, para hipocondríacos como eu, uma sentença de morte. Mas ficar numa fila cansa e ai, você quer sentar. Dezenas de pessoas, mães de família, pais, após um dia exaustivo de trabalho estavam se submetendo a este martírio. Todos reclamavam do atendimento, menos eu. Era sua forma de garantirem o mínimo risco para seus filhos e para si mesmos. Para aqueles que como eu já era excluídos das políticas públicas de vacinação, estava em vantagem. Então para que reclamar?.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas causou-me surpresa descobrir num momento de fraqueza que não se pude sentar no chão dos shoppings. Pior, justo você, que não está incomodando ninguem no shopping quando todos estão prestes a iniciar um conflito de proporções inimagináveis. Mas havia algo contra a própria natureza dos shoppings naquele gesto. Como se sabe, revisando a literatura, os shoppings nasceram com uma arquitetura cujo objetivo central é imitar as praças públicas – daí a expressão, praça de alimentação. Amplos ambientes, com a presença da luz natural, que simulam a experiência de uma praça. Nada mais contra a natureza da essência de um shopping, portanto, tal proibição, pois se nas praças reais sentamos no chão, nas artificiais também deveríamos poder fazer o mesmo. Não no Iguatemi. Universidades privadas como a Unisinos sabem da importância do seu cliente em se sentir a vontade e disponibilizam, em seus espaços, ambientes informais onde-se fica-se sob tapetes, com almofadas, numa ambiencia que lembra o lar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Iguatemi, não. Não existe pela segurança uma avaliação real das situações, existe a necessidade do cumprimento de uma ordem burocrática e dogmática que pode valer numa situação cotidiana mas nunca numa situação extraordinária como aquela, já que a fila era imensa, o tempo de espera passava de duas horas, e não havia lugares para sentar. Imaginei uma série de atividades que o segurança dos shoppings poderia ser encarregar de fazer: evitar a entrada de meliantes no interior do shopping, evitar assaltos ou coisas do gênero. Ou ainda melhor, comunicar a administração dos problemas vividos pelo gerente da Imune: evitar as discussões e ameças, evitar os enfrentamentos, acalmar os ânimos, pedindo calma a todos, ajundando a organizar a fila. Mas tirar alguém que havia se encostado no chão para descansar, por favor, nunca me passou pela cabeça. Nunca me passou pela cabeça que, frente a clientes irritados no final de um dia e sob imenso stress, fosse função da segurança assumir o papel de estopim de conflitos justamente com aquele que não estava incomodando ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para quem viu o shopping ser construido e o frequenta desde sua inauguração foi um imenso desencanto. Sim, foi isso que aquele segurança que atendeu a ocorrência do homem sentado no chão do shoppig as 20 horas do dia 15 de abril fez, fez a gentileza de acabar com a imagem que construi daquele shopping. Como diz o marketing, imagem é tudo. Submeteu seu cliente a uma situação duplamente humilhante: não bastasse ser submetido a uma fila que traz para um ambiente asséptico, as características de nossos piores serviços públicos, ficou a imagem de um segurança que sob a desculpa de que não poderia me deixar quieto no meu canto, preferiu ampliar o conflito trazendo uma cadeira própria para deficientes físicos. O gesto, visto como ofensivo pelas pessoas que assistiram a cena - afinal haviam dezenas de mães que estavam com seus filhos, idosos , que é claro estavam de pé e mereciam muito mais do que eu aquela atençao, ficaram estupefatas e terão guardado na memória a cena que presenciaram. O segurança do shopping perdeu a oportunidade de colaborar com uma situação dificil que estava ocorrendo numa ala do shopping, preferindo acentuar o conflito, provocando ainda mais a ira dos demais presentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando a administração do shopping encontrar meios de orientar melhor seus funcionarios, evitará que formadores de opinião coloquem textos como este que escrevo agora em seus blogs. Quando a administraçaõ do shopping perceber que clinicas são clientes especiais e preferenciais, que merecem estar num shopping, mas que shoppings devem acompanhar a prestação de serviços que fazem, auxiliando, se houver necessidade, pois senão terão uma bomba de efeito retardado, então o shopping estará administrando melhor seus serviços. Você vai a um shopping para consumir, e não ser humilhado. Foi o que aconteceu. Do jeito que vai, o Iguatemi está cada vez mais distante de ter o "estilo de seus clientes."&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3781079153050474132-1479668502883108777?l=filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/feeds/1479668502883108777/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3781079153050474132&amp;postID=1479668502883108777' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/1479668502883108777'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/1479668502883108777'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/2010/04/nos-shoppings-nao-se-pode-sentar.html' title='Nos shoppings não se pode sentar'/><author><name>Jorge Barcellos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13317457638691531178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3781079153050474132.post-9138495636009604594</id><published>2010-04-11T18:53:00.000-07:00</published><updated>2010-04-11T18:55:32.891-07:00</updated><title type='text'>A casa de Lutzenberger</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A notícia do aluguel da casa de Lutzenberguer é o símbolo do fracasso de nossas políticas culturais. Ela vai ser alugada para custear sua recuperação e manutenção. Se a casa de Kafka, de Andersen e tantos outros viraram lugar de cultura, porque não a casa de Lutzenberger? Se fosse na Europa, o Estado já teria a adquirido, realizado sua reforma e já estaria sendo um Centro de Cultura voltado para a problemática ambiental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tive a oportunidade de conhecer parte da casa por contatos com a Fundação Gaia, esplendidamente instalada no pátio interior da Casa. Não é uma casa qualquer: instalada no centro do bairro Bom Fim, possui uma arquitetura magnífica que dá a cara da Europa a um pedacinho da capital. As referências a casa, relatadas na conhecida biografia de Lutzenberger, lembram de um tempo em que aquela região era parte da imensa várzea da redenção. A verdade é que a casa é um ícone para cidade e não deveria ser objeto de aluguel a particulares: deveria ser de acesso a comunidade em ações culturais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro, deve ser respeitada a vontade dos legítimos herdeiros, é verdade. Mas existe uma memória dos movimentos sociais ali inscrita, especialmente do movimento ecologista da capital que foi forte e atuante nos anos 70 e 80. A residência deve ser o destino natural dos acervos de outros ecologistas, como Carneiro, seu grande companheiro de lutas, cuja coleção aguarda atenção das autoridades. A verdade é que Lutzenberger merecia mais de nossas políticas públicas. Pela revolução que fez no campo ambiental, as novas gerações devem ter contato com sua memória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O destino natural da residência é o destino público e não o privado. A questão de que se ainda há tempo para as autoridades mudarem o seu destino deve ser respondida pela família. As oportunidades e parcerias para efetivar uma política para sua abertura pública cabem as autoridades que tem a obrigação de responder a questão: por que se omitiram tanto?&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3781079153050474132-9138495636009604594?l=filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/feeds/9138495636009604594/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3781079153050474132&amp;postID=9138495636009604594' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/9138495636009604594'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/9138495636009604594'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/2010/04/casa-de-lutzenberger.html' title='A casa de Lutzenberger'/><author><name>Jorge Barcellos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13317457638691531178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3781079153050474132.post-4490935255015325220</id><published>2010-04-06T09:49:00.000-07:00</published><updated>2010-04-06T10:06:30.117-07:00</updated><title type='text'>Aniversário da Câmara</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Publicado no Jornal do Comércio, 6/4/2010&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;A polêmica da data de aniversário da Câmara Municipal apontada na edição de 5/4/2010 do Jornal do Comércio é um típico exemplo das diferentes interpretações que têm os historiadores. Para Gervário Neves, a data de 6/9/1773 é errada; deveria ser 11/12/1810. Para o leitor parece uma querela dos historiadores. E de fato é. O que Gervásio não diz é que a data foi defendida por membros do seu próprio Instituto Histórico. Riopardense de Macedo, ex-membro, defendia a data e dizia que “é preciso nos colocarmos naquela circunstância e dentro da mentalidade da época, [onde] é evidente que as Câmaras defendiam sua autonomia”. E ainda “é nesta data (6/9/1773), pois, que tem início, de fato, a capital do Rio Grande do Sul em Porto Alegre. A província continuava com o mesmo limite, dado por ocasião da instalação da primeira Câmara na cidade do Rio Grande. Era, no entanto, Capital sem ser vila, pois esta só poderia ser criada por alvará real, o que aconteceu em 11 de dezembro de 1810”. A citação é extraída da obra Bicentenário da Câmara Municipal de Porto Alegre (1773-1973), publicação da Câmara de Vereadores. O fato  é corroborado por Sérgio da Costa Franco, outro integrante do Instituto Histórico e Geográfico, que em Guia Histórico de Porto Alegre escreve: “A história do parlamento municipal de Porto Alegre remonta ao dia 6 de setembro de 1773, data em que os membros da Câmara de Viamão pela primeira vez se reuniram na Vila de Nossa Senhora da Madre de Deus de Porto Alegre”. Finalmente Adriano Comissoli, em sua obra Os homens bons e a Câmara Municipal de Porto Alegre, afirma que o próprio termo Capital da capitania era dado pelo fato de ser sede do governo, independentemente da localização ou condição formal da localidade em questão “era capital aquela povoação que abrigava a casa do governador, a provedoria da Fazenda Real e a Câmara. A condição de Capital independia do fato de uma localidade ser vila ou cidade por decreto real, de onde se apura certo pragmatismo das autoridades portuguesas, mais preocupadas com a face prática da administração do que com as questões formais da mesma”. Divergimos da posição de Gervásio. A posição até hoje adotada na Câmara diz respeito à história sim. Considera os documentos de época, os coloca em seu contexto - e mais - respeita a posição de historiadores do Instituto Histórico e Geográfico, que Gervário&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size:130%;"&gt;parece esquecer. Nada mais.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3781079153050474132-4490935255015325220?l=filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/feeds/4490935255015325220/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3781079153050474132&amp;postID=4490935255015325220' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/4490935255015325220'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/4490935255015325220'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/2010/04/aniversario-da-camara.html' title='Aniversário da Câmara'/><author><name>Jorge Barcellos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13317457638691531178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3781079153050474132.post-7311728113029104947</id><published>2010-04-05T19:18:00.000-07:00</published><updated>2010-04-05T19:20:39.293-07:00</updated><title type='text'>Ataque de Gervásio Neves à efeméride legislativa</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_1408sHKFefU/S7qaFFdxwaI/AAAAAAAAAE0/_DPwcLnxOzk/s1600/Entrevista_GRN_JornalComercio_05-04-10.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 400px; FLOAT: right; HEIGHT: 380px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5456843310669873570" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_1408sHKFefU/S7qaFFdxwaI/AAAAAAAAAE0/_DPwcLnxOzk/s400/Entrevista_GRN_JornalComercio_05-04-10.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Neste artigo, publicado dia 5/4 no Jornal do Comércio, o Prof. Gervásio Neves critica uma efeméride do Legislativo. Confira nossa argumentação nas postagens abaixo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3781079153050474132-7311728113029104947?l=filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/feeds/7311728113029104947/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3781079153050474132&amp;postID=7311728113029104947' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/7311728113029104947'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/7311728113029104947'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/2010/04/ataque-de-gervasio-neves-efemeride.html' title='Ataque de Gervásio Neves à efeméride legislativa'/><author><name>Jorge Barcellos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13317457638691531178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_1408sHKFefU/S7qaFFdxwaI/AAAAAAAAAE0/_DPwcLnxOzk/s72-c/Entrevista_GRN_JornalComercio_05-04-10.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3781079153050474132.post-5614089100236183715</id><published>2010-04-05T19:12:00.000-07:00</published><updated>2010-04-05T19:13:08.539-07:00</updated><title type='text'>Qual o lugar dos Institutos Históricos na construção da memória nacional?</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;A recente polêmica iniciada pelo Prof. Gervásio Rodrigues Neves, do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul em entrevista ao Jornal do Comércio do último dia 5 de abril, ao tratar de um tema já consolidado na historiografia, serve para trazer um debate mais de fundo, e que agora tem a oportunidade de ser colocado: qual o papel dos Institutos Históricos na produção do saber histórico contemporâneo? Neves questiona a data de fundação da Câmara Municipal de Porto Alegre (6/9/1773) que, historiadores do próprio IHGRGS já na década de 70, como o Prof. Francisco Riopardense de Macedo, definiram como a data de referência. A polêmica coloca duas questões. A primeira: frente ao advento da pós-graduação e da multiplicação de instituições museais, ainda faz sentido o projeto dos Institutos Históricos e Geográficos no Brasil? A segunda, mais provocadora: e se a preocupação pela data de fundação do legislativo da capital não for uma pergunta acadêmica, mas ao contrário, o ato falho de uma instituição em busca de sua verdade - tal como na análise freudiana, o ato falho significa a emergência de um inconsciente revelador – o que de fato significa sua polêmica?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se não vejamos. O Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, como se sabe, é uma das mais antigas instituções dedicadas ao tratamento e cuidado com a memória no Brasil. Fundado em 1838 com o objetivo de ser uma entidade que refletisse “a nação brasileira”, sua criação dá-se nos quadros do período pós-independência do Brasil. Composta por integrantes da então Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional – hoje, por sucessoras, a Federação das Indústrias do Rio de Janeiro –, teve como secretários o cônego Januário da Cunha Barbosa e marechal Raimundo José da Cunha Matos, que a fundaram em 21 de outubro daquele ano. Desde então, passados mais de 160 anos, tal instituição incentivou  a criação de similares nos estados, que terminaram por reunir um volumoso e significativo acervo bibliográfico, hemerográfico, arquivistico e museológico a disposição do público. Sua ligação com a monarquia é visceral: D. Pedro II, que recebeu do IHGB o título de protetor, incentivou as primeiras pesquisas e fez doações valiosas para o instituto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tais instituções foram necessárias neste período porque havia a carência dos meios para iniciar-se um processo de educação nacional.  Mesmo com a vinda da família real para o Brasil, e a instalação da Imprensa Régia por D. João VI, havia a carência de instrumentos para garantir a educação nacional. Além disso, logo após a Independência do Brasil, frente a onda separatista que se inicia, tais instituições cumprem o papel  de forjar a ideologia que mantinha intacta a idéia de unidade territorial e fortalecia o processo de centralização político-administrativa do Estado monárquico. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os Institutos Históricos e Geográficos foram então pensados como uma Academia, do tipo preferido pelo Iluminismo europeu do período com a finalidade de coligir e guardar documentos, bem como escrever a história nacional como forma de manter a unidade ideológica  do país. Não é a toa que um dos seus primeiros projetos é a escolha de um projeto de escrita da Historia Nacional “Como se deve escrever a Historia do Brasil”, vencida pelo naturalista alemão Karl Friedrich Philipp Von Martius, que consolida o tema da miscigenação das três raças formadoras do povo brasileiro que se torna recorrente no pensamento social e na produção historiográfica nacional. É o grande projeto da construção da memória nacional. Diz José Honório Rodrigues em A evolução da pesquisa pública histórica brasileira:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; “O Instituto nomeava membros honorários estrangeiros, que prometiam procurar nos arquivos e bibliotecas europeus documentos relativos ao Brasil. É o caso de Teodoro Monticelli, que de Nápoles se oferecia a pesquisar para o Instituto. Era o caso, também, de Caetano Lopes de Moura, que, pensionista de D. Pedro II, examina as bibliotecas de Paris e depois foi à Bélgica e à Holanda, enviando para o Instituto Histórico os resultados de suas pesquisas.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tal concepção tinha como conseqüência a criação de um passado homogêneo e a consolidação de mitos de fundação, através da ordenação dos fatos históricos, constituição dos heróis nacionais, fornecendo as gerações futuras os exemplos de patriotismo e devoção a pátria que tinham como fim transmitir ensinamentos a população em geral, homogeneizando o pensamento no interior da nação. Ora, o que se estava fazendo na prática era congregar em torno de um referencial comum grupos sociais historicamente diferentes. Os Institutos Históricos nasceram para construir a História do Brasil, disciplina capaz de legitimar o estado monárquico em seu processo de centralização política e com membros compostos pela aristocracia rural e intelectuais românticos com uma grande preocupação: os momentos fundadores da nação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta instituição teve questionado seu projeto no século XX devido a dois fatores principais. O primeiro é a ascensão da pós-graduação no Brasil, a partir dos anos 70,   foi responsável pela criação de inúmeros centros de pesquisa em História em universidades públicas e privadas e pela formação de um extenso contingente de profissionais de história. Contando com recursos de fomentadoras de projetos (CAPES, CNPQ), tais instituições deram um impulso à pesquisa histórica que terminou por relegar a um segundo plano na sociedade o lugar dos Institutos Históricos. Além disso, enquanto que os Institutos Históricos amargavam em seus quadros membros ainda pertencentes as antigas gerações de pesquisadores - muitos jornalistas, autodidatas, e as vezes funcionários públicos -  as universidades ganhavam pesquisadores titulados inclusive no exterior e com uma série de publicações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segundo foi a multiplicação, a partir dos anos 90, de centros de memória nas mais diferentes instituições públicas e privadas. Foi o golpe de misericórdia sobre os Institutos Históricos e Geográficos, que deixaram de ser a referência em produção de memória, passando a disputar espaço no mercado museal com centros de memória das mais diversas instituições, públicas e privadas, muitas vezes com mais recursos, enquanto os Institutos Históricos sobreviviam da limitada contribuição oficial ou de suas rendas.  A perda de espaço foi sentida como um desestímulo da sociedade para com seus integrantes, que em que pese o mérito evidente de suas pesquisas, insistiam em manter  investigações na linha dos seus estudos tradicionais dos anos 30 e 40, enquanto seus congêneres universitários situavam-se no campo pós-moderno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez, e talvez somente neste ponto, possamos compreender o significado do esforço do atual dirigente do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul em  atacar  uma efeméride do legislativo local: no fundo, no fundo, mais do que um “conflito de interpretações”, seu esforço é revelador da subjetividade de uma instituição que vê a paranóica busca do mito de fundação, em tudo e em todos, como seu único refúgio, o lugar em que se sente bem. Se for assim, é hora do IHGRGS repensar sua identidade. Quem avisa, amigo é.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3781079153050474132-5614089100236183715?l=filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/feeds/5614089100236183715/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3781079153050474132&amp;postID=5614089100236183715' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/5614089100236183715'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/5614089100236183715'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/2010/04/qual-o-lugar-dos-institutos-historicos.html' title='Qual o lugar dos Institutos Históricos na construção da memória nacional?'/><author><name>Jorge Barcellos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13317457638691531178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3781079153050474132.post-5113806571313256189</id><published>2010-04-05T13:10:00.000-07:00</published><updated>2010-04-05T13:11:29.960-07:00</updated><title type='text'>A data de aniversário da Câmara</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;O Presidente do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul, Prof. Gervásio Rodrigues Neves, em entrevista ao Jornal do Comércio do dia de hoje, aponta que a data adotada para a fundação da Câmara de Vereadores de Porto Alegre é equivocada. Seu argumento é que a Ata de 6 de setembro de 1773  corresponde a instalação da Câmara de Rio Grande em Porto Alegre, e que sempre defendeu como a tese de que a data correta é a de dezembro de 1810. Diz: “Quando se fala em 1773, é uma Câmara que funcionava em Porto Alegre, cujo espaço de atuação era todo o Rio Grande do Sul, administrava todo o estado. A outra é uma Câmara que é de Porto Alegre, administrando sua área de influência, definindo seu Código de conduta, que só começa em dezembro de 1810. Então, são 200 anos”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A afirmação do professor Gervásio Rodrigues Neves reestabelece  uma polêmica que este Legislativo entende superada. A razão é que existe uma tradição de estudos  históricos que defende a data, fontes comprovadas e um contexto histórico que fundamenta a escolha do legislativo e que remonta aos anos 70. Um dos primeiros historiadores a darem-se conta da dificuldade de encontrar a data oficial do legislativo foi Francisco Riopardense de Macedo, membro efetivo do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul e autor da obra “Bicentenário da Câmara Municipal de Porto Alegre” (1773-1973). Riopardense de Macedo aponta a dificuldade de estabelecer uma datação devido ao fato de que “aqui tudo aconteceu diferente. Porto Alegre foi capital antes de ser vila, foi sede de município  único muito antes de ser cidade”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo Riopardense, a determinação de José Marcelino de Figueiredo, de transferir a sede da Câmara Municipal, de Viamão para Porto Alegre, foi em função dos conflitos do Prata e se efetivou em 6 de setembro de 1773, como comprovam a Ata da Câmara desta data. Para Riopardense de Macedo, “é preciso nos colocamos naquela circunstância e dentro da mentalidade da época, [onde] é evidente que as Câmaras defendiam sua autonomia”. Para Riopardense de Macedo “é nesta data [6/9/1773], pois, que tem inicio de fato a capital do Rio Grande do Sul em Porto Alegre. A província continuava com o mesmo limite, dado por ocasião da instalação da primeira câmara na cidade do Rio Grande. Era, no entanto, capital sem ser vila, pois esta só poderia ser criada por Alvará Real, o que aconteceu em 11 de dezembro de 1810.”  A data reivindicada pelo Professor Gervásio Neves havia sido rejeitada por Riopardense de Macedo, do mesmo instituto, em 1973. Nesse ano, Riopardense de Macedo já reforçava a idéia de que de fato, desde 1773 a Câmara funcionava representando o povo de Porto Alegre. Riopardense assinala: ”No inicio representava o povo todo do continente do Rio Grande de São Pedro. Promoveu como pôde, desde então, o bem comum em toda a área até 1809, quando surgem mais três Câmaras para cuidarem de áreas mais distantes.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os documentos relativos a transferência da Câmara de Viamão para Porto Alegre não se resumem a Ata de 6 de setembro de 1773, contudo. No Arquivo Histórico de Porto Alegre Moyses Velinho encontram-se além da referida Ata, a primeira em Porto Alegre e que é considerada a Ata de fundação do Legislativo, outros documentos que revelam as determinações ao redor de sua transferência. Em 25 de julho de 1773, José Custódio de Sá e Faria, governador do Continente de São Pedro, vê a necessidade da transferência da capital de Viamão para o Porto de Porto Alegre, dando ciência àquela Câmara em 25 de julho de 1773.  Em 29 de agosto de 1773 foi realizada a última reunião em Viamão e em 6 de setembro, já é feita em Porto Alegre. O que Riopardense assinala é a rapidez com que foi conduzido o processo, revelando um interesse dos próprios vereadores em assentarem-se em Porto Alegre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado é importante observar nas Atas posteriores a 1773 e anteriores a 1810 constantes dos Anais do Arquivo Histórico de Porto Alegre Moysés Vellinho, que o conteúdo de suas providências trata de inúmeras medidas diretamente ligadas a Porto Alegre, como a nomeação de almoxarife, arrematação de contrato de açougue, editais proibindo porcos soltos na cidade (sic!), pagamento pela criação de expostos, entre outras medidas para a capital. A Câmara é de Porto Alegre de fato, mas não de direito, o que é corroborado por Sérgio da Costa Franco, em seu Guia Histórico de Porto Alegre onde pode-se ler::”A história do parlamento municipal de Porto Alegre remonta ao dia 6 de setembro de 1773, data em que os membros da Câmara de Viamão pela primeira vez se reuniram na Vila de Nossa Senhora da Madre de Deus de Porto Alegre”. E completa:” As determinações superiores eram de que não só a Câmara passasse a funcionar em Porto Alegre, como também os respectivos oficiais viessem a residir na capital”, lembra  Franco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, o estudo mais detalhado da história da Câmara Municipal “Os homens bons e a Câmara Municipal de Porto Alegre”, de Adriano Comissoli, Tese de Mestrado orientado por Maria Fernanda Bicalho no Programa de Pós-graduação em História da Universidade Federal Fluminense, onde seu autor faz um estudo detalhado da história da Câmara do período. Comissoli lembra que o Riogrande do Sul setecentista apresentou algumas peculiaridades no que se refere ao desenvolvimento das Câmaras Municipais. Primeiro é, de fato, como lembra  Gervásio Rodrigues Neves, tratava-se de uma única Câmara na capitânia, e que a mesma acabavam integrando o aparelho administrativo de toda região. O problema, e dái a distinção da posição de Gervásio, é que o próprio termo Capital da capitania era dado pelo fato de ser sede do governo, independente da localização ou condição formal da localidade em questão “era capital aquela povoação que abrigava a casa do governador, a provedoria da fazenda Real e a Câmara. A condição de capital independia do fato de uma localidade ser vila ou cidade por decreto real, donde se apura certo pragmatismo das autoridades portuguesas, mais preocupadas com a face prática da administração do que com as questões formais da mesma”(Comissoli, p. 169).  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, salienta Comissoli, as duas transferências da Câmara tiveram motivos diferentes. A primeira mudança, de Rio Grande para Viamão, foi ato provocado pela invasão da primeira localidade por tropas espanholas, fugindo completamente ao controle de qualquer instância lusa de poder, devendo-se a necessidade única de garantir a administração. Já a segunda alteração, que mais nos interessa, de Viamão para Porto Alegre, teve como fundamento a necessidade de encontrar uma localização melhor para a administração da capitania e foi dirigida pelo governador José Marcelino com o respaldo do vice-rei Marques do Lavradio “Ação capitaneada pelo poder central, portanto. Neste sentido, a nova transferência objetivava uma melhor posição estratégica do aparato de governo: facilidade de transporte fluvial e melhor condição de defesa.(...)em Porto Alegre, os comerciantes ganham cada vez mais espaço junto a Câmara, fazendo desta o meio de expressão de seus interesses”.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao contrário do apontado pelo Prof. Gervásio Rodrigues, a posição posição até hoje adotada na Câmara diz respeito à história. Considera os documentos de transferência do legislativo (a Ata de 6 de setembro de 1773) mas a coloca em seu devido contexto histórico, o que significa reconhecer a importância de pensar-se  a Câmara em Porto Alegre, no período em questão passa a ser Câmara de Porto Alegre. A transferência da Câmara não é uma alteração geográfica apenas, mas uma ação politica. Diz Comissoli: “nossa interpretação é de que três fatores mostraram-se fundamentais na decisão da transferência da Câmara: o panorama político do continente, a posição estratégica de Porto Alegre e sua condição portuária, mais propícia ao comercio do que a de Viamão”.(Comissoli, p.43).  Finaliza: “O fato é que em termos de sua composição (vereadores) é praticamente a mesma a Câmara de antes de 1810 com a que vem a seguir”. Daí a razão de assumir-se Câmara de Porto Alegre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Câmara nasceu em 1773 de fato, mas não de direito. A data é uma referência na história da cidade. Não se trata de desconhecimento, como aponta Gervásio, mas ao contrário, como mostra Comissoli, é preciso pensar em termos da mentalidade da época e o significado que foi sua transferência, analisar sua composição, o papel pensado para a região no périodo para concluir-se que a Cidade e sua Câmara estava adiante de seu tempo. Que outros historiadores como Sérgio da Costa Franco, Riopardense de Macedo e Adriano Comissoli corroborem esta afirmação, é apenas um indicador que a disciplina de história, em que pese os documentos, também é influenciada pelas interpretações. A idéia de discutir o processo histórico de poder no Rio Grande do Sul, proposta por Gervásio deve ser preservada; sua idéia de alterar a data de fundação da Câmara, em que pese gerar um bom debate,  em nada ajudará a esclarecer os rumos históricos que o Parlamento tomou neste período. A adoção da data de 1773 é uma referência que merece ser valorizada e não  desprezada pela cidade, ao contrário, deve ser contextualizada – como já é – com os  devidos problemas de periodização da história da capital apontadas por pesquisas recentes.  &lt;br /&gt;  &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3781079153050474132-5113806571313256189?l=filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/feeds/5113806571313256189/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3781079153050474132&amp;postID=5113806571313256189' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/5113806571313256189'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/5113806571313256189'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/2010/04/data-de-aniversario-da-camara.html' title='A data de aniversário da Câmara'/><author><name>Jorge Barcellos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13317457638691531178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3781079153050474132.post-7047117678851873233</id><published>2010-03-24T12:59:00.001-07:00</published><updated>2010-03-24T13:00:59.450-07:00</updated><title type='text'>DOSSIE VOLTAIRE SCHILLING X - Uma crítica a Cultura em 2008</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;24 de maio de 2008&lt;br /&gt;Artigo&lt;br /&gt;Cultura faz falta, sim senhora!, por Jorge Barcellos*&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Foi Rosane de Oliveira, colunista de Zero Hora, quem primeiro notou que faltava, entre os Programas Estruturantes lançados pelo governo estadual, um voltado para a cultura. E sugeriu, com astúcia, a possibilidade de um projeto envolvendo as Oscips estar na agenda do governo para a área.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O Programa Estruturante Lisboa 2020, facilmente encontrado no Google (&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.gestaoestrategica.ccdr-lvt.pt/files/274.pdf"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;http://www.gestaoestrategica.ccdr-lvt.pt/files/274.pdf&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;), define-o assim: "O conceito de projeto estruturante cobre um número restrito de projetos, suficientemente integrados e transversais, susceptíveis de explicitar as grandes prioridades estratégicas [que se definem] em função de sua dimensão de resultados, isto é, sua capacidade para produzir mudanças duradouras [grifo nosso] e sustentáveis na competitividade e na coesão territorial da região".&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Ora, não se admite que a cultura não seja uma prioridade de governo, como conclui-se da leitura da apresentação dos Programas Estruturantes do Governo Estadual (&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.estruturantes.rs.gov.br/"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;www.estruturantes.rs.gov.br&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;). No mínimo, a questão "estruturante" da cultura deveria ser tratada junto com a educação. É importante para uma educação de qualidade a existência de professores valorizados (Programa Estruturante Boa Escola para Todos), mas também a existência de bons museus, centros culturais e espaços extra-escolares para atividades de currículo. Esquecer ou minimizar a cultura num Estado de tradição como o RS é, no mínimo, uma falta grave.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Mas há algo pior aí. É o silenciamento profundo da classe cultural com relação a esta política. Produtores, gestores da cultura do Estado, profissionais, organizações de classe, em nenhum lugar se percebe um movimento de pressão para a inclusão de mais um "programa estruturante" ou, no mínimo, uma reforma nos atuais programas. É preciso dar a expectativa aos diretores de museus e centros culturais do Estado da possibilidade de apoio para suas instituições, que, como é sabido, vivem de parcos recursos financeiros e humanos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Este silêncio é perturbador. Ele pode significar três coisas. A primeira é a surpresa: sim, estão todos boquiabertos com a clareza com que o atual governo minimiza a cultura gaúcha. A segunda é a desesperança: há muito tempo, todos nós, produtores culturais, perdemos a esperança na possibilidade da construção de instituições culturais sólidas em nosso Estado. A terceira é a ironia atroz: não há problema, porque nenhum dos programas estruturantes propostos um dia se realizará.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Fico com a idéia otimista de que o governo quer acertar. Os Programas Estruturantes de Lisboa têm algo para ensinar ao governo atual. Ali explicitou-se a idéia de que é necessário investir naquilo que produz mudanças duradouras nas regiões. Não me ocorre nada melhor para promover mudanças duradouras do que investimento na cultura, possibilitada pela valorização de nossos bens, memória e patrimônio cultural, que é riquíssimo. Ao menos, para mim. Ou estou enganado?&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3781079153050474132-7047117678851873233?l=filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/feeds/7047117678851873233/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3781079153050474132&amp;postID=7047117678851873233' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/7047117678851873233'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/7047117678851873233'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/2010/03/dossie-voltaire-schilling-xii-uma.html' title='DOSSIE VOLTAIRE SCHILLING X - Uma crítica a Cultura em 2008'/><author><name>Jorge Barcellos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13317457638691531178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3781079153050474132.post-2211287828105060455</id><published>2010-03-16T16:17:00.000-07:00</published><updated>2010-03-16T16:20:22.983-07:00</updated><title type='text'>DOSSIE VOLTAIRE SCHILLING IX  RESPOSTA DA SECRETARIA</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Publicado em Zero Hora Cultura, de 13 de março. Resposta a críticas sobre sua gestão. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://alineferrao.blogspot.com/2010/03/nao-ha-crise-na-cultura-gaucha.html"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Não há crise na cultura gaúcha&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;Em defesa de sua administração na Sedac, a secretária Mônica Leal sustenta que somente o choque de gestão implementado por ela impediu a paralisação de serviços e instituições na área&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;De início, como é do meu feitio, respondo àqueles que alegam que causei a pior crise cultural de nossa história, afirmando: não há crise na cultura. Só haveria crise se eu, titular da pasta, não tivesse tomado as providências de saneamento a partir de um choque de gestão. Essa é a verdade! Os que querem perpetrar suas críticas demonstram integrar um levante contra mera exoneração de cargo de confiança por laços de amizade que unem um pequeno grupo. Quanto ao exonerado, houve razões funcionais que motivaram a exoneração, não se tratando de capricho pessoal. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Ademais, havia e há um objetivo governamental de, no Memorial, se concentrar a memória do Rio Grande do Sul e não a história universal. Essa última é positiva e necessária, mas em órgão competente. O ocupaste de cargo de confiança deve seguir a linha do governo e não a sua pessoal.A Secretaria de Estado da Cultura (Sedac) contribuiu, sim, decisivamente com suas tarefas. Todavia, não tem a pretensão de esgotar todos os projetos. Os convênios com os municípios não são do conhecimento do censor desavisado Gunter Axt, tampouco que se está ampliando a Biblioteca: em 2009, a Sedac obteve a destinação do prédio conhecido como Casa da Cidadania, na mesma quadra em que está instalada a Biblioteca Pública atual. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;No novo espaço funcionará uma Biblioteca de referência com uma longa manus da atual Biblioteca, possibilitando aquisições e atualização de acervo. O prédio histórico está sendo totalmente restaurado, em parceria com o BNDES, para dar continuidade às intensas atividades culturais que lá acontecem e abrigar adequadamente o acervo bibliográfico de obras raras. Desconhece Axt que o Instituto Estadual do Livro (IEL) participou de uma dezena de publicações nesta gestão.Com o saneamento das finanças, em especial contendo gastos inexplicáveis como o aluguel de prédio na Praça da Matriz, com custo anual de meio milhão de reais, pôde a Secretaria organizar novos planos, como a conquista de sede própria e definitiva no 19º andar do Centro Administrativo do Estado, agora dotada de infraestrutura e tecnologia; o Sistema LIC resgatou sua credibilidade e está recebendo sistema automatizado, para o qual se destinou um valor bastante alto, garantindo mecanismos de controle eficientes e agilidade na tramitação dos projetos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A secretaria integrou, ativamente, o Projeto Estadual de Prevenção à Violência e levou grupos de teatro e bibliotecas itinerantes para comunidades carentes de inúmeros municípios das diferentes regiões de nosso Estado. Resgatamos o Prêmio de Incentivo à Pesquisa Teatral do Teatro de Arena.As críticas advindas de Günter Axt, além de improcedentes, porque não conhece a situação, são tendenciosas e pretendem gerar uma crise real, com objetivos claros.As instituições não ficaram paradas por falta de orçamento, pois as direções por mim indicadas, técnicas, usaram de muita criatividade e contaram com o apoio das associações de amigos, que são muito comprometidas e atuantes. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Frente ao quadro que encontramos de problemas nas nossas casas, busquei parceria através de patrocínios para a Cinemateca Paulo Amorim, para a Casa de Cultura Mario Quintana; um patrocínio inédito para restauração da fachada histórica em arenito do Museu Júlio de Castilhos; climatização e modernização do Margs para receber grandes exposições, como, por exemplo, Arte na França: o Realismo, que contou 135 mil visitantes; exposições inéditas como a da Escola Superior de Design de Ulm no Museu de Comunicação, este que está sendo restaurado através do programa Monumenta com contrapartida considerável da secretaria. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Houve a restauração da Casa de Jango, em São Borja, reciclada para abrigar um memorial e que contou com o financiamento da LIC e total participação do nosso Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (Iphae), que também estuda a restauração do Mercado Público Culturaonhecer as realizações, para não ferir as regras do pleno conhecimento da causa e da isenção que deve orientar o cientista. O engajamento compromete a opinião, quando tendenciosa.MÔNICA LEAL* * Secretária de Estado da Cultura&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3781079153050474132-2211287828105060455?l=filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/feeds/2211287828105060455/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3781079153050474132&amp;postID=2211287828105060455' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/2211287828105060455'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/2211287828105060455'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/2010/03/dossie-voltaire-schilling-ix-resposta.html' title='DOSSIE VOLTAIRE SCHILLING IX  RESPOSTA DA SECRETARIA'/><author><name>Jorge Barcellos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13317457638691531178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3781079153050474132.post-1161685441088501457</id><published>2010-03-16T04:57:00.000-07:00</published><updated>2010-03-16T04:58:32.514-07:00</updated><title type='text'>DOSSIE VOLTAIRE SCHILLING VIII - A Cultura da Secretária de Cultura</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;“Todos aqueles cujos sentimentos são contrários aos nossos não são necessariamente bárbaros nem selvagens, mas podem ter tanto quanto ou mais razão do que nós.” René Descartes, Discurso do Método  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Os argumentos utilizados pela Secretária Estadual de Cultura Mônica Leal em seu artigo do Cultura do último dia 13/03 são um bom exemplo de como funciona a legitimação ideológica em nossos dias atuais. Em uma primeira leitura, seus argumentos correspondem ao que Anna Freud (1936) e Otto Fenichel (1945) definiram como os mecanismos de defesa do ego. Negação em aceitar os dados da realidade – a crença na falta de fundamento nas criticas a sua gestão; fantasia proporcionada por uma ilusão dos desejos que não podem se realizar – a sua crença na existência de um projeto politio cultural em andamento da qual é protagonista; repressão que afasta do consciente e mantém a distância algo pertubardor – a réplica acirrada a seus críticos de plantão; projeção que atribui aos outros sentimentos que nascem em si mesma – de que a comunidade cultural está satisfeita com sua realização, quando há uma oposição; racionalização que encontra razões naquilo que é irracional - “o ocupante de cargo de confiança deve seguir a linha de governo e não sua linha pessoal”. Se Voltaire Schilling foi demitido porque foi incapaz de concentrar a memória do Rio Grande do Sul no Memorial – o que não é verdade, pois realizou publicações e eventos nesta área - da mesma forma o diretor do Margs deveria ser imediatamente ser demitido pela exposição Arte na França que a Secretaria elogia, porque também seu museu deveria concentrar a arte somente gaúcha! Nada mais irracional! Nada mais revelador da ausência de projeto!  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;As características de sua política cultural podem ser constatadas naquilo que a Secretária tem de mais inocente: seu blog (monicalealrs.blogspot.com). Nele vemos a Secretária no que mais considera como ação cultural propriamente dita: inaugurando obras, fazendo corpo a corpo com a comunidade cultural – e dá-lhe fotos, muitas fotos – e participando daquilo que considera a ação cultural por excelência, a Cavalgada do Mar. Sua primeira postagem é o registro do recebimento do CD da AJURIS que mostra como os magistrados do Rio Grande do Sul são bons cantores de música nativista (23/10/2009); depois, entre outras postagens, seguem-se as que falam da importância da Feira do Livro de Porto Alegre “nada substitui o cheirinho de papel” (31/10/2009); a tombamento do Castelo de Pedras Altas (29/11/2009); a da inauguração do auditório do Colégio Medianeira (Santiago, 11/3/2010) até o lançamento da Cavalgada do Mar (27/1/2010). Há muitas notícias suas, de viagens, de encontros com diversas personalidades do interior.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;De fato, entre pequenas e grandes ações, não é pouca coisa o trabalho da secretária.    Entre visitas a museus, autoridades, eventos e pessoas, realmente que tipo de política a Secretária tem desenvolvido? É claro que a Secretária tem desenvolvido ações sim, tem trabalhado em muito em prol da cultura sim, mas o que estamos discutindo é se elas reunidas constituem um projeto. Numa palavra, tem um fio condutor que as unifique, se possuem unidade que a constituam enquanto sistema. Pois é isto que faz com que suas diversas ações sejam fecundas para a cultura do estado. Que dêem frutos no futuro. Ao contrário, o que constatamos acompanhando as postagens da Secretária, é que vemos uma Secretária desesperada por fazer algo. Qualquer coisa. Às vezes até sem comer, como ela mesmo revela. Até em prejuízo de sua vida pessoal, como as vezes assinala. Viajando de um lado para outro, estando em diferentes lugares, em vários lugares ao mesmo tempo, às vezes de passagem rápida em função do próximo evento. Se seguir esse ritmo, a ela aplica-se o que Slavoj Zizek diz de forma paradoxal “É melhor não fazer nada que comprometer-se em atos localizados, cuja função última é fazer que o sistema funcione melhor” (La Suspension Política de la Ética, FCE, 2005).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Esse sistema de que trata Zizek pode ser aqui entendido como a prática de uma política cultural de aparências, na qual as discussões de fundo são substituídas por encontros e inaugurações. O problema da Secretária não é a sua passividade, que ela de fato não tem, mas a sua pseudoatividade, sua urgência de estar ativa, de participar de tudo e de todos os eventos, que mascara o vazio de projeto que a envolve. Ao participar de tantos eventos sem uma unidade de sentido, o que lhe é difícil verdadeiramente é retroceder, é retirar-se do dia-a-dia de contato com órgãos, instituições e pessoas, para construir o conceito de base das ações de políticas culturais de seu governo. Ao contrário, sua primeira ação critica deveria ser abandonar-se à passividade, recusar-se a participar de tais eventos para esclarecer de fato o terreno de sua verdadeira linha de governo.   &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Sobre a frase principal ”Não há crise na cultura”: seu argumento choca pela sua simplicidade e é da mesma natureza da frase de Kung Fu Panda, o filme infantil de John Stevenson e Mark Osborne  -“não há ingrediente especial. É apenas você. Para acreditar que algo é especial, você precisa apenas acreditar nisso”. Estamos defendo Voltaire Schilling? É claro que sim, porque mesmo sabendo ser seu direito demiti-lo, o julgamos vítima de uma injustiça. Estamos criticando a gestão da Secretária? Sim, mas não pelo trabalho, que de fato ela tem, mas pelo sentido político de sua ação.A forma fetichista da defesa da Secretária  tem, como no filme de Stevenson &amp;amp; Osborne, a seguinte mensagem subliminar: “Sei muito bem que existe crise na cultura, mas ainda assim acredito que não“. Esta é a fórmula mais elementar do funcionamento da ideologia, a do ataque irracional às denúncias e criticas que lhe apresentadas. Ou ainda, como naquele filme dos Irmãos Marx, onde Grouxo Marx, ao ser descoberto numa arte, contesta raivosamente: “a quem crê, em teus olhos ou em minhas palavras?”&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3781079153050474132-1161685441088501457?l=filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/feeds/1161685441088501457/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3781079153050474132&amp;postID=1161685441088501457' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/1161685441088501457'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/1161685441088501457'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/2010/03/dossie-voltaire-schilling-viii-cultura.html' title='DOSSIE VOLTAIRE SCHILLING VIII - A Cultura da Secretária de Cultura'/><author><name>Jorge Barcellos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13317457638691531178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3781079153050474132.post-6593597561553298178</id><published>2010-03-10T18:24:00.000-08:00</published><updated>2010-03-10T18:26:33.394-08:00</updated><title type='text'>DOSSIE VOLTAIRE SCHILLING VII -  QUANDO TUDO COMEÇOU..</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.estado.rs.gov.br/arquivos/galeria_fotos/20050516162247ng0505161400_25af.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 500px; FLOAT: right; HEIGHT: 333px; CURSOR: hand" border="0" alt="" src="http://www.estado.rs.gov.br/arquivos/galeria_fotos/20050516162247ng0505161400_25af.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Rigotto empossa Voltaire Schilling como novo diretor do Memorial do RS&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a onmouseover="'window.status=" href="http://www.estado.rs.gov.br/master.php?capa=43&amp;amp;inc=governo/fotos.php&amp;amp;abaVig=maisf&amp;amp;mes=5&amp;amp;dia=16&amp;amp;ano=2005&amp;amp;codFoto=11886"&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;2005&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.estado.rs.gov.br/master.php?capa=43&amp;amp;inc=governo/fotos.php&amp;amp;abaVig=maisf&amp;amp;mes=05&amp;amp;dia=16&amp;amp;ano=2005&amp;amp;codFoto=11886"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Memorial do RS&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt; O governador Germano Rigotto deu posse, hoje (16), ao novo diretor do Memorial do Rio Grande do Sul, Voltaire Schilling, e a oito novos integrantes do Conselho Estadual de Cultura. O historiador adiantou a orientação que vai adotar na sua e gestão e destacou o trabalho realizado por José Bacchieri Duarte, que esteve à frente do espaço cultural até fevereiro deste ano, quando faleceu. "Encontrei uma casa muito organizada, recebi uma herança bendita. Não haverá ruptura", elogiou Schilling, durante ato realizado. "Bacchieri respirava e vivia o Memorial desde que o convidamos para o cargo. Fez com que a instituição saísse destas paredes para levar um pouco da história do Rio Grande do Sul às escolas", afirmou Rigotto. Segundo o novo diretor, a gestão terá como referência para os projetos pontos cardeais. "O Sul serão os interesses de Porto Alegre e do RS, ao Norte tudo o que disser respeito ao Estado em termos de Brasil. O Oeste ficaria com os assuntos internacionais relacionados com a história local, e o Leste, um contato maior com o Mercosul e seus produtores culturais", definiu. "Nossa ênfase também será em publicações, especialmente para alcançá-las aos professores, como material de auxílio a ser utilizado em sala de aula", completou. Rigotto destacou a trajetória de Voltaire Schilling, autor de mais de 60 trabalhos, e a qualificação da Cultura no RS. "É um historiador que dispensa comentários por sua história e sua bagagem. Um Estado com atividade cultural forte tem a capacidade de definir seus caminhos no futuro", disse o governador. "O Rio Grande do Sul e Porto Alegre vão ter muitos equipamentos voltados para cultura. A atividade cultural que caracteriza o Estado, vai ser ainda mais forte", salientou, ao citar, entre os novos projetos, o Multipalco do Theatro São Pedro.Conselho de CulturaO governador também empossou no Conselho Estadual de Cultura Cláudio Britto (titular) e Décio Magalhães Duarte (suplente); Gervásio Neves (titular) e Fatimarlei Lunardelli (suplente); Ivo Ladislau (titular) e Glênio Reis (suplente); Heloísa Beckmann Morgado (titular) e Magda Schneider (suplente); José Henrique Pires (titular) e Paulo Roberto de Fraga Cirne (suplente). Permanecem no Conselho Tailor Diniz Neto (titular) com Luiz Coronel (suplente); Nelson Muratore Hoffmann (titular) com Cleudes Piazza (suplente); Walter Galvani (titular) com Regina Escosteguy Flores da Cunha (suplente). O órgão tem, entre suas atribuições, julgar projetos artísticos e culturais que se candidatam a receber apoio pela Lei de Incentivo à Cultura (LIC). "O conselho tem desempenhado papel fantástico para o desenvolvimento da Cultura no Estado", afirmou o secretário da Cultura, Roque Jacoby. Também participaram do ato o chefe da Casa Civil, Alberto Oliveira, o coordenador da Assessoria de Comunicação Social do Governo do Estado, Celito De Grandi, o coordenador do Conselho Estadual de Cultura, Jorge Campos, Luiz Alberto Gusmão - que interinamente vinha desempenhando a função de diretor - o secretário municipal da Cultura, Sérgius Gonzaga, e o reitor da Uergs, Nelson Boeira. O porto-alegrense Voltaire Schilling, nascido em 1944, é professor de História e colunista do jornal Zero Hora, além de autor de diversas obras, entre elas: A revolução chinesa: colonialismo, maoísmo, revisionismo (1984), O nazismo: breve história ilustrada (1988), Momentos da história: a função da história na conjuntura social (1988), Estados Unidos versus América Latina: as etapas da dominação (1991), Tempos da História (1995), O conflito das idéias (1999).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="Salvar no Delicious" href="http://del.icio.us/post?url=http%3A%2F%2Fwww.estado.rs.gov.br%2Fdireciona.php%3Fkey%3DaW50PW5vdGljaWEmbm90aWQ9NDE2NzQ%3D" rel="external" target="_blank"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3781079153050474132-6593597561553298178?l=filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/feeds/6593597561553298178/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3781079153050474132&amp;postID=6593597561553298178' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/6593597561553298178'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/6593597561553298178'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/2010/03/dossie-voltaire-schilling-vii-quando.html' title='DOSSIE VOLTAIRE SCHILLING VII -  QUANDO TUDO COMEÇOU..'/><author><name>Jorge Barcellos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13317457638691531178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3781079153050474132.post-2357844642914298683</id><published>2010-03-10T17:59:00.000-08:00</published><updated>2010-03-16T18:54:10.651-07:00</updated><title type='text'>Dossie Voltaire Shlling VI - Entrevista de Voltaire recoloca a questão da arte</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Arte 05/12/2009 05h10min&lt;br /&gt;Arte na berlinda: Zero Hora entrevista Voltaire Schiling&lt;br /&gt;Artigo do historiador gerou polêmica sobre arte na Capital&lt;br /&gt;O artigo &lt;/span&gt;&lt;a class="link-corpo" href="http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&amp;amp;local=1&amp;amp;source=a2695641.xml&amp;amp;template=3898.dwt&amp;amp;edition=13384&amp;amp;section=1012" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A capital das monstruosidades&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;, do historiador Voltaire Schiling, publicado em Zero Hora no dia 25 de outubro deste ano, foi o estopim de uma polêmica sobre a arte na Capital gaúcha. Os jornalistas Eduardo Veras e Luiz Antônio Araujo conversaram com Schiling sobre o assunto, na casa do historiador, no Morro Santa Teresa. Confira a íntegra da entrevista. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Zero Hora — O senhor esperava que seu artigo fosse ponto de partida para uma polêmica sobre arte em Porto Alegre?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Voltaire Schilling — Não. Minha percepção era apenas reclamar contra o que eu considero o conjunto de horrores estéticos que nos cercam. Para mim, o ponto de deflagração foi a "casa monstro" (a obra Tapume, de Henrique Oliveira). Acho que não contribui para a cidade. Sou um cidadão de Porto Alegre descontente com o tipo de monumento e estatuária que existe por aí. Pelo menos com aquelas elencadas. Repare que não é uma declaração universal de horror a toda a estatuária da cidade. Depois soube que o mesmo escultor (Tenius) que fez o monumento ao ditador (a obra Monumento a Castello Branco, no Parcão) é o dos Açorianos, que acho um trabalho muito interessante. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;ZH — As soluções formais do Monumento a Castello Branco e do Monumento aos Açorianos são muito próximas, se não as mesmas, não? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Schilling — Bom, isso é difícil, não gostaria de me ater. Existem obras de arte moderna e contemporânea excelentes e outras que não o são. Da mesma maneira que um pintor tem o seu mau dia, que um cineasta faz filmes maravilhosos e, de repente, faz um abacaxi ou um extraordinário teatrólogo faz uma peça que não funciona. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;ZH — O monumento do Parcão é mal-resolvido?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Schilling — Não, só estou dando uma impressão. Não é uma questão de estudo acurado e profundo. O que acho estranho nessa área das artes plásticas é que, na literatura, o sujeito pode escrever um livro ruim, e a crítica em geral pode manifestar sua hostilidade. A mesma coisa acontece com o teatro, com o cinema. Mas parece que as artes plásticas resolveram reservar a si uma posição de não aceitar e imediatamente cair no pentágono da desqualificação: quem critica é nazista, stalinista, reacionário, ignorante e burro. Sabia que, se houvesse algum tipo de contestação (ao artigo), entraria em uma dessas categorias. Curiosamente, não me chamaram de veado ainda. É praxe isso. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;ZH — O senhor foi chamado desses qualificativos? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Schilling — A todo momento. Em e-mails e coisas de tudo que é tipo. Um dos epítetos foi "machista", porque eu estranhava que apesar de a cidade ser simpática, a população ser afável e as mulheres serem as mais bonitas do Estado, não inspirasse os artistas a fazer alguma coisa esteticamente relevante. Mas isso é praxe. Quem usou "nazista" foi o meu querido amigo Paulo Amaral (citando): "Ah, te lembra que os nazistas...". Bom, Rockefeller (John D. Rockefeller Jr., dono da Standard Oil e proprietário do Rockefeller Center) mandou repintar um mural de Diego Rivera (pintor mexicano). O primeiro sujeito que usou essa palavra associada à monstruosidade foi Walter Rathenau, judeu ilustrado, morador de Berlim, riquíssimo. Ele escreveu um ensaio no final do século 19 no qual chamava Berlim de "a cidade mais bonita do mundo" e dizia: "Nossa capital é a principal acolhedora da feiúra moderna". Antes dos nazistas, essa estética da feiura já provocava estranhamento. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;ZH — No texto o senhor usa termos como "monstruosidade", "flagelo", "medonhice", "perversidade" em relação às obras que rejeita, num sentido não irônico. O senhor ficou surpreso com a reação a esses qualificativos? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Schilling — Não. O texto também procurou ser divertido. É evidente que tem ironia. Se tu olhares o Monumento a Castello Branco, ele pode ser entendido como desembarque de um extraterrestre, por que não? Aquela outra, o "timão" (Estrela Guia, de Gustavo Nackle), parecia realmente ser feita de estrume, de esterco. Teve um sujeito que me falou que buscava a mulher aqui na Febem e toda vez que passava em frente (à obra) se sentia mal do estômago. O cara tinha engulhos ao passar por aquilo. Se tu perguntares para as pessoas da Zona Sul o que eles acham daquilo... Faz um levantamento. É claro que eu procurei fazer ironicamente a coisa. Não sou a favor de que as massas se reúnam e destruam as obras de arte. Fiz uma ironia. Apesar de que tu sabes que hoje em dia há instalações em que as pessoas chegam, e o artista entrega um martelo para o cara destruir. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;ZH — Ou seja, de fato o senhor acha que Porto Alegre não tem de se livrar dessas obras? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Schilling — Não. Não. Não. É o seguinte: doravante, doravante... Eu acho difícil porque existe de certa forma no circuito dos artistas plásticos uma tirania que acovarda as pessoas. Fica todo mundo apavorado. Ninguém gosta, mas ninguém ousa dizer que o rei está nu e que isso é uma porcaria. No Brasil inteiro, tu tens Affonso Romano de Sant'Anna (poeta), Ferreira Gullar (poeta e crítico)... Por quê? Porque tu pagas um ônus. Ninguém gosta de ter seu nome associado ao nazismo. E é a primeira coisa que tu vais encontrar. Pega o artigo do Paulo Amaral: "Ah, os nazistas...". Então as pessoas se acovardam. Outra coisa: "Tu és burro, tu não entendes, tu tens de ter uma formação etc e tal". Me lembro até que saiu uma mineira dizendo assim: "Para fazer uma crítica à arte, as pessoas têm de estudar". Mais ou menos assim como se tivesse que fazer um pós-graduação para, aí sim, ousar fazer algum tipo de ilação negativa. E mesmo se fizer não há garantia nenhuma de que não vão te chamar de nazista ou stalinista. Então, tens de ter coragem, tu entendes? Milhares de pessoas estão se manifestando: "Pô, mas é isso mesmo, eu estava me achando burro...". E não é gente ignorante. Um amigo meu, ex-diretor da Faculdade de Medicina, disse: "Pô, eu também estava achando isso". Só que as pessoas estavam inibidas, porque há uma tirania e tu não podes ser contra. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;ZH — Qual deve ser a atitude diante das obras expostas ao público em museus e praças, na medida em que uma parcela desse público não goste do que está sendo exibido? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Schilling — Isso é uma situação difícil de resolver. Arte não se resolve por plebiscito, por levantamentos ou por vontade geral da nação. Isso não funciona com a arte. É um setor que tem de ser tratado com carinho, com certa atenção, não pode ser submetido a plebiscitos. Mas, por outro lado, também não podemos cair na tolerância completa, o que acaba acontecendo em grande parte do mundo com a arte conceitual. Se caiu num vale-tudo. Me diz o que é um charlatão e o que é um artista autêntico. Há controvérsias. Robert Hughes (crítico australiano) considera aquele sujeito que empalhou um tubarão e vendeu por não sei quantos milhões de dólares um charlatão. Outros não o consideram. Qual é o critério de que um fogareiro aceso com uma serpentina em cima é uma obra de um grande artista e não obra de um picareta? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;ZH — Quem define os critérios? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Schilling — Nós fomos tão tolerantes que as pessoas passaram a ter medo de exercer qualquer tipo de crítica. Tudo é bonito, tudo é válido, tudo é sensacional. Se tu não entendes a coisa, é porque és burro, idiota, reacionário, não percebes a magnitude dessa mensagem que daqui a alguns anos vai ser consagrada. Essa é a retórica de sempre: "Ah, lembrem os impressionistas..." Bem, vamos lembrar os impressionistas. Praticamente todos morreram bem. Estive na casa de Monet (Claude Monet, pintor impressionista) na França. Ele devia ganhar US$ 10 mil por mês para manter aquilo. Degas morreu bem. Picasso morreu multimilionário. Agora vão me dizer... &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;ZH — Quando jovens eles foram rejeitados. Há quem diga que o impressionismo foi mais rejeitado do que a arte de hoje. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Schilling — Tudo bem, mas não morreram mal. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;ZH — Essa é a dinâmica do sistema das artes. Schilling — É. Vamos dizer o seguinte: é uma necessidade...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;ZH — O senhor acha que a obra dos impressionistas acabou se impondo? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Schilling — Vamos supor o seguinte: há um exagero cultivado por eles mesmos. Porque isso fazia parte da demonização do artista: aquela ideia de que "nós, no passado, fomos rejeitados". Isso foi superexagerado no sentido de valorizar aquele martírio que eles passaram. No final, ninguém foi preso, ninguém foi detido. Perto do que aconteceu depois, no século 20, do que os artistas passaram na mão de Stalin e de Hitler... Nada aconteceu disso com os impressionistas. E se houve alguma utilidade nisso... E provavelmente muitas outras escolas artísticas ao longo da história de artistas que começam e são rejeitados. Quem é que disse que o Michelangelo saiu já... &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;ZH — Van Gogh morreu pobre, Modigliani morreu pobre. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Schilling — É, sim, mas aí, querido, me desculpe: alcoolismo, né? Aí é alcoolismo, né? Dois casos de coma alcoólica. Morreram por alcoolismo, por loucura alcoólica. E além do mais, até por temperamento. Modigliani foi negociar com um milionário americano e bateu a porta do hotel, xingou o cara. São idiossincrasias da personalidade. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;ZH — O senhor quer dizer que quem é bom vai ser reconhecido ainda em vida? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Schilling — Não, não necessariamente. Mas esse tem sido o grande argumento para tu aceitares tudo. Tem a arte que agora não está sendo entendida. Bom, não está sendo entendida porque tu és burro, reacionário, e mais tarde vai haver a consagração. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;ZH — Voltando ao tema dos critérios de apreciação da arte: no seu entender, quem deve estabelecer os critérios? Como? Baseado em quê? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Schilling — Bom, hoje em dia é fácil se identificar. Há, ao lado dos artistas plásticos, o que eu chamo de sacerdotes sibilinos, que são os críticos de cultura e de arte, que ficam interpretando o que é aquilo: "Ah, essa chapa, essa chapa de ferro, isso aí é a perplexidade do mundo perante as hostilidades etc e tal." Pronto. Do lado, tem o crítico, é ele que interpreta. Ele é o sacerdote sibilino. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;ZH — E como o senhor acha que seria o ideal? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Schillling — Não sei. Eu não sei. Eu não sou artista. Sou um observador e um estudioso. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;ZH — O senhor é um intelectual. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Schilling — Eu fui professor, eu comecei minha vida como professor de História da Arte. Não sou um amador. Eu li pelo menos os principais clássicos, os principais livros de História da Arte, tenho intimidade com esse assunto, não é uma coisa estranha a mim, mas não cabe a mim saber quais são as possibilidades... O que existe hoje é o seguinte: existe uma quantidade enorme de objetos que passam por obras artísticas, instalações etc, e do lado existem os críticos de arte e donos de galeria, que são, digamos assim, os apoiadores desse processo. E o crítico existe, a função dele é de sacerdotisa sibilina, quer dizer, ninguém entende nada daquilo, mas aí vem o crítico e explica, quase como uma espécie de bula de remédio o que é : "Aquilo significa isso, isso e isso". E, apesar das explicações, as pessoas não têm se convencido, né? Então, eu vejo até com preocupação, até é uma preocupação dolorosa com a arte. Eu sou admirador da arte. Eu fico preocupado com o destino da arte. Com esse abismo que está se abrindo, tu entendes? Em vez de haver uma espécie de conciliação hegeliana entre o mundo artístico e o grande público, nós estamos abrindo um abismo cada vez maior onde as pessoas mostram a sua perplexidade, a sua indiferença. Não é bom isso, não é bom isso para ninguém, não é? Eu ainda sou um, digamos assim, um seguidor da ideia iluminista de que a estética tem uma função de melhorar todos nós. A estética faz bem para nós. Agora, em parte, eu te diria que essa fome estética que a humanidade sente ela está sendo desviada para a tecnologia. Por exemplo, as pessoas vão num salão do automóvel e saem absolutamente embevecidas. Coisa que tu não vês quando as pessoas saem de uma Bienal — não é a nossa, qualquer uma. Tu não vês esse empolgamento das pessoas. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;ZH — O senhor foi à Bienal este ano? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Schilling — Sim. ZH — Aonde o senhor foi? Schilling — Ah, fui ali, aquela ali do... Aliás, hoje eu estou com vontade ainda de ... Tenho um compromisso lá e vou, quero ver se faço um arremate final. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;ZH — Ali no Margs? Schilling — &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;É. No Margs eu fui, claro, é do meu lado (Voltaire é diretor do Memorial do Rio Grande do Sul, situado no antigo prédio dos Correios, vizinho do Margs, na Praça da Alfândega). Foi a que tem sido mais visitada, inclusive... &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;ZH — E o que o senhor achou? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Schilling — Olha, eu achei que tem trabalhos escolares, né? Tem coisas assim de trabalho de ginasiano, colagenzinha de ginasiano, né? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;ZH — O senhor não acha que o fato de a Bienal estar na sétima edição, de ter tido um crescimento de público sustentado, de ter atraído não só o público adulto, que frequenta museus, mas de ter se tornado um ponto de referência para escolas, de alguma maneira indica que a disposição do público não é exatamente a que o senhor tem? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Schilling — Olha, duas coisas. Primeiro, eu não sou contra a Bienal. Acho que a Bienal é ótima para a cidade. Acho muito bom. Pelo menos de dois em dois anos, há um encontro, uma confraternização das propostas dos artistas com o público, que é uma coisa boa para a cidade. Como é que eu vou ser contra a arte? Em segundo lugar, mesmo com o aumento de público, eu não encontrei empolgação. Não tem. Eu estou numa posição estratégica, já é a terceira Bienal (à qual assiste como diretor do Memorial do Rio Grande do Sul). Nunca, nunca nenhuma pessoa demonstrou na minha frente, para amigos meus, para pessoas próximas a mim, empolgação: "Vi tal coisa maravilhosa". Nenhuma vez. Ao contrário: decepção. A palavra é decepção. Sempre decepção. As pessoas vão com toda a boa vontade e saem decepcionadas. Muitas pessoas dizem: "Mas essa é a função da arte hoje. Criar esse tipo de embaraçamento etc e tal". &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;ZH — Nenhum trabalho lhe empolgou ali no Margs? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Schilling — (Pausa.) Não. (Mais baixo.) Não, não. Os meus, digamos assim, os meus ídolos, as pessoas que eu admiro, são os impressionistas... mesmo os cubistas e os futuristas... Eu sou, digamos assim, defensor da arte pré-contemporânea, da primeira arte moderna, pré-contemporânea. Isso aí (da Bienal) pouco diz para mim. Então a primeira questão que eu levanto é isso: por que um grupo reduzido de artistas plásticos, de críticos culturais e de donos de galeria atingiu um patamar que se coloca acima da crítica e reage ferozmente quando criticado? Essa que eu acho que é a questão interessante. É um grupo muito pequeno se tu somares os artistas plásticos e os críticos culturais etc e tal que aterrorizam a população. Tanto é que as pessoas não gostam mas não têm coragem de dizer. Esse é um sentimento. Vocês não percebem isso? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;ZH — Será que essa reação não foi à maneira como o senhor se posicionou? O senhor chamou as obras de arte de "flagelo", disse que elas "atormentam", disse que uma parecia "estrume", chamou de "monstruosidades". O senhor juntou obras modernas e contemporâneas, obras selecionadas por concurso e obras temporárias. Será que não foi isso que incomodou? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Schilling — Não. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;ZH — Chamar de "flagelo", "monstruosidade"... &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Schilling — Não. Não. Não. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;ZH — Não foi isso? Schilling — Não. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;ZH — O senhor acha que os termos foram... &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Schilling — Mas são sempre os mesmos. Olhem: se eu fosse o mais suave possível, a reação seria a mesma: nazista, stalinista, reacionário, ignorante e burro. Tenta fazer um artigo. Tenta fazer um nessa linha... &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;ZH — Eu fiz um artigo. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Schilling — Não, tudo bem, mas tenta fazer um no sentido crítico. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;ZH — Eu fiz um artigo crítico sobre a Bienal. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Schilling — Vê se não vai desabar sobre ti. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;ZH — Eu fiz um artigo crítico sobre a Bienal. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Schilling — Eu já sei. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;ZH — Para eu entender, professor: o senhor acha que os seus termos foram adequados, corretos e equilibrados e a reação é que foi desproporcional? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Schilling — Não, eu não estou incomodado com a reação... Tu achas que eu estou incomodado com a reação a essa altura da minha...? Eu só tô dizendo que isso é a praxe. Essa é a praxe. Tu acha que isso me surpreende? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;ZH — Eu acho que se o senhor foi chamado de nazista tem de se surpreender.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Schilling — Não, não, ao contrário, querido. Tu acha que a essa altura da minha vida, com tudo que eu já vi, com tudo que eu já passei, com ditadura que eu enfrentei, eu vou me assustar porque um sujeito lá escreveu que eu sou nazista? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;ZH — Mas o senhor, como intelectual, tem uma posição pública. Se alguém lhe chama de nazista num debate público, essa pessoa tem de sustentar aquilo que está dizendo. Estou lhe perguntando se houve extrapolação da parte dos que lhe responderam. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Schilling — Não. Não houve. É praxe. É praxe. Em toda discussão que envolve crítica às artes plásticas contemporâneas, tu és taxado de nazista ou de stalinista. Toda. Mesmo que eu fosse suave, mesmo que eu usasse uma adjetivação mansa, a resposta seria essa. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;ZH — Como é que o senhor qualifica essa adjetivação que o senhor usou? Schilling — Digamos assim, fruto da indignação de um cidadão de Porto Alegre. É um texto de uma pessoa indignada. Eu não acho que a nossa cidade mereça isso. Acho que a nossa cidade merece uma escultuária melhor. Não sei qual. Não sou artista. Né? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;ZH — O senhor disse que, em matéria de arte, gosta dos impressionistas e da arte moderna. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Schilling — Certo. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;ZH — Pré-arte contemporânea. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Schilling — Ou arte conceitual. Que é um gosto. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;ZH — Digamos que nós sejamos vizinhos, e eu goste da arte renascentista. Como é que nós podemos chegar a um entendimento sobre o tipo de arte que tem de ser exposta na cidade? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Schilling — É, isso é uma questão difícil, mas observa que tanto o impressionismo quanto a Renascença estão mais ou menos dentro de um enquadramento comum: pintam figuras humanas, pintam paisagens. Tu pegas uma tela impressionista, tu pegas um Monet e pega um Fra Angelico, tem denominações comuns: são figurativas, são paisagens. Claro que um está mais marcado pela presença da vida santificada e outro pela vida laica, por assim dizer, mas existem certas identificações. Agora, de repente, o sujeito cria um tarugo de ferro e diz que isso é a chegada de Deus na Terra, ali ele rompe, tu entende? Esse nosso alinhamento — você simpático ao Renascimento e eu ao impressionismo —, nós temos algo em comum. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;ZH — Mas o senhor conhece História da Arte e sabe que do Renascimento ao impressionismo e à arte moderna há uma ruptura muito grande. A arte moderna teve de abrir caminho frente a críticos muito mais, digamos, indignados do que o senhor.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Schilling — Eu só quero te dizer que ainda entre o impressionismo e a Renascença existem pontos, denominadores comuns que agora não existem mais. Bom, inclusive não existe mais pintura. Não existe mais escultura. Foram abolidos, né? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;ZH — O senhor está reconciliando a arte renascentista com o impressionismo e a arte moderna. Para o senhor, isso tudo é parte de um mesmo movimento e de um mesmo entendimento, pode ser reconciliado e se chegar a um acordo. Mas eu posso achar que não. Posso achar que é só a arte renascentista que tem sentido. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Schilling — Tudo bem. Não vou te chamar de nazista pelo que tu estás dizendo. Não vou te chamar de reacionário nem de homossexual porque tu pensas assim. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;ZH — Mas já que nós estamos falando de espaços públicos, como chegar a uma definição? O senhor diz: "Porto Alegre, cidade aprazível, povoada por gente simpática, habitada pelas mulheres mais belas do país". Como é que nós, os porto-alegrenses, mesmo aqueles que não são tão bonitos nem tão simpáticos, vamos chegar a um entendimento sobre que arte tem de ser exibida? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Schilling — A prefeitura tem órgãos, tem possibilidade de criar comissões, de aprovar ou não. Mas eu sou cético quanto a isso. Eu sou cético em relação a isso. Eu não acredito que isso aí vá funcionar. Porque a imposição desse pequeno grupo é tamanha que vamos supor que uma comissão rejeite. Desaba: "Vocês são nazistas, reacionários, burros, retrógrados". &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;ZH — Num concurso uns vão ser excluídos e outros selecionados. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Schilling — Sim, mas seja o que for, mas a adjetivação é terrível. A pergunta que eu faço é: como esse pequeno grupo, numa democracia, aterroriza milhares de pessoas? Milhares de pessoas. Não gostam e não podem dizer que não gostam. E se ousarem dizer que não gostam, são submetidas a uma avalanche de ofensas aterrorizadoras. Não é só eu. Qualquer um. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;ZH — Algumas das obras que o senhor rejeitou no artigo foram aprovadas em concursos públicos inclusive com a presença de artistas consagrados que o senhor cita. Por exemplo, a obra de Gustavo Nackle foi aprovada num concurso que tinha, na comissão julgadora, Xico Stockinger. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Schilling — É, deve ter. Deve ser. Porque até é solidariedade de classe. Corporativo. Espírito corporativo. Ninguém quer brigar nessa área. Ninguém quer brigar. Ninguém quer levantar celeuma. O princípio é: "Ah, é genial". Tudo é genial. É criativo, o que tu vais dizer? Tu que não entendeste". Isso aqui (indica uma garrafa térmica sobre a mesa) é o ready made. Se eu boto isso aqui numa exposição não vale nada, mas vamos supor que um artista plástico ponha isso aqui: "Ah, é uma obra maravilhosa. Viram a genialidade do sujeito?". Não é? Eu não posso colocar isso porque não sou artista. Então existe todo um espírito de confraria, é natural que seja assim, um procura ajudar os outros, ninguém critica. Eu nunca vi uma crítica. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;ZH — O senhor conhece algum caso de artista que tenha tido a sua obra rejeitada com base na alegação de que "isso não é arte" por alguma dessas comissões? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Schilling — Não sei. Eu não tenho intimidade com esse tipo de coisa. Nunca participei de nenhuma comissão desse tipo. Nunca soube disso. Pode ser, se é isso que tu estás levantando. Tu tens um espaço público só, deve ter 10 candidatos, nove são rejeitados. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;ZH — Mas com base nesse critério de que não se trata de arte. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Schilling — Mas eu não sei. Não sei. Não sei. Não sei qual é o critério usado. Não tenho a mínima ideia. Só que é isso, quer dizer, tu vês que a cidade começa a ficar tomada por objetos absolutamente estranhos, que não dizem nada a ninguém a não ser aos críticos de arte. "Ah", num deslumbramento, "você não entendeu, você é uma pessoa reacionária, você é um assassino de judeus, não entende a profunda magnitude dessa obra". Entende? Então as pessoas ficam apavoradas. Essa é que é a verdade. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;ZH — O que me intriga é que o senhor fala sempre de uma maneira generalista: "Ninguém sai da Bienal entusiasmado". Eu já vi até crianças entusiasmadas. Uma coisa é a crítica a priori que rejeita. Outra coisa é ir lá, olhar e pensar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt; Schilling — Mas a minha crítica não foi à Bienal. Tanto assim que grande parte das estátuas que estão aí não eram de pessoas da Bienal. Esse desse uruguaio, aí, essa estrela... Eu só não queria aquele que parece um tarugo. Que um sujeito que está com esse negócio aí sem ter o que fazer, não vendeu ele, então deixa de doação ao município. Nesse caso... &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;ZH — Ele criou especialmente para aquele lugar. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Schilling — Bom, só para te falar. O Robert Hughes exatamente diz isso: a arte conceitual virou brincadeira de criança. Entrar num tubo, sair não sei o quê. Eu acho que as crianças se divertem. Mas elas também se divertem num playground. Elas se divertem num carrossel. Tu não leste a entrevista do Robert Hughes? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;ZH — Acho que não. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Schilling — É, a famosa entrevista da Veja. Eu reproduzo. Basicamente, o que ele diz... O que me espanta é que isso passe em Porto Alegre por novidade. Essa entrevista já foi feita há mais de dois anos. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;ZH — A da Veja? Sim, eu li. Schilling — Ele é tido como um dos maiores críticos de arte contemporâneos. E ele diz: "Olha, eu parei de escrever porque isso virou uma comercialização, um vale-tudo, nada mais significa nada e eu me nego a entrar nesse negócio". Pronto. Entende? Porque às vezes ele fazia menção a respeito de uma determinada peça qualquer de arte e aquilo disparava no mercado. E ele disse: "Eu não vou colaborar com isso. Me nego". Se negou a escrever. Podia continuar a escrever. Está com 68 anos. Por que que o maior crítico de arte, não é da Holanda, é dos Estados Unidos, ele é australiano de origem, mas... né? Peguem a entrevista dele. Eu não disse nada de mais. Essas críticas que eu fiz ao Duchamp ele também fez. Ele disse: não, o Duchamp de um lado liberou os artistas, de outro lado foi uma catástrofe. Eu acho que foi uma catástrofe. Não é Voltaire Schilling só que está dizendo. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;ZH — O senhor acha que Duchamp foi referência, por exemplo, para o Monumento a Castello Branco? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Schilling — Não sei. Não sei. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;ZH — Mas é só olhar. Schilling — Vem cá, num artigo de jornal... &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;ZH — É só olhar para ver. Schilling — Bom, não é essa questão. A questão é a seguinte, as pessoas cobram... &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;ZH — O senhor escreveu que era. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Schilling — As pessoas me cobram: "Por que tu não botaste tal coisa?". Outro quer: "Mas tu tinha que por a monstruosidade na arquitetura". Vem cá, mas eu estou num texto limitado. Nem sei se... &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;ZH — Mas esta entrevista é justamente para o senhor entrar nesses detalhes. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Schilling — "Porque tem monstruosidades na arquitetura. Porque tem não sei o quê..." É... é... Bom, não era a minha preocupação, tu entende? A minha preocupação é apenas isso, tu entende... &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;ZH — Mas tem uma diferença entre o senhor e Robert Hughes. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Schilling — Tem, claro. Primeiro uma diferença financeira. (Risos.) &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;ZH — Digo, uma diferença em relação à atitude diante da obra. Ele não está propondo empacotar o Duchamp e mandar embora. Schilling — Eu, olha, eu não sei, quer dizer, eu pelo menos tenho uma, é um tipo de reação, a reação dele foi outra, foi se refugiar numa, digamos assim, numa vida mais solitária. Talvez seja diferença de temperamentos. Eu não quero desmantelar o que existe aí. Isso aí não vai acontecer. É que há... ZH — Mas o senhor não quer porque não vai acontecer ou porque é preciso haver uma outra resposta? Schilling — Não, não é isso. Digamos assim: doravante, a minha expectativa é que as pessoas encarregadas disso tenham mais cuidado, só isso. Doravante, pensem um pouco: "Pô, mas será que isso realmente é uma coisa meritória para nossa cidade? Ela merece isso?" ZH — Ter cuidado é um conselho bastante amplo. Do ponto de vista de quem julga a obra de arte, quais seriam as principais diretrizes que consubstanciariam esse cuidado? Schilling — Não tenho condições (de responder) porque eu não sou artista. Eu só reajo: isto aqui não está bom, não está bom, não está bom. Minha reação é essa. Não é a questão nem só da feiura, é o mau gosto, tu entende? É o mau gosto. É o mau gosto. E se por trás de mim não tem ninguém, se é um ato absolutamente isolado da minha personalidade, não sei por que vocês então dão valor para isso. ZH — Nós damos valor mesmo que seja um ato isolado. Schilling — Sim, pois é, eu não estou entendendo... ZH — Nós não estamos lhe entrevistando como um deputado ou como um representante de um partido político. Schilling — Eu participei de um debate em que 80% das pessoas concordavam com a minha posição. Se nós chegássemos a uma avaliação, nós vamos ver que Porto Alegre está povoada de 800 mil nazistas, reacionários, burros e ignorantes, o que é um dado absolutamente alarmante sobre a nossa população. Pega os critérios tradicionais de defesa do que eu chamo de talibã estético que nós estamos vivendo. 80% da população de Porto Alegre é isso aí. ZH — Mas me parece que quando lhe chamaram dessa maneira, não era seu gosto que estava em discussão, mas o fato de o senhor pedir que as obras fossem despachadas. Schilling — Não. Não. Não. Não é isso. É sempre a mesma coisa. Mesmo que eu não quisesse tirar, eu te passo "n" críticas onde é sempre a mesma coisa: "o nazista, o nazista, o nazista". É a mesma coisa sempre. É o argumento de praxe. Tu invalida, tu entende? "Isso é coisa do nazismo." Eu estava dizendo: bom, então a campanha antitabagista deve ser suspensa porque foi apoiada por Hitler. Ele não gostava que fumassem. Ele queria desencadear na Alemanha uma campanha antitabagista. ZH — Mas existe uma diferença entre fumar ou não fumar e dizer que obras têm de ser despachadas. Schilling — Não, eu só quero dizer assim... ZH — O senhor disse: "Nós temos sido excessivamente tolerantes". Quando o senhor diz "nós"... Schilling — Os 80%. ZH — A palavra "tolerância" pode ser aplicada à relação entre etnias e nacionalidades. Foi muito usada ao longo do século 20. No que toca à arte, é pouco usada porque em geral artistas e críticos concordam que uma manifestação artística pode ser válida ou não, boa ou ruim, bela ou feia. Mas aquilo que está além da tolerância tem de ser descartado. Também no século 20, o que estava "além da tolerância" foi descartado, e sabemos que isso está sempre associado a experiências bastante ruins na história. Schilling — Sim, sim, sim. ZH — Essa é uma palavra sua. Eu não estou colocando na sua boca. O senhor usou "tolerância". Schilling — Sim, sim. O que eu digo "tolerância" é a ausência de crítica. Então, como não há crítica, tu vais, tu entendes, tu deixas, digamos assim, hoje a arte corresponde ao que o artista acha que é arte, a sua subjetividade. ZH — E não tem de ser assim? Schilling — Bom, agora é assim, mais do que nunca: "Eu decido o que é arte". Tu conheces o caso daquele que vendeu fezes, né? Aliás, só um italiano poderia fazer um negócio desses. O cara vendeu fezes. ZH — Era uma provocação. Schilling — Seja o que for. Andy Warhol pedia que alguns amigos dele urinassem em cima de certas telas que ele deixava no chão. Entende? Esse tipo de coisa. Então, se tu não fazes... Digo "tolerância" no sentido de ausência de crítica. Então de repente tu tens aberrações. É algo assim tipo a criança traquinas: vai fazendo, vai fazendo arte, de repente ela incendeia a casa? Por quê? Porque tu és excessivamente tolerante e conivente. Então talvez se nós exercêssemos sobre a arte conceitual... ZH — O senhor acha que os nossos artistas estão a ponto de incendiar a casa? Schilling — Não, metaforicamente, né? A partir do momento em que você não exerce nenhum tipo de crítica, você abriu a torneira da tolerância por uma série de razões, você termina de certa forma contribuindo para essa situação. De certa forma foi a contribuição que os intelectuais e os críticos fizeram: esse enorme abismo que existe entre as pessoas e a arte hoje em dia. Como é que tu explicas esse fenômeno? Todo mundo é burro, então? Todo mundo é burro? Ninguém entende, todo mundo é burro. Reacionários, canalhas, homossexuais... ZH — É o entendimento que está em jogo? Tem de entender a arte? Será que as pessoas entendem a Mona Lisa, por exemplo? Schilling — Digamos assim, ela não requer a necessidade de um enorme ensaio ou de uma bula. ZH — Mas há enormes ensaios sobre a Mona Lisa. Schilling — Sim, tudo bem, mas isso não é necessário. Não é necessário da parte do espectador que ele se informe de uma enorme literatura para se entusiasmar com a Mona Lisa. ZH — Por que o senhor acha que as grandes obras de arte suscitam permanentemente releituras, se não é necessário? Schilling — Releituras em que sentido? ZH — Releituras, estudos, interpretações. Schilling — Isso mostra a capacidade de transcendência e perenidade da arte. Essa notável capacidade que alguns grandes artistas têm de se perpetuar pelo tempo. Esse é um problema que a arte conceitual abdicou. Quando um Fídias, um Praxíteles esculpia alguma coisa, ou um Leonardo da Vinci, o cara imaginava que isso aí era uma maneira de perpetuar a ele e a sua obra. Hoje em dia não, você faz uma montagem, desmonta, vai embora... ZH — Isso é uma das maneiras de um artista rejeitar o mercado. Era o que estava na pauta dos artistas conceituais: criar uma obra efêmera. Schilling — Ao contrário, ele criou um bem de consumo descartável. ZH — Mas a obra dele não é vendida. Schilling — Bom, isso é um outro problema. Eu acho que se essa obra dele fosse comprada, dificilmente ele rejeitaria um bom par de dólares. Eu não acredito que nenhum artista profissional hoje faça algum tipo de coisa sem querer um dinheiro em troca. Não é possível. ZH — Mas os artistas conceituais que o senhor citou, nos anos 60, queriam fazer isso. Schilling — Bom, tem gente bizarra em todas as áreas. Vocês escrevem no jornal esperando salário. Eu dou minhas aulas esperando salário. E é justo. Agora, o que aconteceu nesse aspecto, voltando à questão da tolerância, foi exatamente a ausência de crítica, tu entende? Então a coisa foi indo, foi indo, e o resultado concreto é que existe um enorme abismo entre o mundo artístico de hoje, especificamente das artes plásticas, e o público em geral. Em qualquer lugar do mundo, não é aqui. ZH — O senhor usou a palavra "tolerância" e agora disse que estava se referindo à crítica. Em vez de "excesso de tolerância", teria havido "ausência de crítica". Me parece que existe uma considerável obra crítica em relação a todos os temas da nossa discussão. A própria estatuária de Porto Alegre tem estudos e livros. O que é preciso fazer, no seu entender, para que essa crítica encontre o seu ponto? Schilling — Vocês supõem a crítica no sentido como a filosofia idealista tentou, no sentido de colaborar, esclarecer. A palavra "crítica" que estou dizendo é em outro sentido. É de denúncia. É uma empulhação, tu tens de denunciar a empulhação. ZH — Tudo é empulhação? Schilling — Não, não, não é isso. Mas tem de denunciar quando é empulhação. ZH — Aquelas obras que o senhor cita são empulhação? Schilling — Eu não sei, eu não estou preocupado com isso. A minha preocupação não é essa. A minha preocupação é de ordem estética. ZH — Mas o senhor acabou de dizer que têm de ser denunciadas. Schilling — Eu não estou dizendo que essas obras são empulhação. Eu não disse isso. São simplesmente cafonas, feias, não correspondem a, digamos assim, ao que eu imagino que seja um lugar gostoso de passar e ver um bom monumento. Necessariamente não precisa ser de beleza, que tenha de ser uma Vênus de Milo, um Apolo, não é isso. Mas que de alguma forma ele tenha uma expressão estética interesssante, aceitável por todos. Ou pelo menos pela maioria. Agora eu volto a te dizer, eu sou cético. Eu acho que nós somos governados por uma tribo esotérica, que domina os jornais, que domina as revistas, que se associa a galerias, que se associa ao marketing, que se associa aos leilões estapafúrdios, e isso aí, e além do mais às coleções dos milionários. Que arte de transgressão é essa em que as principais obras de transgressão são compradas pelos milionários? As pessoas mais conservadoras do Ocidente têm seu dinheiro empregado nisso aí. E obviamente que elas não querem que alguém diga lá: "Olha, o rei está nu. O senhor comprou uma caixa de sabão Omo, não um ready made". Elas não querem saber disso. Agora, volto a insistir nessa questão: como, de que maneira, quais as condições históricas que permitiram que um grupo, essa tribo esotérica domine o universo das artes plásticas, se imponha perante a população e aterrorize a população. As pessoas se sentem aterrorizadas, com medo de comentar qualquer coisa. Elas saem de uma exposição, não gostam e não têm coragem de dizer que não gostam. Lembra um pouco, tu entende, o filme na minha época de geração, a nouvelle vague. A gente ia ao cinema e não entendia. Então tinha em Porto Alegre uns quatro ou cinco especialistas que entendiam o filme. Então aquelas pessoas eram os sacerdotes sibilinos da nossa época. Eles explicavam: "Olha, o (Jean-Luc) Godard quis dizer tal coisa". As pessoas não entendiam e ficavam absolutamente envergonhadas porque não entendiam os filmes. Então tinha que ter um especialista, um crítico de arte, um crítico de cinema que explicava ao vulgo o que aquilo queria dizer. É mais ou menos essa situação que hoje tu encontra nas artes plásticas. ZH — A nouvelle vague era uma empulhação? Schilling — Não, não estou dizendo, estou dizendo que era um tipo de proposta cinematográfica que exigia esse tipo de coisa. Tinha porcaria também. Tinha porcaria. Nem tudo que o Godard fez... Tanto é que se tu contares ao todo tem quatro ou cinco filmes do Godard que são relevantes, e o resto caiu na poeira da história. Quem é que disse que isso que está aqui em Porto Alegre é o supra-sumo, é a maravilha? Por que não se pode aventar a hipótese de que é ruim? Em nenhum momento ninguém pode pensar que a coisa não funcionou, que foi um momento de infelicidade estética da cidade. Por que não pode ser? Por que 800 mil pessoas estão erradas? ZH — Pessoalmente, posso não gostar da escultura do Gustavo Nackle, mas não acho que, por eu não gostar dela, ela tenha que ser despachada para fora da cidade. Ela pode nos dar algum ensinamento. Schilling — Ah, mas tu tens de entender a ironia, a brincadeira, a ironia... ZH — É brincadeira? Schilling — Não, não é... Bom, quem chamou de brincadeira, não sei o quê, foi o... o... ZH — O senhor chamou agora. O senhor disse que era uma brincadeira. Schilling — Eu estou dizendo... É o tom. O tom irônico, né? Tu vês que é o tom irônico. Tu achas que eu vou chefiar brigadas e... ZH — Mas o leitor desta entrevista tem de levar em consideração os termos que o senhor usa. O senhor diz que estamos sendo "aterrorizados". Meu filho de cinco anos foi à Bienal e não voltou — pelo menos perceptivelmente — aterrorizado, voltou falando das coisas que viu lá. Nosso papel nesta entrevista é permitir que o senhor esclareça, detalhe e disseque sua forma de pensar. Qual seria a maneira de essa população — "aterrorizada", para usar sua expressão — lidar com essas obras? Schilling — Em primeiro lugar, não acredito que essa obras vão desaparecer. As circunstâncias históricas em que elas foram gestadas e o apoio que os Estados Unidos dão a isso dificilmente vão fazer com que esse tipo de arte vá desaparecer. Em parte, o que aconteceu é fruto da Guerra Fria. Essa ausência de crítica aconteceu num contexto muito interessante da Guerra Fria. Não é só da Guerra Fria, já era antes, dos anos 30. Os americanos queriam fazer uma confrontação com o que estava acontecendo na Europa, especialmente na União Soviética. Tu observa que o MoMA (Museu de Arte Moderno de Nova York) é inaugurado nos anos 30 exatamente quando Hitler chega ao poder e decreta o fim da arte expressionista na Alemanha. Em 1934, Stalin decreta com seu ministro da Cultura, Zhdanov (Andrei Zhdanov só foi encarregado da política cultural na União Soviética em 1946), o realismo socialista. Essa tolerância que surgiu nos Estados Unidos com a criação artística — faça o que quiser, imagine qualquer tipo de possibilidade criativa — estava estreitamente vinculada ao combate da Guerra Fria — ao nazismo e, depois, ao comunismo. Tanto é que a CIA organizou expedições artísticas ao largo da Europa para exatamente fazerem isso: "Reparem como os artistas americanos têm absoluta liberdade enquanto os soviéticos estão submetidos ao dirigismo, às exigências de um Estado totalitário". Então essa é a origem histórica e sociológica dessa história toda. ZH — O senhor está se referindo ao expressionismo abstrato. Schilling — Isso, e tudo que veio depois. A arte conceitual é derivada do Marcel Duchamp. ZH — Mas o exemplo que o senhor estava dando era claramente o do expressionismo abstrato americano. O crítico era Greenberg, os artistas eram Pollock, De Kooning e outros. Isso faz com que se tenha de rejeitar todos os artistas expressionistas abstratos? Schilling — Não. As qualidades do Pollock são inquestionáveis. Eu nem teria qualificação para desqualificar aquilo que é quase uma unanimidade dentro da arte moderna que é a arte do Pollock. Só estou dizendo de onde vem a tolerância. A tolerância vem exatamente disso: a posição que os Estados Unidos marcaram no sentido de dizer que "a nossa terra é a terra da liberdade, os nossos artistas fazem o que quiserem, não há tipo de censura nenhuma". Esse tipo de arte foi apoiado pelos magnatas americanos. O MoMA foi fundado pela família Rockefeller. Há um claro interesse de que esse tipo de arte corresponda aos anseios de liberdade defendidos pelo Ocidente no seu enfrentamento com o mundo comunista. ZH — Mas, no mundo comunista, os artistas que tentavam fazer alguma coisa parecida estavam a serviço de quem? Foram ferozmente reprimidos e mandados para campos de concentração. Schilling — Não. Não. Não. Não é bem isso. Não digo que eles tenham sido... Até aqueles que pintavam de maneira equivocada no realismo socialista também foram perseguidos. Mas agora tu tens de ver que há uma interpenetração da arte. Agora, por exemplo, há instalações na Rússia... ZH — Mas o senhor atribui a origem desse momento da arte contemporânea a um objetivo político da elite americana. Na União Soviética, o único país comunista nos anos 30, havia artistas em todos os campos que faziam um outro tipo de arte. Maiakovski, que se suicidou em 1930 por razões também estéticas, tinha algum tipo de associação com os magnatas de Nova York? Schilling — Não, não. É que de alguma forma há uma interpenetração. A própria arte dos anos 30 também foi influenciada no Ocidente pelo realismo socialista, em geral com pintores comunistas. Na Alemanha, tu tens a Kathe Köllwitz, uma figura significativa. Os muralistas mexicanos eram todos integrantes de variantes do Partido Comunista. Há uma interpenetração. O que eu quero te dizer é qual pode ser a provável origem dessa excessiva tolerância. Era uma posição claramente ideológica. O nosso artista, nos Estados Unidos, faz o que lhe vem na telha e ninguém tem de se opor. ZH — O senhor não acha isso positivo? Não é positivo que os artistas possam fazer aquilo que lhes dá na telha? Schilling — É. Isso. Agora vem um outro problema... ZH — Hoje, por exemplo, em Cuba, no Vietnã, na Coreia do Norte, na China, entre outros países, os artistas não podem fazer aquilo que lhes dá na telha. Schilling — É. Isso. Bom. Vamos ver agora outra questão. Por que se gerou esse universo enorme de coisas sem sentido? Aí vem um outro problema, que é o descolamento dos artistas daquilo que se chamava grande arte. Se tu olhares ao longo dos 3 ou 4 mil anos da cultura ocidental, o artista exercia o seu metier em função de alguma grandeza. O Partenon, por exemplo, tinha a função de exaltar a cidade e a deusa da cidade. O artista não está criando por si, ele simplesmente está a serviço de uma força maior. E assim você vai ver que os artistas sempre estavam a serviço ou do Estado, ou da Igreja. E depois também a existência de uma nobreza refinada na Europa. Então tu tens realmente uma sustentação. O artista era chamado, o mecenas dizia: "Tu vais fazer isto, isto e isto". Ele usava a criatividade dele em função da visão grandiosa que o mecenas passava para ele. A Eneida do Virgílio foi um projeto feito pelo próprio mecenas, a mando do Augusto: você tem de criar alguma coisa grande do nosso passado romano que não seja "nós, filhos da loba". Por exemplo, Versalhes: é um palácio maravilhoso, uma decoração fantástica. De onde saiu aquilo? Da exigência da monarquia absolutista de Luís XIV. Agora você vê hoje em dia o que está acontecendo. Não existem mais essas forças, foram dissolvidas na era moderna. Não existe mais o Estado absolutista, não existe mais a Igreja com o poder que exerceu na Idade Média, e não existe mais a nobreza, que foi substituída pelo empresariado, pela burguesia, pela classe média. Tu tens hoje o artista isolado — ele, entregue a sua própria subjetividade. Ele já não representa grandeza nenhuma, ele representa apenas a sua subjetividade. ZH — Isso é ruim? Schilling — Não, não estou dizendo que é ruim ou não. Mas o que interessa a subjetividade dessas pessoas? ZH — Não interessa? Schilling — Não. A quem interessa e por que interessa? ZH — E o senhor, o que representa se não a sua subjetividade? Schilling — Olha, de alguma maneira... Tu estás fazendo referência ao meu artigo? ZH — Não, me refiro ao seu papel como intelectual. Schilling — Olha, de alguma maneira, eu, eu, digamos, fui no meu artigo o intérprete dessa insatisfação que existe na nossa cidade. Não sei em outras. Mas aqui, pela repercussão que teve, eu fui intérprete involuntário disso. Então, nesse caso específico, a minha subjetividade se articulou com o mal-estar coletivo das pessoas em relação ao que se passa na nossa cidade especificamente — não estou falando da Bienal — especificamente a estatuária e a escultuária de nossa cidade, especificamente aqueles que foram citados por mim. Só isso. Então eu fui intérprete. Isso pode acontecer. Às vezes você escreve alguma coisa e provoca... ZH — Então a subjetividade de alguém pode interessar aos outros. Schilling — Pode, sim. Pode. Mas isso não é... Agora também é o seguinte: pode não provocar nada. Pode também provocar desinteresse. ZH — Mas pode provocar interesse. Schilling — Pode. Pode. ZH — Quando Rilke escreve, é a subjetividade dele que está em questão. Schilling — Isso. Tudo bem. Tem coisas que tu consegues transformar a tua subjetividade em uma grande arte. Mas isso cabe aos grandes artistas, e não a todos, né? Não são todos os poetas que colocam a sua subjetividade e conseguem a consagração. ZH — Mas o poeta tem o direito de buscar a conexão com o gosto e com o público. Schilling — Não tem dúvida. Não tem dúvida. Ele tem o direito de fazer o que quiser. A priori, todos nós temos o direito de fazermos o que quisermos. Só que eu digo: grande parte dessa subjetividade, na verdade, fracassa. Como grande parte da poesia e da novelística não se sustenta ao longo da história. ZH — Mas o tempo vai selecionando. Schilling — É. Isso mesmo. ZH — Na época de Leonardo e Michelangelo havia outros pintores. Schilling — É. Agora o grande problema... Agora aí vem esse tipo de argumento: sou obrigado, sob o ponto de partida de que eu não estou entendendo as coisas agora, a aceitar tudo que vem porque todos eles se consagrarão. ZH — Há artistas ruins. E há renascentistas ruins. Schilling — Pois é. E por que não se aceita que Porto Alegre tenha cinco ou seis monumentos ruins, feios? Qual é o problema? Por que tem de fazer uma tragédia disso? Tem que doutores escreverem, chamarem de nazista, porque tem cinco ou seis monumentos na cidade que são feios? Porque eu acho aquela casa monstro um pavor? Então pode ter sido a subjetividade daquele artista. Que, para mim, fracassou. Para mim e para muita gente. E para os 800 mil neonazistas que esta cidade abriga. ZH — Para algumas pessoas deu certo. Schilling — Pode ser. Para os 20%. ZH — Zero Hora entrevistou um sargento da Brigada que presta serviço de guarda na entrada do Comando Geral bem em frente a essa obra. Ele fica todos os dias olhando para aquilo, seis horas por dia. Ele gostou da obra e diz que as pessoas que passam por lá param, tiram fotografias, comentam e admiram... Schilling — Tudo bem. Há gosto por bizarrice. As pessoas não vão ver a mulher barbada no circo? Tem tudo, tem de tudo. A bizarrice atrai. Um corpo de um atropelado na rua junta gente para olhar. Põem velinha, põem jornal. É a bizarrice humana. Não tem nada a ver com arte. ZH — Mas a arte sempre namorou o grotesco. Schilling — Sim. E tem coisas do grotesco que são extraordinárias. Esteticamente extremamente relevantes. Não existem, de fato, assim, regras definitivas. Eu posso pintar uma megera e ter um impacto estético extraordinário. Posso pintar uma mulher belíssima e ser um fracasso estético. Mas eu posso pintar até uma cena... Cenas de batalha, por exemplo, as pessoas morrendo. Tem uma tela do Gros famosa, o Napoleão lá em cima, os soldados morrendo. É uma coisa impressionante, os soldados ali, estraçalhados pelas bombas, é uma cena horrível. Mas esteticamente impressionante. Então não é um regra assim tão estreita, que eu só tenha de pintar o belo. Não é bem assim. A coisa é bem mais complicada. Então não significa necessariamente um retorno ao realismo socialista ou coisa desse gênero. Agora, volto a te dizer: acho que enquanto existir essa posição dos Estados Unidos, não haverá alterações, isso aí vai continuar existindo. A força da tribo esotérica é poderosíssima. Ela se encontra na imprensa, na mídia, nas galerias. É formada pelos grandes bancos, pelas grandes fortunas, pelos grandes colecionadores. Só havendo um outro momento histórico, daqui a cem, 150 anos, aí talvez mude. Não sei para que lado. Como tudo muda, né? Mas no momento não há a mínima perspectiva de que possa haver alguma alteração. Quando fizermos de novo outra Bienal aqui ou a de São Paulo, vai ser a mesma coisa: a estética do vazio, mesma coisa. Porque a situação histórica não se alterou. Os Estados Unidos continuam como potência dominante. O individualismo é extremamente enfatizado pelo neoliberalismo. Essas coisas vão continuar existindo. Não vai desaparecer. Vai continuar. Não tem a mínima possibilidade de surgir um regime tirânico, que vai impor censura. Nada disso assinala no horizonte. É uma onda que começou especialmente na II Guerra Mundial e vai indo, vai se espalhando, até haver alguma reação. Não sei que tipo de reação futura. Provavelmente nem vai ter mais pintores nem escultores, porque não precisa mais. Por outro lado há de fato, sim, um certo lamento da minha parte. ZH — E uma nostalgia, não? Schilling — No seguinte sentido: o enorme acervo técnico de qualificação de pintores e escultores vai ser posto fora. Há quantos mil anos o Ocidente começou a fazer escultura? Tudo isso está se perdendo. Um sujeito escreveu para nós assim: "Olha, eu recebi encomenda de fazer cinco caixotes de madeira. Depois eu soube com surpresa que estavam ali empilhados no Cais do Porto como obra de arte". Esses ambientes artísticos estão sendo substituídos por marceneiros, por pedreiros. Não por artistas. Há uma nostalgia? Há, sim.ZERO HORA&lt;br /&gt;if('ZERO HORA'=='AE' 'ZERO HORA'=='AGÊNCIA ESTADO' 'ZERO HORA'=='AGENCIA ESTADO'){&lt;br /&gt;document.getElementById("authorIdentify").className += " ico-agencia-estado";&lt;br /&gt;}&lt;br /&gt;google_protectAndRun("ads_core.google_render_ad", google_handleError, google_render_ad);&lt;br /&gt;//var url_article = escape("http://www.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default.jsp?uf=1&amp;amp;local=1§ion=Estilo%20de%20Vida&amp;amp;newsID=a2738632.xml");&lt;br /&gt;//var artid = "2738632";&lt;br /&gt;//var uf = "1";&lt;br /&gt;//var local = "1";&lt;br /&gt;//var canalid = "13";&lt;br /&gt;//var titulo = "Arte na berlinda: Zero Hora entrevista Voltaire Schiling";&lt;br /&gt;//var pagina = "default.jsp?template=3835.dwt&amp;amp;rootdir=%2Fshared&amp;amp;source=DYNAMIC%2Ccom.rbs.news.CommentDataServer%2CgetComments&amp;amp;canalid="+canalid+"&amp;amp;artid="+artid+"&amp;amp;uf="+uf+"&amp;amp;local="+local+"&amp;amp;url_article="+url_article+"&amp;amp;titulo="+titulo;&lt;br /&gt;Comentários&lt;br /&gt;Robertson Frizero - &lt;/span&gt;&lt;a class="email" href="mailto:frizero@gmail.com"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;frizero@gmail.com&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;a class="denuncia" onclick="javascript:abreDenuncia(1054214);" href="javascript:void(null)"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Denuncie este comentário&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;08/12/2009 09:58&lt;br /&gt;Os entrevistadores nitidamente são contrários a Voltaire Schilling, e ler a entrevista na íntegra me faz pensar que o historiador não foi entrevistado, mas interrogado. No final, ficou-me a impressão de que os entrevistadores foram à casa de Schilling para se vingar, para tirar a desforra em nome de seus amigos da arte contemporânea contra o articulista que ousou falar mal da Bienal do Mercosul e de empulhações afins. A questão é saber se a população concorda com a dinheirama pública gasta ali.&lt;br /&gt;Giovani Andreoli - Há momentos da entrevista onde se percebe claramente a hesitação de Schiling. Isso, ao meu ver, denota duas coisas: primeiro, que ele não estava preparado para um embate teórico neste assunto, e sim apenas expressando uma opinião muito pessoal, levando-o a assumir uma postura defensiva, por vezes confusa; segundo, que o entrevistador assumiu uma postura não de "eficiência", e sim de aberta agressão, recorrendo às vezes a argumentos (disfarçados de perguntas capiciosas) lineares, tautológicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3781079153050474132-2357844642914298683?l=filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/feeds/2357844642914298683/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3781079153050474132&amp;postID=2357844642914298683' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/2357844642914298683'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3781079153050474132/posts/default/2357844642914298683'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofiafrancesacontemporanea.blogspot.com/2010/03/dossie-voltaire-shlling-vi-entrevista.html' title='Dossie Voltaire Shlling VI - Entrevista de Voltaire recoloca a questão da arte'/><author><name>Jorge Barcellos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13317457638691531178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3781079153050474132.post-4522139547261619494</id><published>2010-03-08T16:18:00.001-08:00</published><updated>2010-03-08T16:25:22.765-08:00</updated><title type='text'>DOSSIE VOLTAIRE SCHILLING VI - GUNTER AXT REFORÇA CRISE NA CULTURA</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;08 de março de 2010 N° &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;ENTREVISTA&lt;br /&gt;Sufoco no deserto&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A inopinada e indigna forma como se deu a demissão do professor Voltaire Schilling do Memorial do Rio Grande do Sul pode, ao gerar onda de indignação, ter ajudado a destampar a panela onde se cozinhava em fogo lento a apatia dos gestores da cultura e intelectuais gaúchos.Não é de agora que a Secretaria de Estado da Cultura vem servindo de moeda de troca no jogo político e abrigo para políticos de entremez. Quando se trata de Cultura, partidos da base aliada fazem da política um fim em si mesmo e escarnecem do interesse coletivo. Isso num Estado com arraigada tradição cultural como o Rio Grande do Sul.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O outrora produtivo Instituto Estadual do Livro colapsou: está há três anos sem publicar um título. A TVE vem sendo tratada como filho enjeitado. As obras do Multipalco do Theatro São Pedro se arrastam a passos de cágado. A Ospa é um pálido espectro perto da Osesp – agoniza em modorrenta rotina de província e continua sem ver o início das obras de sua tão sonhada sede. Nossos museus, arquivos e casas de cultura vivem à míngua. Há anos não se ouve nenhuma palavra concreta sobre a construção de uma nova Biblioteca Pública, de porte. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Nenhum projeto para um novo museu de arte moderna ou contemporânea. Nenhuma estratégia sólida capaz de atrair recursos de fora. Nada de consistente que ajude a levar a cultura aqui produzida para o mundo. Não se prevê nenhum prédio de arquitetura icônica. O corpo funcional está mal-remunerado e é em número insuficiente para as necessidades mais elementares. A LIC-RS vive em permanente impasse.Não há elaboração intelectual. Não há bons projetos. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Nem mesmo aqueles que poderiam ser conduzidos com simples parcerias, com aporte insignifi
